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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Eu tinha que ouvir isto

Dia dez de dezembro. Todos corriam aos bancos, muitos servidores nas filas para recebimento de seus salários ou benefícios de aposentadoria. Lá estava eu pagando taxas de serviços públicos. Foi honroso ver uma fila exclusiva para as pessoas da terceira idade, privilégio que mostra que começamos honrar aqueles que dedicaram suas vidas na construção de nossa capital.
Olhava para aquelas cabeças brancas, faces marcadas pelo tempo, que festejavam o reencontro com amigos de antigas lidas profissionais e esperei encontrar pérolas de sabedoria nos diálogos entabulados. Minha frustração foi grande.
Lá estava um antigo servidor, reclamando que o atual governo o estava perseguindo. Sua concessão de transporte alternativo estava sob júdice por envolvimento em acidente com vítima nas estradas de Brasília. Até aí, por não conhecer a verdade dos fatos, não elaborei juízo algum em minha mente, até que outro ancião, que se gabava de sua vitalidade aos oitenta anos para desfrutar dos proventos de servidor inativo, revelou seus valores como cidadão.
Com expressões fortes, tais como: “Quem mandou votar neste homem? A gente tem que votar é em ladrão e desonesto, eles é que seguram as nossas pontas. Temos que votar é em quem tem bezerra que urina ouro. Esse “arrudiador” quer fazer as coisas certas e está acabando com alegria de Brasília.”
Mantive meu silencio, porém me indignava em meus pensamentos. Que tipo de servidor teria sido aquele homem? Que modelo de pai e marido seria ele? Que conselhos daria a seus netos e bisnetos? Seria ele um representante da maioria de nós os brasilienses? Será que nós realmente estávamos satisfeitos com anos de gestão pública que se fazia de cega e permitia perpetuar a ilegalidade no transporte publico, na questão fundiária, e comercial, sustentada pela fome de voto, criando a cultura de que no Distrito Federal a melhor forma de viver é à margem da lei?
Em quanto eu me indignava, lembrei de meu pai, candango desde agosto de 1959, servidor inativo, hoje, octogenário, meu referencial de homem e cidadão e me alegrei por nem tudo estar perdido. Se os canalhas envelhecem, também o fazem os homens de bem. Posso continuar a acreditar que viver obedecendo às leis, pode até não gerar fama, mas dá a garantia de que meus netos habitarão em uma cidade digna.

Com este texto, honro a meu pai, Francolino Rodrigues da Mata, servidor público, pastor evangélico de caráter ilibado, pai e marido exemplar e a todos os candangos que vieram construir e não apenas usufruir de nossa cidade.

Walter Silva da Mata
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