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domingo, 26 de setembro de 2010

O que dizer lá em casa - Parte II

Hoje minha volta para casa tem caráter triunfal. Montado em uma mula de porte garboso, conseguida como despojo de guerra, percorro os estreitos caminhos de volta à aldeia onde moro. Meus vizinhos congratulam-se comigo e com os demais combatentes, pois varremos do nosso território a ocupação midianita e ainda impusemos baixa significativa em seu exército, o que o impede de, por muito tempo, voltar a nos atacar.

Foi bom receber o beijo restaurador de minha esposa e o abraço de confiança de meus filhos, pois nenhuma sequela de minha covardia impediu que a confiança fosse restaurada e que o lugar de honra de chefe da família pudesse ser novamente ocupado por mim. Era um dia de celebração e o meu sentimento é de quem recupera um trono perdido.

Talvez a madrugada mais significativa de minha vida tenha sido a que ouvi um novo toque de trombeta ecoando nas montanhas de Naftali. Firmei os ouvidos e percebi que era um toque de reconvocação. Gideão e seus trezentos espalharam os midianitas por todo o norte de Israel e agora precisavam de homens que os cassassem, despojassem e pusessem fim à dominação. Era a minha remissão. Levantei de minha covardia, mesmo que sofrendo vergonha de minha história, e me apresentei ao comando da batalha. Recebi as provisões de guerra, uma espada confiscada do inimigo e parti com outros para libertar Israel.

Enquanto caminho e sou homenageado, me lembro de Deus que, em sua graça, me concedeu uma segunda oportunidade. Meu nome está entre os heróis de guerra e Gideão, se precisar de um homem valente, sabe onde encontrar. É só avisar lá em casa.

Agradeço a Deus pelas muitas oportunidades que recebi de recomeçar e por Ele não me rejeitar pelos meus erros do passado, pois, enquanto cuido da pequena lavoura, fico cantado assim:

“Eu quero estar com Cristo onde a luta se travar
No lance imprevisto, na frente me encontrar
Até que eu possa o ver na Glória
Onde Ele vai me coroar."
(Hino da Harpa Cristã)
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terça-feira, 21 de setembro de 2010

DEUS TE MANDOU FLORES

No livro do profeta Jeremias 1:11-12, Deus usa um belo trocadilho entre as palavras hebraicas “amendoeira = SHAQUED = vigilante” que é semelhante foneticamente a “velar = SHOQUED = (vigiar)”, significando que da mesma forma como a amendoeira é chamada de vigilante por florescer anunciando a chegada da primavera, Deus vela, ou vigia a sua Palavra, para que ela se cumpra.
Desde a criação, quando foram estabelecidas as estações, aconteça o que acontecer, Deus no comando do universo faz com que a primavera, estação das flores, embeleze a terra, trazendo alegria, esperança e despertando o cio do amor entre os animais.
Em Israel, a flor de amendoeira anuncia a primavera, se fosse no Brasil e Jeremias fosse um dos nossos bravos nordestinos, Deus teria mostrado um mandacaru florido no meio da caatinga, anunciando que Ele continua desperto para fazer sua Palavra se cumprir.
Hoje, a primavera chega ao Brasil, oro a Deus que está velando por sua Palavra, que dias melhores cheguem, fazendo florescer a esperança em meio a tantas incertezas, sofrimentos, corrupção e apostasia.
Faço contextualizar o texto da Palavra: Deus está sempre desperto, não tira nenhum cochilo enquanto guarda a mim, a você e o nosso Brasil, portanto olhe para as flores da primavera, Deus quer te dizer algo por meio delas. Se Ele falou, vai acontecer.
Não esqueça: flores antecedem os frutos!
Walter da Mata
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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A Lei PINÓQUIO

Um projeto de lei tramita na câmara dos deputados caracteriza crime, o mentir quando se apresenta um currículo e gera responsabilidade legal, pois as empresas se sentem prejudicadas ao contratarem uma pessoa que não tem habilitação, mas declarou estar preparada para desempenhar a tarefa. Parabéns ao deputado Carlos Bezerra (PMDB-MT) por estar preocupado com o cerne da questão: a moral e ausência de integridade.
Caso seja aprovado, tal prática será punida com detenção de dois meses a dois anos, pois causaram danos a terceiros e obtiveram benefícios oriundos da falta de verdade.
Salomão, rei Israel, escreveu que mentir é insensato:
“Suave é ao homem o pão da mentira, mas depois a sua boca se encherá de cascalho.” Pv 20:17
Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso. Pv 30:6
Não convém ao tolo a fala excelente; quanto menos ao príncipe, o lábio mentiroso. Pv 17:7
O profeta Jeremias ressalta que a mentira destrói a confiança entre os pares: "Guardai-vos cada um do seu próximo, e de irmão nenhum vos fieis; porque todo o irmão não faz mais do que enganar, e todo o próximo anda caluniando". Jr 9:4
Creio ser oportuno, fazer uma emenda aditiva ao projeto lei, que os ocupantes de cargos eletivos também sejam enquadrados na mesma lei, caso aconteça de mentirem para serem eleitos. Basta gravar as promessas de campanha e depois comparar com o desempenho do mandato.
Mentir é tolice, falar a verdade é ser inteligente, pois constrói o fundamento sólido para integridade sobre o qual podemos construir nossa reputação. Nosso cônjuge, filhos, amigos sabem que somos confiáveis.
Walter da Mata
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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O QUE DIZER LÁ EM CASA?

Não foi fácil voltar para casa. Na verdade, peguei uma vereda alternativa, esperei e penumbra e entrei em casa pela porta dos fundos, pois não gostaria que as pessoas me vissem e muito menos que me identificassem. Afinal, fazia semana que eu saíra de casa, pela porta da frente, muito festejado: minha esposa e meus filhos acenavam com folhas de palmeira, cantando e chorando, um misto de alegria e apreensão; meus vizinhos, idosos e crianças, me cumprimentavam com a esperança de que o futuro tão desejado estava chegando.
Todos depositavam em mim suas expectativas de que chegaram ao fim os sete anos de opressão: de gado roubado, lavoura saqueada e de filhos assassinados. Muito emocionado, acenei para eles e fui atender ao toque da trombeta que convocava os homens de Israel para lutarem ao lado de Gideão, contra os midianitas.
Hoje, era diferente, era o dia da volta, entreguei ao comandante a provisão e a trombeta, pois quando soube que nossas armas eram trombetas, cântaros e tochas, me filiei à maioria dos outros vinte e dois mil soldados que assumiram publicamente sua covardia e timidez, afinal é melhor um covarde vivo, que um herói morto. (Jz 7.3,8) Só ainda não sei o que dizer a minha esposa e filhos, mas eu sabia: o homem da casa era um covarde.
Esta me parece ser a crise atual dos homens, pois estão cada vez mais se submetendo a jugos, opressões e sistemas iníquos, silenciados pela conveniência de continuarem vivos, mesmo que à custas de sua integridade e autoridade.
Que Deus me ajude a caminhar com os poucos que exercitam a fé, mesmo com risco de suas vidas, a caminhar com aqueles que precisam explicar em casa, tamanha covardia!
Walter da Mata
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