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terça-feira, 26 de outubro de 2010

INDULGÊNCIAS EVANGÉLICAS.

             Enquanto minha esposa e eu, em trabalho de equipe, preparávamos nosso almoço, nosso rádio estava sintonizado em uma emissora evangélica. Hinos, pregações, testemunhos e um forte apelo financeiro. Até aí meu estômago estava conseguindo digerir, mesmo com alguns espasmos de vômito, por ouvir mais a palavra prosperidade, que Deus, Jesus, salvação e libertação.
Mas teve um momento em que o ministrante se superou: “Se você começar a investir financeiramente em nome de seus familiares não cristãos, Deus irá salvá-los. Entregue sua contribuição em nossa igreja, seja fiel e aguarde”.
Aqui, vejo pelo menos duas inverdades, sendo que a primeira é heresia e a segunda é escambo mentiroso:
1-      A salvação é fruto de se ouvir a Palavra de Deus e pela fé ser reconciliado com Deus. Quem não tem dinheiro pode ser salvo, Jesus já pagou o preço na cruz;
2-      Nenhuma igreja tem procuração de Deus para ser a única arrecadadora das ofertas que os fiéis trazem pela fé. A janela do céu se abre se as contribuições forem entregues aqui, nós temos a chave.  Entregue sua contribuição na igreja onde você é pastoreado, e não manipulado.
Fui salvo da crise de ira quando recebi um email com um texto do pastor Ricardo Gondim e aqui destaco um parágrafo:
“Os neo-pentecostais retrocederam ao catolicismo medieval. É pré-moderna a religiosidade que estimula valer-se de amuletos “como ponto de contato para a fé”; fazerem-se votos financeiros para “abrir as portas do céu”; “pagar o preço” para alcançar as promessas de Deus. Desse modo, a magia espiritual da Idade Média se disfarçou de piedade. A prática da maioria dos crentes hoje se concentra em aprender a controlar o mundo sobrenatural. Qual o objetivo? Alcançar prosperidade ou resolver problemas existenciais.”
Neste aniversário da Reforma Protestante é bom lembrar que a Igreja de Roma tornou-se rica, sua sede é um país e suas lideranças têm peso diplomático, poder conquistado por meio de venda de indulgências e relíquias e que, lamentavelmente, tal fenômeno está se repetindo entre nós “reformados”.
Será que a sede de poder, não de Deus, que deformou a Reforma com um evangelho que não transforma, está nos levando de volta à idade das trevas, na qual a igreja deixou de ser pobre para ser podre?
Que Deus me ajude a ser um cristão não apenas reformado, mas, acima de tudo, transformado!
Walter da Mata

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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

CASAMENTOS E PIPAS

Casamentos e pipas ...
Precisam ser leves para voarem
Mas resistentes para não se partirem.
Podemos dar a elas cores alegres
Ou fazê-las tristes e aterrorizantes

            Casamentos e pipas ....
            Precisam que o vento sopre
            E assim ganharem as alturas
            Mas nas chuvas e tempestades
            Elas precisam de abrigo

Pipas e casamentos precisam de espaço
Não decolam se sufocados por limites estreitos
Mas com os ventos, tomam várias direções
Precisam estar presos, para que não se percam

            Casamentos e pipas trazem alegria
            Voando e amando, adultos viram meninos
            Na inocência, sem discernir os ventos
            O baile alado,  pode trazer dor

Para liberar corações e pipas
Conhece-se o tempo e estações
Prenda-se a pipa à mão do homem
Prendam-se os corações às mãos de Deus   

 Walter da Mata
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domingo, 17 de outubro de 2010

Como a igreja deve fazer política

Quando considero que política é arte de cuidar dos interesses comuns e aqui estão os principais: educação, saúde, segurança e trabalho,  pois pertencem a todo cidadão, seja ele de qualquer sexo, classe social, religião, ou mesmo sem religião, entendo que a igreja deveria encabeçar esta luta. A grandeza desta luta é que ela não é de direita, nem de esquerda, conservadora ou reacionária, não pertence a nenhum partido, não está restrita a um país,  portanto cabe direitinho dentro de um dos papéis da igreja: o combate as injustiças.

Imagino a igreja, acima de qualquer cor ideológica e sem ser fisiológica, fazendo do dia do evangélico ou dia  do aniversário da cidade,  um dia de manifestações por estes direitos básicos. 

Sonhe comigo: todos os pastores das cidades, arregimentando seus fiéis e protestando contra a situação vergonhosa que é a saúde pública.  Quem sabe cercando de mãos dadas o hospital da cidade, com faixas em nome dos evangélicos, fazendo oração pelos enfermos e  cantando louvores a Deus .

Por que nós pastores não fazemos isto? Não o fazemos, porque um número significativo está encabrestado por verbas recebidas, empregos fantasmas e concessões ilegais. E quem come da mesa do rei, têm que aplaudir o rei, mesmo que não queira.

Pense no impacto de um movimento deste!

Como a impressa noticiaria isto?

O mundo inteiro saberia que os crentes em Jesus tem visão de cidadania e não de balcão de negociatas.
Sonhe com independência dos nossos pastores, para toda vez que nosso governo Federal, Estadual e Municipal, pisar na bola, independente de qualquer partido, nossos Conselhos, Convenções, Sínodos e outros,  soltarem uma nota paga na imprensa, clamando por lisura com o bem público.

Para que isto aconteça, precisamos ser livres e independentes. E isso ainda não somos, mas podemos ser.

Que Deus nos ajude!!
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os Amputados

A cena é trágica. Setenta reis, reduzidos em sua dignidade. Subnutridos, esqueléticos e humilhados, aguardavam que algumas migalhas caíssem da mesa. Por mais que desejassem voltar a serem os homens de valor de antes, já não podiam, seus polegares dos pés e das mãos foram cortados sobre o tronco na frente do palácio. Estavam inutilizados por uma forma de dominação cruel.

Este foi o cenário encontrado pelos guerreiros de Judá quando chegaram ao palácio de Adoni-Bezeque. (Jz. 1. 5-7)

Vejamos quais capacidades aqueles reis perderam:

•    De liderar outros;
•    De liderar a si próprios;
•    De usar a espada;
•    De se equilibrar;
•    De prover seu próprio alimento;
•    De retornar à realeza;
•    De ter identidade.

Nesse sistema maligno de governar e que ainda tem seguidores nos dias hoje em níveis de governo, empresarial e eclesiástico, um bom líder é aquele que amputa todas as habilidades dos seus liderados, subjugando seus corpos e mentes.

Há alguns anos fui conhecer uma das “modernas” formas de ser igreja; tudo ia razoável, até chegar ao sistema de governo. O líder daquele encontro apanhou uma lasca de madeira e nos perguntou o que ele tinha na mão.  Fomos unânimes em responder o que estava evidente aos olhos e já é cientificamente comprovado: tratava-se de madeira. Nessa hora, manifestou o espírito de Adoni-Bezeque: “Se eu sou o seu líder e lhe afirmar que não é madeira, mas ouro, você tem que defender essa idéia, mesmo a custo de sua vida”.

Hoje, por razões legais, são raras as amputações físicas, mas não as amputações de “cabeças”, pois pensar, questionar e conhecer os quês e os porquês, tem sido proibido em muitos contextos, com destaque ao eclesiástico.

Paulo, preocupado com a liberdade dos crentes em Colossos, destaca:

2.4   Ninguém vos engane com belas palavras;
2.8   Não se deixem aprisionar por meio de tradições humanas;
2.18  Ninguém vos prive sob o jugo da “espiritualidade”;

Aqui aparecem as três ferramentas “modernas” de amputação: o belo discurso, a tradição e "um anjo me falou".

Que Deus me ajude a viver em submissão, sem perder a identidade e nem a realeza.

Walter da Mata
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