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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Os Amputados

A cena é trágica. Setenta reis, reduzidos em sua dignidade. Subnutridos, esqueléticos e humilhados, aguardavam que algumas migalhas caíssem da mesa. Por mais que desejassem voltar a serem os homens de valor de antes, já não podiam, seus polegares dos pés e das mãos foram cortados sobre o tronco na frente do palácio. Estavam inutilizados por uma forma de dominação cruel.

Este foi o cenário encontrado pelos guerreiros de Judá quando chegaram ao palácio de Adoni-Bezeque. (Jz. 1. 5-7)

Vejamos quais capacidades aqueles reis perderam:

•    De liderar outros;
•    De liderar a si próprios;
•    De usar a espada;
•    De se equilibrar;
•    De prover seu próprio alimento;
•    De retornar à realeza;
•    De ter identidade.

Nesse sistema maligno de governar e que ainda tem seguidores nos dias hoje em níveis de governo, empresarial e eclesiástico, um bom líder é aquele que amputa todas as habilidades dos seus liderados, subjugando seus corpos e mentes.

Há alguns anos fui conhecer uma das “modernas” formas de ser igreja; tudo ia razoável, até chegar ao sistema de governo. O líder daquele encontro apanhou uma lasca de madeira e nos perguntou o que ele tinha na mão.  Fomos unânimes em responder o que estava evidente aos olhos e já é cientificamente comprovado: tratava-se de madeira. Nessa hora, manifestou o espírito de Adoni-Bezeque: “Se eu sou o seu líder e lhe afirmar que não é madeira, mas ouro, você tem que defender essa idéia, mesmo a custo de sua vida”.

Hoje, por razões legais, são raras as amputações físicas, mas não as amputações de “cabeças”, pois pensar, questionar e conhecer os quês e os porquês, tem sido proibido em muitos contextos, com destaque ao eclesiástico.

Paulo, preocupado com a liberdade dos crentes em Colossos, destaca:

2.4   Ninguém vos engane com belas palavras;
2.8   Não se deixem aprisionar por meio de tradições humanas;
2.18  Ninguém vos prive sob o jugo da “espiritualidade”;

Aqui aparecem as três ferramentas “modernas” de amputação: o belo discurso, a tradição e "um anjo me falou".

Que Deus me ajude a viver em submissão, sem perder a identidade e nem a realeza.

Walter da Mata
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4 comentários:

  1. Prezado pastor, ao ler o texto não pude deixar de encarar a nossa realidade e ao fazer isso, senti uma doce sensação de ser liderado, porém, sem perder a sensação de liberdade. Agradeço a Deus pelo líder que o senhor tem sido para nós. Que Deus mantenha sobre a sua vida a sabedoria que vem do alto. Um grande abraço. Arlei

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  2. Muito bem colocado. Agradeço a Deus por ainda existirem líderes que não ignoram o que o profeta Zacarias escreveu: "Nem por força, nem por vontade humana; mas pelo Meu Espírito, diz o Senhor".

    Deus abençõe.

    Guímel Bilac.

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  3. Querido amigo e pastor, vivemos dias difíceis na caminhada com Deus na tentativa de guardar o nosso coração sem nos deixar enganar por falsas "palavras" a cerca do evangelho. O senhor colocou bem ao citar Paulo em relaçao aos Colossenses. é sempre bom saber que podemos contar com você. Um abraço da família Araújo!

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  4. Pastor, louvo a Deus pela sua visão e sabedoria. É muito bom saber que ainda hoje há homens realmente comprometidos com a verdade da Palavra de Deus. Seus artigos têm sido bênção para minha vida. Esse é o "Walter da Mata" (o da cidade já está na cidade celestial e ficaria orgulhoso de quem o senhor se tornou).

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