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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

AJUNTANDO O LIXO

Confesso que fiquei indignado, pois os três sacos de lixo que foram deixados no ponto de coleta em frente minha casa, não foram recolhidos no dia certo e algumas pessoas passaram pela rua em busca de alimento ou mesmo objetos que lhes fossem úteis e rasgaram todos os sacos de lixo dos moradores do conjunto onde moro. Não havia nenhum que não estivesse revirado e com restos alimentares, garrafas pet, pratos e copos descartáveis espalhados nas calçadas.
Indignado com quem espalhou o meu lixo, recolhi e recondicionei tudo aguardando a coleta.
Depois de meu acesso de indignação, uma pergunta me perturbou: será que minha indignação era justa? Fiquei envergonhado, pois eu nem pensei porque seres humanos, todos iguais a mim, precisam viver como se fossem cães vadios em busca de alimento.
Então voltei a indignar-me, agora comigo mesmo, por tê-lo feito pela razão errada.  Porque nunca aprendi a me indignar pelas razões certas? O meu lixo pareceu-me mais importante que um ser humano. O que tem de tão errado em meus conceitos? O alívio vem de poder pensar que o único torto sou eu. Será?
Porque em um país tão rico, alguns patrícios precisam viver assim? Talvez alguns estejam lá por escolhas erradas, outros porque foram feridos em suas emoções e perderam o brilho da vida e outros, por certo, nem tiveram opção, já nasceram na sarjeta. Os porquês têm suas respostas, mas não apresentam as soluções.
Nós brasileiros precisamos deixar a passividade de ver gente na miséria profunda, enquanto somos sugados, roubados, espoliados e engodados por uma casta política endemoninhada que se compraz na opressão, pois, a bíblia diz que o papel do satã é matar, roubar e destruir, então posso inferir que quem executa essas três ações, no mínimo, está sob influência do bicho ruim.
Aqui, não faço exceção, pois neste final de governo que se dizia antielitista, vimos proletários tornarem-se burgueses e, no apagar dar luzes, o congresso vota o salário mínimo de miséria para o povo, enquanto o “polvo” recebe um percentual astronômico. Lembrei-me de uma frase: “Nada mais burguês que o operário no poder”
Talvez, por não saber indignar-me de forma correta contra os tentáculos que geram a pobreza, fico indignado porque o pobre existe.
Preciso matricular-me numa escola de cidadania. Será que ela existe?  Se existir, será que temos professores? Se alguém souber, passe-me o endereço, pois pretendo indignar-me pelas razões certas.

Walter da Mata


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4 comentários:

  1. Pastor Walter, paz em Cristo!

    Há uma dicotomia no meio evangélico. Muitos estão construindo templos bonitos enquanto o verdadeiro templo do Espírito Santo são pessoas. O pastor Lúcio Mendonça administra uma Casa de Recuperação chamada Caverna de Adulão. Lá ele recolhe das ruas, da sargeta, homens que não tem nem parentes por eles. A Caverna de Adulão não cobra nada de quem não tem como pagar. É um trabalho lindo. Uma verdadeira expressão do verdadeiro cristianismo. É um lugar simples, mas que tem dado esperança para muitos que as igrejas não tem se quer visto.

    Veja o site http://www.cavernadeadulao.com.br.

    Um forte abraço e feliz ano novo!
    Rogério Fontez

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  2. Pastor Amós Batista, comentou via email:

    Na verdade o que temos de lixo não é o próprio resto produzido por cada um de nós cidadãos. Pois lixo mesmo são as atitudes daqueles que se ofereceram para administrar o patrimônio público e transforma o erário em coisa particular, fazendo com que pessoas se tornem “lixo” quando revira-o em busca de alimento por tão terem tido a oportunidade de adquiri-lo decentemente. Esta é minha linha de raciocínio.

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  3. Pastor
    Quando o senhor descobrir a escola de cidadania me matricule nela também ....Tbm preciso aprender a me indignar pelas coisas certas.

    Elaine Bilac

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  4. Mais uma lição!(E que lição!!!) Muito bom mesmo.
    Abraço.

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