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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Um Novo Sonho



Em viagens pelas rodovias ou mesmo por estradas poeirentas do interior, ver esqueletos de casas, há muito abandonados, sempre me trazem reflexões.

Tento imaginar o início de tudo. Alguém com um sonho de amor e prosperidade sai à procura de um lugar onde edificar a base de seu sonho. Afinal, o coração antevê muito antes das mãos realizarem. Cada detalhe do projeto faz o coração pulsar, o quarto, ninho dos amantes, outros dois, ou mais, abrigando choros e risos de crianças e um espaço com mesas e cadeiras onde a família se congrega para o sagrado momento da refeição. Outros espaços são agregados ao sonho visando o melhor conforto para a família que, por enquanto, só existe no imaginário.

Mãos à obra. Da terra batida, começam surgir as primeiras marcas visíveis do sonho. Alicerce, alguns pilares, não importa se de concreto ou madeira, os primeiros tijolos, os espaços das portas e janelas, quem sabe madeira e telhado. De repente, tudo pára. Ninguém aparece para trabalhar, sol e chuva fustigam a casa, agora abandonada, sem ao menos ter sido habitada.

Com outras, a história é diferente, a casa foi concluída. Um homem, sentindo-se forte, arrastou, com cordas de amor, a mulher que lhe encantou os olhos para com ela formar a família dos sonhos. Vieram os filhos esperados e alegria morava lá. De repente, o silêncio. Não há mais gritos, sorrisos, correrias, suspiros de amor e nem lamentos de dor. Apenas silêncio.

Os sonhos foram interrompidos. As histórias não foram contadas. Tudo que resta é a prova material de que sonhos interrompidos deixam ruínas como testemunhas.

Se as casas viraram taperas, pessoas viraram monturo emocional.

A bíblia relata no livro de Lamentações uma visão paralela. Jeremias contempla as ruínas de Jerusalém e chora. Nada era para ser daquele jeito, mas princípios foram quebrados, pecados foram cometidos, violências executadas e finalmente o que era belo virou morada de répteis e chacais. Homens e mulheres que antes sonhavam, agora vivem o pesadelo da servidão babilônica. Só não foram exterminados porque a misericórdia do Senhor manteve um pouco de vida no meio da cinza.

Muitas vidas são assim, esqueletos de um sonho falido, morada de chacais que uivam nas noites frias de tristeza, ressentimento e amargura. Foram vítimas de seus próprios erros e algumas vezes de outros, e não conseguem reiniciar o sonho. Quem cruza seus caminhos só as vêem com ruína.

Tenho uma boa notícia, Deus é Deus de recomeços. Ele dá novos sonhos. Ele reedificou Jerusalém do meio das cinzas e reiniciou a história. E continua fazendo o mesmo hoje, pois enviou Jesus para restaurar vidas arruinadas e sonhos despedaçados.

Desfrute deste clima de celebração de natal, convidando Jesus para percorrer a estrada da sua vida, Ele vai transformar cada tapera de sua emoção em um lugar para morar em você! Com Ele, os sonhos voltam a existir!

FELIZ NATAL!
2012 CHEIO DE VIDA!
É o que minha esposa e eu, desejamos a você e sua família!
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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Atraído Por Deus


Eu, um pastor?

Aos doze anos, tomei minha decisão: seria um discípulo de Jesus. Desci às águas do batismo, recebi a graça do batismo no Espírito Santo e passei a sonhar com a igreja triunfante, fazendo diferença na terra por meio da evangelização.  O estudo das Escrituras prendeu-me a atenção e logo o desejo de conhecê-la cada vez mais empolgava minha vida, com o mesmo ardor que ainda sinto quarenta e cinco anos depois.


O chamado ministerial veio em meu coração e eu imaginava em envolver-me com qualquer um deles: evangelismo, ensino, administração, menos o pastoral.

Mas por razões que são definidas no céu, Deus não raramente se manifestava em minha vida e colocava o chamado pastoral em meu coração adolescente. Mas eu fugi, tinha um sonho de tornar-me um profissional, ganhar dinheiro, casar-me, formar uma família e dar um pouco de tempo em algum ministério na igreja.  Paradoxalmente, enquanto fugia do chamado, preparava-me teologicamente, como se o buscasse.
             
Nesta rota de fuga, Deus cercou-me várias vezes. Ele colocou um “espinho na carne”, algo que me limitava, que me fazia lembrar a minha humanidade: passei a sofrer de fragilidade pulmonar. Pequenas pneumonias e pneumotórax repetiam-se em um mesmo ano. Mesmo assim, conheci Elizabete, nos casamos e eu fui para minha aventura: formar uma família e dar a ela o melhor que eu pudesse.
             
Como profissional autônomo, trabalhava dia e noite, desconhecia domingos e feriados, não tirava férias, pois desejava chegar aos trinta anos com a base formada: os três filhos desejados e uma casa para morar.  Não me esqueci de Deus, cursava teologia com o desejo de conhecer mais sobre Deus, enquanto construía uma estrada para longe da vontade dele.
              
Foi aos 27 anos que entendi uma coisa: minha saúde não me garantia mais que três anos de vida e sem pestanejar disse a Bete que ela se preparasse para criar nossos filhos sem minha presença. Isto me fez trabalhar ainda mais, pois tinha que deixar tudo arrumado na minha partida.
             
Aos trinta anos, depois de rejeitar uma proposta de viajar com família, pois tinha que trabalhar, fui acometido de um rompimento alveolar, sem precedentes, o que me levou ao que seria uma breve internação hospitalar. Considero esse período como “o caminho que desce para a casa do oleiro”. Ali, deitado no quarto andar do Hospital de Base de Brasília, enfermaria 406, leito 2, eu finalmente parei para ouvir o que Deus tinha para me dizer. Ele bem que falou várias vezes antes, mas como eu não tinha tempo para ouvi-lo, por amor inexplicável Ele me preparou um lugar e um tempo para tratar comigo e o que Ele me disse mudou minha história, tanto no tempo, quanto no propósito.

Ensino da primeira lição: “Eu sei, ó Senhor que não é do homem o seu caminho, nem é do homem que caminha o dirigir os seus passos. Corrige-me, ó Senhor, mas com medida, não na tua ira, para que não me reduzas a nada” Jr 10. 23-24
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Pastores sem ovelhas



Jesus narra, no Evangelho de Lucas, a parábola de um pastor que apascentava cem ovelhas e uma desgarrou-se.

Tal fato gerou, no pastor, uma atitude altruísta: foi pelo deserto em busca da ovelha que se perdera, e só deu a missão por acabada quando a ovelha estava acolhida no seio do rebanho. Ele estava cumprindo a sua vocação, cuidar de ovelhas. Fora chamado e treinado para isso, portanto não poderia fugir à responsabilidade. 

Responsabilidade, segundo o escritor do Monge e o Executivo, é responder com habilidade aos fatos ocorridos. Não basta agir, tem que agir com habilidade, isto é, com todos os recursos inerentes a quem recebeu habilitação, por isso, conferir o título a alguém, pressupõe que ele recebeu informação, treinamento e foi avaliado quanto a ter responsabilidade.
            
Isto me chama a atenção no que se refere ao ministério pastoral, pois temos hoje muitos pastores sem ovelhas. Não estão cuidando de ninguém. Possuem títulos, mas não possuem ovelhas. Não cuidam de ninguém, não têm graça para ir ao deserto, persistência na busca da ovelha e nem ombro para carregá-la, talvez pelo fato de termos inferido que o ministério pastoral é a arte de pregar, dirigir igreja e não um chamado divino para cuidar de pessoas para que não se percam e, caso se percam, possam ser resgatadas.
            
Jesus compadeceu-se de ver ovelhas sem pastor, hoje ele se compadece de ver pastores sem ovelhas. São credenciados, mas sem identidade pastoral. Conforme Ezequiel 34.4 “pastorear é fortalecer os fracos, sarar os doentes, ligar os fraturados, reunir os desgarrados e buscar a ovelha que se perdeu”.
             
Se não o fazem, é por pelo menos duas razões: não foram chamados ou não foram equipados para tal.
             
Nossos púlpitos às vezes mostram cenas patéticas, pastores cujo ministério  justifica-se apenas pelas cadeiras pomposas que ocupam. Com isto criamos um fenômeno: em lugar de pastores de cem ovelhas, temos pastores sem ovelhas.
             
Que Deus nos faça pastores conforme Jeremias 3.15: “dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e inteligência”.

Walter da Mata
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Fabricante de Correntes


Esta é mais uma das estórias que ouvi de meu pai. Não sei onde ele a ouviu, mas me levou à reflexão. Conta-se que um ferreiro especializou-se em fabricar correntes para uso em um presídio; suas correntes eram à prova de fuga e garantiam a punição dos encarcerados. Quem estivesse preso por uma de suas correntes pagava a pena até o último instante, pois cada elo mantinha em sua têmpera a segurança do aprisionado.
             
Isto era razão de orgulho ao artesão da metalurgia, pois era conhecido em toda a comunidade e honrado em cada sentença de aprisionamento, até que um dia o infortúnio da vida caiu sobre ele, sua transgressão o condenou a uma longa pena, aprisionado em suas próprias correntes.
           
Ao contemplar os grilhões que lhe prendiam os pés, sentindo a dor do cerceamento da liberdade, esforçou-se para romper um dos elos da corrente que lhe colocaria em liberdade. Seu esforço foi inútil, suas correntes o mantiveram preso por muito tempo e, depois de livre, refletiu: “se soubesse que um dia estaria preso por minhas próprias correntes, eu as teria feito com elos menos resistentes.”
            
 Fiquei pensando sobre as correntes que construímos para manter as outras pessoas sem liberdade. Seus pequenos ou grandes erros tornam-se imperdoáveis para nós. Nossa alma torna-se uma indústria de correntes com as quais mantemos pessoas no cativeiro das emoções. Correntes compostas pelos elos do orgulho, falta de graça em perdoar, egoísmo, insensibilidade, rigidez, intransigência, manipulação, indiferença, legalismo, controle, medo, soberba, religiosidade e hipocrisia da inerrância.
            
Só entendemos o poder desta corrente no dia de nosso infortúnio. É quando falhamos vergonhosamente e ficamos presos às nossas próprias armadilhas, desejando que os elos que nós mesmos construímos tivessem alguma flexibilidade, o suficiente para deixarem de ser correntes de um grilhão, e se tornassem gonzos de porta que se abre para o perdão. Foi isso que aconteceu ao discípulo Pedro, antes e depois da negação do mestre. Estava preso em sua própria corrente e agora precisava do perdão.
            
Que Deus nos ajude a ter um coração firme nos valores espirituais e flexível diante da desgraça humana, pois assim, não existirão mais correntes.

Walter da Mata

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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Eu e Meus Bichos II - Bem-te-Vi


O amanhecer era festivo sob as luzes dos refletores da subestação de energia elétrica em minha cidade de  Sobradinho. Milhares de mariposas e besouros que celebravam a vida antes do sol raiar, serviam de banquete a um grande número de aves, entre pardais, bem-te-vis, pássaros preto e outros,  que apenas precisavam discernir entre os insetos, qual seria o  apetitoso.

Meu pai, pastor Francolino, um observador da natureza, que celebrava  àquelas cenas em seus plantões noturnos, me repassou o fato em que um bem-te-vi, em especial, chamou-lhe a atenção. Depois de comer algumas mariposas, o bichinho parece ter sido despertado por um desejo maior e partiu com toda gana para engolir um besouro grande e cascudo. Sem medir as conseqüências,  segurou o bicho no bico e com muita perícia o fez descer pescoço abaixo. Parecia  resolvido matar sua fome em uma só empreitada.

Pouco depois, lá estava nosso bem-te-vi sofrendo. O besouro se recusava ser digerido, voltava pescoço acima, numa tentativa de recobrar eu direito de viver. Por sua vez, nosso resoluto bem-te-vi esforçava-se e o devolvia para ser processado em seu intestino. O sofrimento do bem-te-vi foi demorado, pois as manobras, dele e do besouro, se repetiram por um bom tempo. Em tom jocoso, meu pai dizia: “larga isso, não estás vendo que engolistes algo bem maior que sua capacidade de digestão?” Como as linguagens eram diferentes, não conseguiu persuadir o pobre bem-te-vi, que ainda no meio da luta, levantou vôo para fora do alcance dos olhos de meu pai.

Ficamos sem saber o final da história, mas ela me lembra muita gente que se julgando esperta, busca atalhos para a vida. Quer resolver tudo de uma vez, quer viver o futuro, hoje, em lugar de construí-lo com um passo de cada vez. Gente que não tem a paciência de viver cada dia com suas venturas e desventuras, com os deveres ordinários  que nos obrigam a disciplina de cumprir o dever antes do desfrute do prazer, gente que pensa na aposentadoria, sem ao menos ter entrado no mercado de trabalho, lança-se ao prazer do sexo sem as responsabilidades inerentes ao ato sexual,  envolve-se em casos extraconjugais, enriquecimento fraudulento, enfim, gente que  busca o prazer antecipado. Gente assim considera como otário quem vai digerindo pequenas “mariposas”, pois, seus olhos brilham e não resistem a um grande “besouro”.

A vida está cheia de pessoas assim, em algum momento se lançaram em busca da satisfação, sem medir as conseqüências e hoje vivem lutando, no mundo das emoções, com um “besouro” que se recusa a ser digerido, sofrem física, espiritual e emocionalmente, carregam culpa e as noites da alma  são assustadoras.
           
Do nosso bem-te-vi, não sabemos como a história terminou, mas, para mim e para você, existe uma saída: sair da negação, buscar em Deus arrependimento e confissão em um pequeno grupo de outros “pássaros” que como nós, em algum momento, engoliram besouros cascudos, afinal, todos os dias eles cruzam o nosso caminho e quem nunca vacilou e  engoliu um “besouro”.

Não saia por aí voando, pois você não vai longe, sem antes se libertar dos entraves da alma, venha celebrar a nova vida, venha deixar seus besouros no pequeno grupo do Celebrando a Nova Vida.

Nossa caminhada do Celebrando a Nova Vida acontece todas as sextas-feiras, às 20hs, na Manancial.

Walter da Mata

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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Silêncio I

 
Boas razões existem para ficarmos em silêncio. O livro de provérbios dá uma boa dica sobre o tema: "O tolo calado passa por sabido." Aqui a prudência do silêncio é exaltada. Quem nunca se arrependeu de não ter ficado calado em alguma circunstância?  Não é sem razão o provérbio chinês: “a palavra e a flecha lançada não podem voltar atrás”. Porém, nem todo silêncio é expressão de sabedoria, muitas vezes é a manifestação de covardia, omissão, ódio, cumplicidade e conveniência.

O que dizer do pacto de silêncio dos filhos de Jacó, depois de terem conspirado e vendido José aos ismaelitas? Com certeza muito peso emocional e dor foram carregados por anos, a fim de sustentar um silêncio acusatório por terem eliminado o irmão do contexto familiar e de terem urdido uma trama mentirosa junto ao patriarca Jacó. José era mais presente na vida daqueles homens do que quando estava entre eles; tornara-se um fantasma nas emoções e sonhos deles. A bíblia não relata todas as conseqüências que eles experimentaram até o dia do reencontro com José e com eles mesmos, mas penso que isso teria empurrado o líder Judá para um envolvimento com uma mulher cananéia e mais tarde comprometendo-se ainda mais com relações ilícitas, pois “um abismo chama outro abismo”.  A bíblia lembra: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” Pv 28.13
           
Encontrá-lo vivo depois de muitos anos, encarar os erros diante de José, de Jacó, de suas esposas e filhos, pelo menos, removeu o fantasma da mentira guardada a sete chaves e eles puderam descer aliviados à sepultura. Deve ter sido uma linda reunião de confissão coletiva, os dez irmãos, um de cada vez, quebrando o silêncio e confessando, perdoando e sendo perdoados. Com a história passada a limpo, José beijou a cada um de seus irmãos, as lágrimas agora eram bem diferentes daquelas derramadas quando José foi manietado e entregue aos ismaelitas.
             
A bíblia diz assim: “E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele.” Gn 45.15 e José “lhes falou ao coração” Gn 50.21
           
Só existe uma quebra total do silêncio quando as palavras não saem apenas da boca, mas do coração, e movidas pelo arrependimento, ultrapassam os limites dos tímpanos e conseguem chegar ao coração do outro. A isto, Larry Crabb, denomina de conexão, dança da alma, balé movido pela canção do Espírito Santo.
           
Quanta gente perturbada, sem paz, ferindo outras, acrescentado mal sobre mal, vivendo e impondo uma rigidez doentia, um perfeccionismo que afugenta, pelo simples fato de manter silêncio sobre as feridas da alma, por não encontrar ou não querer caminhar em um pequeno grupo de restauração da alma.
           
Que Deus nos ajude a ouvir a canção divina no meio de um mundo onde os silêncios precisam ser quebrados pelo arrependimento, confissão e restituição, pois sustentá-los tem produzido muito barulho no mundo das emoções.

Walter da Mata
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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Eu e os meus bichos

O tatu-bola só existe na fauna brasileira e, por não cavar com a mesma habilidade que os outros, é o mais ameaçado. Para defender-se dos predadores, ele se enrola na forma de uma bola criando uma blindagem com seu casco, assim seu corpo não é tocado. 

Os mecanismos de defesa estão presentes em todas as espécies:


  • O porco-espinho: pêlos rígidos formam uma armadura com espinhos de até 10cm;
  • O gambá: Quando se sente ameaçado o gambá expele um líquido fétido, produzido por glândulas axilares;
  • As serpentes: usam suas presas afiadas e têm veneno sempre pronto para inocular;
Nos humanos, os mecanismos de defesa aparecem das mais diversas formas, às vezes nos assemelhamos ao porco espinho e usamos nossas palavras ou nossa indiferença para manter os outros afastados, ou pelo menos em uma distância segura.  Outras vezes, nos comportamos como um gambá e expelimos mau cheiro de nossa rigidez, ira, amargura e nosso mau humor, deixando clara a mensagem: não se aproximem. Não raro, imitamos as serpentes, pois inoculamos veneno em quem se aproxima e quando não os matamos, os deixamos lesionados. 

Mas o tatu-bola, por ser uma espécie dócil, tem maior número de imitadores entre os humanos, ainda bem! Vivemos em um mundo de pessoas blindadas, que possuem uma armadura emocional para que ninguém lhes chegue ao coração, vivem com medo de serem descobertas em seu verdadeiro eu. Seus relacionamentos são superficiais ou funcionais, nunca chegam a abrir o coração, falam do time preferido, de política, da igreja, de sua espiritualidade, das últimas bênçãos recebidas, dos problemas dos outros, de suas últimas conquistas, mas nunca de seus insucessos, fracassos e dores. Talvez nunca chorem na presença de outrem. Chegam a participar de um pequeno grupo, porém, são frias, evasivas e nunca se deixam conhecer. 

São pessoas que têm um mundo interior a proteger, sejam por pecados que julgam inconfessos, feridas que, por não terem sido tratadas, se negam a cicatrizar, rigidez familiar, expectativa pessoal inatingível, coração endurecido por maus-tratos na família, decepção com figuras de autoridade e muitas outras causas. O fato é que pessoas assim vivem rolando de um relacionamento para outro, fugindo como quem foge de um predador, tão logo percebam que a aproximação lhes está rompendo a armadura.  Parece que nada pode lhes chegar ao coração.

Ouça, nesta paráfrase, as palavras de Salomão: “Descobri uma coisa que não vale à pena: passar pela vida ajuntado bens, casando, gerando filhos, conhecendo pessoas, mas não tendo intimidade de alma com ninguém. Pois nas quedas inevitáveis, a auto-suficiência o impedirá de pedir socorro e nas noites frias da alma, ninguém vai estar lá para te ouvir, pois seu coração é mudo.  Os seus sucessos serão solitários, ou se alguém vier celebrar contigo, não é por sua causa, mas apenas pelas coisas  que você ajuntou.”
              
À luz do texto de Hebreus 4:12,  faça uma oração pedindo a Deus para que, por meio da leitura regular da Bíblia, sua blindagem seja rompida e Ele possa chegar ao seu coração por meio de outras pessoas tão imperfeitas como você.

                                                                                                                Walter da Mata
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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que me assombra?



O assunto da atualidade que faz qualquer evangélico polemizar é, sem dúvida, a lei da homofobia. Cada um tem o seu ponto de vista e faz dele a única verdade. Por esse tema, políticos sem ética são eleitos, bons políticos ficaram fora do parlamento, pastores se acovardam, outros falam do que não entendem, formam-se seguimentos GLS dentro do bojo evangélico, programas medíocres de TV ganham audiência, o governo revela sua face hipócrita, pois fala de defesa da família enquanto apóia e estimula leis que destroem os fundamentos da mesma.
           
Confesso não estar perturbado com o tema. Esta não é a primeira lei anti bíblica e não será a última, mas uma coisa é fato: o pecado não é algo que seja definido pelo “santo” Congresso Nacional. Penso que a intenção mais profunda é o desejo de interditar a Bíblia, pois ela incomoda nosso estilo iníquo de fazer política. Os políticos nos compram e nós nos vendemos. Talvez a frase que melhor define essa discussão está no perfil do Twitter chamado Leonardo Oliveira, que se identifica em inglês como Marido, pai e pastor. Ele "twittou" assim: "Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania."
           
Enquanto igreja, o que me assombra não é a lei da homofobia, mas a nossa apostasia, pois temos mais temor pelas leis dos homens e quase nenhum pelas leis de Deus.  A apostasia corrói a igreja em sua base, pois nosso credo e nossa pregação nada tem a ver com nosso estilo de ser igreja, pastorear, liderar, aplicar os recursos financeiros, fazer sucessão pastoral, ordenar novos obreiros, criar convenções, abrir novas igrejas, de namorar, casar, negociar, enfim, fazemos em nosso gueto evangélico as mesmas práticas de nossa casa parlamentar, com a agravante que as fazemos sob o falso argumento da “direção de Deus”. Isto sim, me assombra e me tira o sono.
           
Zacarias, profeta da restauração, foi desafiado a fazer o papel de um pastor insensato e parece estar interpretando nossos dias, pois ali se descreve muito mais um predador, que um pastor: “... ele não vai se preocupar com as ovelhas que estiverem em perigo, não vai tratar das machucadas, nem vai cuidar das que estiverem cansadas. Pelo contrário, comerá a carne das gordas e não deixará nem mesmo os cascos” (10.16 NTLH)
           
Não tenho preocupação se nossa casa parlamentar vai nos proteger, aliás, é triste ver a igreja de Jesus Cristo, a instituição mais poderosa da terra, diante de quem “nem as portas do inferno prevalecem”, se curvando às negociatas, para sentir-se protegida, pois entendo que, quanto mais protegida pelo Estado, mais apóstata ela se torna. A história não me deixa mentir.

Walter da Mata
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