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sábado, 29 de janeiro de 2011

Confesso que fracassei!


Não me esqueço da insistência de Deus em me conduzir ao ministério pastoral. A idéia de ser pastor não me atraía, o que me atraía era a Palavra, pois comecei a estudar a Bíblia de modo intencional aos doze anos de idade.

Por mais que eu olvidasse, a voz de Deus apresentava-se cada vez mais viva. Mesmo assim fiz minha rota de fuga, seria um profissional secular e apoiaria o reino de Deus ajudando uma igreja local no ministério do ensino, pois sou apaixonado por aprender. Foi deitado no leito hospitalar que fiz minha rendição ministerial.

Dentro de pouco tempo, lá estava eu, pastor de uma igreja. Já se passaram 24 anos. Naquela época eu tinha dúvidas sobre ter ou não o perfil pastoral. Hoje tenho certeza que não. Pelo menos nos atuais indicadores de sucesso. Neste período, perdi um colega pastor para a diabetes; outro de parada cardíaca; outro luta com a coronária obstruída; fui a funerais de muitos pastores da denominação; visitei membros hospitalizados; fiz muitos sepultamentos; apoiei casais em crise; chorei diante de divórcios; não atraí milionários para lista dos membros da igreja; assisti impotente, alguns problemas evoluírem de agudos para crônicos e, muitas vezes, não percebi a mão de Deus fazendo as curas que eu julguei tão necessárias. Aqui, sou um fracasso

Na igreja que sou pastor tem sofrimento, doença crônica, famílias disfuncionais, perversões sexuais, pessoas precisando de apoio alimentar, mentira, avareza e outras manifestações das obras da carne. Fracassei de novo.

Parece que existe um paraíso eclesiástico que eu nunca conheci: Igrejas onde Deus é obrigado a curar todas as enfermidades, portanto, o pastor não faz visita hospitalar e nem funeral, já que ninguém é internado e nem morre por excesso de saúde. Não existem cestas alimentares para apoiar os carentes, pois todos são prósperos e também não precisa de ministério de aconselhamento e restauração, pois todos os males são exorcizados no “corredor dos ossos de Eliseu”. Aqui fracassei de novo.

Lá no púlpito só existe sucesso. Eles nunca choraram no púlpito ou as ocultas, como eu chorei, vivendo a dor de um filho preso às drogas. Por misericórdia Deus o libertou. Mas esse não é um ponto positivo em um pastor de sucesso. Outro fracasso.

Será que não vi Deus agir nesses mais de vinte anos de pastorado? Claro que vi. Temos pessoas na igreja que são testemunhas vivas do poder transformador de Jesus. Temos muitos ex: drogados, alcoólatras, pervertidos e outros.  Temos casamentos sólidos, jovens comprometidos, parcerias com quatro frentes missionárias, pessoas que voluntariamente contribuem com seus dízimos e ofertas, instalações modestas e uma boa administração. Nem por isso fiquei rico. Mais um fracasso.

Se tivesse a oportunidade de mudar meus valores para desfrutar de um modo “próspero” de ser pastor, fracassaria de novo, pois diria não.

Diante de tanto fracasso, talvez a frase de minha lápide será: Aqui jaz o sucesso do fracasso.

Walter da Mata
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Coisas de Menino

Quando adolescente entrei em contato com as estórias dos Invencíveis Gauleses. Seus ícones: Obelix, Asterix e o famoso druida Panoramix, conhecedor único da porção mágica que tornava os guerreiros indestrutíveis. O lema de um bom gaulês era: “só tenho medo que o céu caia sobre minha cabeça.”

Eram contos hilários que satirizavam o poderoso Império Romano que mesmo com seu poderoso exército não conseguia vencer os gauleses. César tinha ataques de pânico quando ouvia falar da Gália. Um dia, um dos conselheiros disse a César que sabia como derrotar os, até então, invencíveis gauleses.

Foi-lhe apresentado um homem desprezível quanto à estatura, força, beleza e habilidades bélicas, fato que irritou muito o imperador: como alguém tão insignificante pode vencer uma tribo que meus poderosos legionários tremem só de ouvir falar? Seu conselheiro pede vênia, e apresenta sua arma secreta: origem: Cizânia. Habilidade principal: semear contenda entre os pares, sejam líderes, casais e até no alto comando.

Foi assim que o infiltraram, disfarçado de um pobre comerciante de bugigangas orientais e em pouco tempo o clima de conspiração estava instalado na aldeia gaulesa. Desapareceu a confiança, união, os inseparáveis Obelix e Asterix estavam intrigados e a tribo tornou-se vulnerável, culminando com uma batalha interna. Foi nesse momento que Roma atacou impondo uma derrota entre os até então invencíveis.

Agora, deixemos as coisas de menino e vejamos Provérbios 6.14-19 (NVI): 
"O perverso não tem caráter. Anda de um lado para o outro dizendo coisas maldosas; pisca o olho, arrasta os pés e faz sinais com os dedos; tem no coração o propósito de  enganar; planeja sempre o mal e semeia discórdia. Por isso a desgraça se abaterá repentinamente sobre ele; de um golpe será destruído, irremediavelmente. Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos."

Olhos altivos: alguém que se sente superior aos outros. Fp 2.3
Língua mentirosa: cria fatos sobre as pessoas. Filho do pai. Jo 8.44
Mãos que derramam sangue inocente: leva o inocente à morte. I Jo 3.15
Coração que traça planos perversos: age com segundas intenções. II Sm 16. 1-4
Pés que se apressam para fazer o mal: é ágil em fazer uma desgraça. Físico ou verbal.
Testemunha falsa que espalha mentiras: diz que viu e ouviu, sem ser verdade.
Aquele que provoca discórdia entre irmãos: transita bem entre os irmãos, enquanto espalha discórdia.
Esse último, com certeza veio da “cizânia”, é mestre em cisão e tem a capacidade de enfraquecer igrejas, promover cisões, separar irmãos usando a arma de destruição mais poderosa da terra: a língua. Não tenha dúvida: “a desgraça se abaterá repentinamente sobre ele; de um golpe será destruído, irremediavelmente.” (vs 15)

 Como podemos notar, isso não é coisa de menino. É nitroglicerina. “Sem lenha, o fogo se apagará; e não havendo intrigante, cessará a contenda”. (Provérbios 26:20)

Lição: A intriga e a discórdia anulam até poderes especiais.

Walter da Mata
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

CASA ABANDONADA


         O templo de Jerusalém estava com a obra paralisada. As muitas intrigas entre os povos da terra e o rei da Pérsia resultaram em suspensão da reconstrução por parte de Zorobabel e sua equipe.
         Tal fato deveria resultar em oração, jejum e clamor por uma intervenção divina contra os opositores, mas não foi isso que aconteceu, pelo contrário, as pessoas acomodaram-se e voltaram-se para seus próprios interesses. Suas casas foram ampliadas com luxo, seus campos expandiram-se, ficando notória a prosperidade dos moradores de Jerusalém, mas Ageu os convida a  refletirem sobre um detalhe muito intrigante: a prosperidade não trouxe a satisfação esperada.
  • Semearam muito, mas a colheita não dava para matar a fome;       
  • Comiam, mas não se saciavam;
  • Vestiam-se, mas continuavam com frio;
  • O pagamento entrava, mas era como se o bolso estivesse furado;
  • O muito nunca bastava, sempre havia uma necessidade a mais.
           O profeta faz o diagnóstico do paradoxo econômico: a insatisfação tinha sua origem na falta de investimento na casa do Senhor. Como o que era de Deus ficava retido, Deus soprava uma necessidade que arrebatava para longe o recurso trazido para casa e isso impedia a satisfação. (1.9) Isto parece com a historia vivida por muitos membros das Igrejas: quanto mais ganha, mais falta.
           Ageu desafia o investimento. Trazei madeira. Minha é a prata e o ouro. O povo atendeu e Deus lhes deu satisfação.
          O profeta lembra que, antes de obedecer, o povo esperava muito e levava pouco (2.15-16), mas agora, com a casa do Senhor abastecida pela contribuição de cada um, olhe só a promessa de Deus: “Mesmo que não haja trigo nos depósitos, mesmo que as parreiras, figueiras, as romãzeiras e as oliveiras não tenham produzido nada, de hoje em diante eu os abençoarei”.
             A mensagem de Deus é: seu sustento e sua satisfação vêm de mim!
             Que a prosperidade pessoal reflita na prosperidade da Igreja, lembrando que nossa satisfação vem de Deus e não do quanto ganhamos, pois é a benção do Senhor que enriquece!

Para refletir:
1- Você conhece alguém que recebe pouco em salário, mas investe com regularidade na casa do Senhor e por isso desfruta de satisfação?
2- Você conhece alguém que recebe salário significativo, mas retém o que é de Deus e seus recursos nunca lhe dão satisfação?


Walter da Mata    
AD. Manancial - Sobradinho -DF
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