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sexta-feira, 18 de março de 2011

Lírios Nascem e Florescem na Lama


Você acredita em sacerdote? A pergunta foi feita em  pesquisa nas aldeias de Israel, desde Dã, ao norte, a Berseba, ao sul, no final do período dos Juízes. O resultado foi  que pelo menos 80% dos entrevistados não confiavam no sacerdócio, naqueles dias representado por Eli e seus filhos Hofni e Finéias.

Eram dias difíceis para o ministério sacerdotal, pois estes homens em nada lembravam  o antigo  sacerdote  Finéias, neto de Arão, que num gesto de bravura santa, eliminou um Israelita profano, na crise de Baal-Peor (Nm 25), tornando-se referencial de zelo pelo Senhor. Pelo contrario, os filhos de Eli conduziam uma procissão pecaminosa: profanavam o sagrado, tiravam para si a parte da oferta que não lhes pertencia, tomavam à força parte da oferta ao Senhor, se envolviam sexualmente com mulheres que serviam na porta da Tenda da Congregação e tratavam com desprezo as ofertas à Deus.

Entendo que as práticas de Hofni e Finéias não tinham o propósito de ofender a santidade de Deus, pois para eles, ela não existia. O texto de 2.12 de I Sm, diz que eles “eram filhos de Belial e não conheciam o Senhor”, portanto, a pratica do pecado no ritual do culto a Javé, em nada os incomodavam, pois o que é santo só tem valor para o piedoso.

Aqui surgem perguntas perturbadoras:

•    Porque os filhos de um sacerdote nunca chegaram a conhecer o Senhor?
•    Porque mesmo assim exerciam o sacerdócio?
•    Porque os adoradores do templo suportavam tamanha contradição?
•    Porque Deus não interveio como o fez nos dias de Nadabe e Abiú?

Não vou tentar responde-las, mas percebo Deus gestando um novo momento na história, por meio da vida de pessoas que, apesar de tudo, sobem regularmente para adorar e sacrificar ao Senhor. Não acreditavam no sacerdote, mas conheciam o Senhor a tal ponto de desejarem que seus filhos viessem a exercer função sacerdotal.

Foi no charco da podridão sacerdotal que floresceu um lírio como sinal de esperança: Samuel. Veio como fruto de um casal de que caminhava regularmente ao templo, adorava, ofertava e acima de tudo, cria no poder da oração. Samuel foi ensinado em uma “teologia” bem diferente da dos filhos de Eli, isto se percebe na oração de Ana, sua mãe, ao declarar que Deus é:

•    Senhor dos Exércitos 1.11
•    Santo – “Não há Santo como o Senhor” 2.2
•    Único – “Não há outro além de ti” 2.2
•    Senhor da vida – “O Senhor é quem tira a vida e a dá” 2.6
•    Soberano - “O Senhor empobrece e enriquece, abate e exalta”
•    Poderoso – “Tira do pó para herdar um trono de glória” 2.8

O resultado da oração e do conhecimento de quem Deus é, fez de Samuel líder incontestável em Israel: “E todo Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor” 3.20
Diante do descrédito do sacerdócio em nossos dias e de alguns “filhos de Belial” liderarem igrejas, desafio você para oração com base em quem Deus é, e aguardar Deus agir, pois “os lírios nascem na lama”. 

Walter da Mata
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quarta-feira, 9 de março de 2011

História de Pescador - Parte II

O pescador, Joel.

Estávamos descansando de uma jornada de barco vazio. Os pontos já conhecidos por sucesso, não nos deram nenhum peixinho para o almoço, mas como somos pescadores prevenidos, não ficamos sem alimento. Hélio, nosso “chefe de cozinha”, havia preparado um contrafilé acebolado, capaz de derrubar o mais valente dos pescadores, o Joel.

Após a modorra do almoço, a voz do Joel, nosso “capitão do mato”, despertou todo mundo: “Só tem um lugar que eu sei que não vai dar peixe algum, é aqui deitado dentro do rancho”. Ele falou assim e foi saindo, reproduzindo a frase que tantas vezes ouvira de seu pai Jerônimo, que fora um amante de pescaria e especialista em piau.  Logo levantamos e estávamos na insistente missão de buscar o peixe.

O lago, o barranco, o barco e as encostas não são lugares de conforto, há sempre o sofrimento prazeroso de estar lá. Após três dias caminhando às margens, ou sentado no barco, nosso corpo denuncia a luta e o sofrimento do pescador: dores nas costas, ferroadas de mosquitos e mutucas, pernas arranhadas por espinhos, canseira e, normalmente, alguma marca de anzol em alguma parte do corpo.

Penso que foi considerando essas condições adversas do pescador que Jesus disse que seus seguidores seriam transformados em pescadores de homens. Mt 4.19. Ele disse a dois experientes pescadores: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”.
Quem se dedica a obra de evangelização, pescar homens para Deus, precisa entender algumas lições de pescador:

1-    O peixe não está dentro dos templos, mas lá no meio de águas profundas, na maioria das vezes, sujas, mas, se quisermos pescá-los precisamos sair do “rancho” e ir lá onde os peixes estão. Assim falou Jerônimo.

2-    Não tenha medo da água. Muitas vezes temos que mergulhar para desencalhar o barco ou soltar uma isca especial, ou seja, envolver-se com o ambiente do peixe. Quem tem medo de água nunca vai ser pescador;

3-    Um peixe custa caro, muito caro. Envolve o custo, trabalho, deslocamento e os desgastes físicos. Quem deseja evangelizar tem que fazer algum investimento;

4-     Seja perseverante. Não é todo dia e hora que o peixe está atraído pela isca. Saiba esperar o momento do peixe, exerça a paciência e ele virá;

5-    Demonstre inteligência, aprenda com que já está pescando. Seja ensinável;

6-    Reconheça que um peixe fisgado, por menor que seja, vale mais que “aquele enorme que escapuliu”. Valorize as pequenas respostas;

7-    Mesmo que não tenha pegado nada, volte outras vezes, pois aquele que te mandou pescar é o maior interessado em que você alcance algumas pessoas.

Foi com esse sentimento que o Pr. Paulo Macalão, que já findou sua carreira de pescador, compôs estes versos do hino 149 da Harpa Cristã:

O meu barco não é bom,
De pescar não tenho dom.
E me dizem que não devo continuar;
Mas Jesus me quis mandar,
E por isso vou pescar,
Té que Ele se apraze em me chamar.

Vou pescar os pecadores para Cristo,
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p’ra o Senhor


Walter da Mata
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