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quarta-feira, 9 de março de 2011

História de Pescador - Parte II

O pescador, Joel.

Estávamos descansando de uma jornada de barco vazio. Os pontos já conhecidos por sucesso, não nos deram nenhum peixinho para o almoço, mas como somos pescadores prevenidos, não ficamos sem alimento. Hélio, nosso “chefe de cozinha”, havia preparado um contrafilé acebolado, capaz de derrubar o mais valente dos pescadores, o Joel.

Após a modorra do almoço, a voz do Joel, nosso “capitão do mato”, despertou todo mundo: “Só tem um lugar que eu sei que não vai dar peixe algum, é aqui deitado dentro do rancho”. Ele falou assim e foi saindo, reproduzindo a frase que tantas vezes ouvira de seu pai Jerônimo, que fora um amante de pescaria e especialista em piau.  Logo levantamos e estávamos na insistente missão de buscar o peixe.

O lago, o barranco, o barco e as encostas não são lugares de conforto, há sempre o sofrimento prazeroso de estar lá. Após três dias caminhando às margens, ou sentado no barco, nosso corpo denuncia a luta e o sofrimento do pescador: dores nas costas, ferroadas de mosquitos e mutucas, pernas arranhadas por espinhos, canseira e, normalmente, alguma marca de anzol em alguma parte do corpo.

Penso que foi considerando essas condições adversas do pescador que Jesus disse que seus seguidores seriam transformados em pescadores de homens. Mt 4.19. Ele disse a dois experientes pescadores: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens”.
Quem se dedica a obra de evangelização, pescar homens para Deus, precisa entender algumas lições de pescador:

1-    O peixe não está dentro dos templos, mas lá no meio de águas profundas, na maioria das vezes, sujas, mas, se quisermos pescá-los precisamos sair do “rancho” e ir lá onde os peixes estão. Assim falou Jerônimo.

2-    Não tenha medo da água. Muitas vezes temos que mergulhar para desencalhar o barco ou soltar uma isca especial, ou seja, envolver-se com o ambiente do peixe. Quem tem medo de água nunca vai ser pescador;

3-    Um peixe custa caro, muito caro. Envolve o custo, trabalho, deslocamento e os desgastes físicos. Quem deseja evangelizar tem que fazer algum investimento;

4-     Seja perseverante. Não é todo dia e hora que o peixe está atraído pela isca. Saiba esperar o momento do peixe, exerça a paciência e ele virá;

5-    Demonstre inteligência, aprenda com que já está pescando. Seja ensinável;

6-    Reconheça que um peixe fisgado, por menor que seja, vale mais que “aquele enorme que escapuliu”. Valorize as pequenas respostas;

7-    Mesmo que não tenha pegado nada, volte outras vezes, pois aquele que te mandou pescar é o maior interessado em que você alcance algumas pessoas.

Foi com esse sentimento que o Pr. Paulo Macalão, que já findou sua carreira de pescador, compôs estes versos do hino 149 da Harpa Cristã:

O meu barco não é bom,
De pescar não tenho dom.
E me dizem que não devo continuar;
Mas Jesus me quis mandar,
E por isso vou pescar,
Té que Ele se apraze em me chamar.

Vou pescar os pecadores para Cristo,
Neste mundo cheio de horror;
Não mais desanimarei;
Minha rede lançarei;
Muitos peixes apanhando p’ra o Senhor


Walter da Mata
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