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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O que me assombra?



O assunto da atualidade que faz qualquer evangélico polemizar é, sem dúvida, a lei da homofobia. Cada um tem o seu ponto de vista e faz dele a única verdade. Por esse tema, políticos sem ética são eleitos, bons políticos ficaram fora do parlamento, pastores se acovardam, outros falam do que não entendem, formam-se seguimentos GLS dentro do bojo evangélico, programas medíocres de TV ganham audiência, o governo revela sua face hipócrita, pois fala de defesa da família enquanto apóia e estimula leis que destroem os fundamentos da mesma.
           
Confesso não estar perturbado com o tema. Esta não é a primeira lei anti bíblica e não será a última, mas uma coisa é fato: o pecado não é algo que seja definido pelo “santo” Congresso Nacional. Penso que a intenção mais profunda é o desejo de interditar a Bíblia, pois ela incomoda nosso estilo iníquo de fazer política. Os políticos nos compram e nós nos vendemos. Talvez a frase que melhor define essa discussão está no perfil do Twitter chamado Leonardo Oliveira, que se identifica em inglês como Marido, pai e pastor. Ele "twittou" assim: "Vivemos uma era de homofobia e teofobia, uma época de grupos discutindo não a liberdade, mas quem terá o privilégio de exercer a tirania."
           
Enquanto igreja, o que me assombra não é a lei da homofobia, mas a nossa apostasia, pois temos mais temor pelas leis dos homens e quase nenhum pelas leis de Deus.  A apostasia corrói a igreja em sua base, pois nosso credo e nossa pregação nada tem a ver com nosso estilo de ser igreja, pastorear, liderar, aplicar os recursos financeiros, fazer sucessão pastoral, ordenar novos obreiros, criar convenções, abrir novas igrejas, de namorar, casar, negociar, enfim, fazemos em nosso gueto evangélico as mesmas práticas de nossa casa parlamentar, com a agravante que as fazemos sob o falso argumento da “direção de Deus”. Isto sim, me assombra e me tira o sono.
           
Zacarias, profeta da restauração, foi desafiado a fazer o papel de um pastor insensato e parece estar interpretando nossos dias, pois ali se descreve muito mais um predador, que um pastor: “... ele não vai se preocupar com as ovelhas que estiverem em perigo, não vai tratar das machucadas, nem vai cuidar das que estiverem cansadas. Pelo contrário, comerá a carne das gordas e não deixará nem mesmo os cascos” (10.16 NTLH)
           
Não tenho preocupação se nossa casa parlamentar vai nos proteger, aliás, é triste ver a igreja de Jesus Cristo, a instituição mais poderosa da terra, diante de quem “nem as portas do inferno prevalecem”, se curvando às negociatas, para sentir-se protegida, pois entendo que, quanto mais protegida pelo Estado, mais apóstata ela se torna. A história não me deixa mentir.

Walter da Mata
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segunda-feira, 16 de maio de 2011

História de Pescador III


Eu gosto de ficar algum tempo esperando que um belo tucunaré se engrace de minha isca, enquanto isso, exerço uma das virtudes da qual sou muito carente: paciência.

Lá estávamos, na Serra da Mesa, em um daqueles dias de desanimar o mais insistente pescador; de um lado do braço do lago estava eu, do outro, meu amigo e irmão Wilson. Peixe que era bom, nada. O braço doía de tantos arremessos e o sol fritava nossos miolos. Finalmente revelei minha impaciência e gritei: Wilson, cadê o peixe? Ele disse jocosamente: o peixe está aí, pastor, é só pegar. Nessa brincadeira respondi: já lancei trezentas vezes e não consegui nada, mas se você que é especialista falou, então vou lançar mais uma vez.

Saí debaixo do arvoredo de descanso e lancei a isca no lago, para minha surpresa, veio um belo tucunaré, lancei de novo e outro, e mais outro. Pulei, gritei, celebrei e logo, Wilson, Joel, Amilton e Manoel estavam ao meu lado e todos tiveram a oportunidade de tirar belos peixes.

Na hora lembrei-me do dia em que Jesus chegou à beira do Lago de Genesaré e Pedro e seus companheiros já estavam arrumando as tralhas, após uma noite infrutífera.  Para complicar mais, Jesus pede a Pedro para afastar um pouco o barco da margem,  para que ele, de dentro do barco, pudesse ensinar a multidão.

Após o ensino, Jesus diz a Pedro para ir para águas mais profundas e lançar as redes. Aquilo foi demais e Pedro reclamou: Trabalhamos a noite toda e nada apanhamos. Agora de rede recolhida e lavada, me dizes para começar de novo e ainda mais, na hora errada? Logo ele completa: “mas segundo a tua palavra, lançarei a rede”. A bíblia diz em Lucas 5, que as redes começaram a romper-se de tantos peixes e seus amigos vieram com outro barco para ajudá-lo.
Algumas lições podem ser apreendidas:

1-    É sempre bom ter alguém perto com a voz encorajadora. Obrigado Wilson. E se esse alguém é Jesus, então tudo é possível. Escute o que Ele está te dizendo;

2-    Situações adversas podem ser revertidas. Creia que, se Jesus está por perto, até mesmo a máxima de que, “contra fatos não há argumento”, pode ser anulada;

3-    Não ande sozinho, você sempre vai precisar de alguém, tanto para lavar as redes em dias de fracasso, como para ajudar a recolher seus peixes no dia do milagre.

4-    Não seja egoísta, tenha parceiros de pescaria, trabalhe em equipe; se insistir em reter só para você, a rede se rompe e todos perdem;

5-    Tenha sempre companheiros a quem recorrer.  Não tenha vergonha de pedir   ajuda  para lavar as redes vazias (momentos de frustração)  e você os terá por perto no momento da celebração;

6-    Dê os méritos a quem de direito. Não é você que sabe das coisas, foi a Palavra de Jesus que transformou tristeza em alegria.

Dedico este texto a todos os meus companheiros de pescaria, de ministério na Manancial e no pastoreio de pastores e esposas.

Walter da Mata
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