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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Eu e os meus bichos

O tatu-bola só existe na fauna brasileira e, por não cavar com a mesma habilidade que os outros, é o mais ameaçado. Para defender-se dos predadores, ele se enrola na forma de uma bola criando uma blindagem com seu casco, assim seu corpo não é tocado. 

Os mecanismos de defesa estão presentes em todas as espécies:


  • O porco-espinho: pêlos rígidos formam uma armadura com espinhos de até 10cm;
  • O gambá: Quando se sente ameaçado o gambá expele um líquido fétido, produzido por glândulas axilares;
  • As serpentes: usam suas presas afiadas e têm veneno sempre pronto para inocular;
Nos humanos, os mecanismos de defesa aparecem das mais diversas formas, às vezes nos assemelhamos ao porco espinho e usamos nossas palavras ou nossa indiferença para manter os outros afastados, ou pelo menos em uma distância segura.  Outras vezes, nos comportamos como um gambá e expelimos mau cheiro de nossa rigidez, ira, amargura e nosso mau humor, deixando clara a mensagem: não se aproximem. Não raro, imitamos as serpentes, pois inoculamos veneno em quem se aproxima e quando não os matamos, os deixamos lesionados. 

Mas o tatu-bola, por ser uma espécie dócil, tem maior número de imitadores entre os humanos, ainda bem! Vivemos em um mundo de pessoas blindadas, que possuem uma armadura emocional para que ninguém lhes chegue ao coração, vivem com medo de serem descobertas em seu verdadeiro eu. Seus relacionamentos são superficiais ou funcionais, nunca chegam a abrir o coração, falam do time preferido, de política, da igreja, de sua espiritualidade, das últimas bênçãos recebidas, dos problemas dos outros, de suas últimas conquistas, mas nunca de seus insucessos, fracassos e dores. Talvez nunca chorem na presença de outrem. Chegam a participar de um pequeno grupo, porém, são frias, evasivas e nunca se deixam conhecer. 

São pessoas que têm um mundo interior a proteger, sejam por pecados que julgam inconfessos, feridas que, por não terem sido tratadas, se negam a cicatrizar, rigidez familiar, expectativa pessoal inatingível, coração endurecido por maus-tratos na família, decepção com figuras de autoridade e muitas outras causas. O fato é que pessoas assim vivem rolando de um relacionamento para outro, fugindo como quem foge de um predador, tão logo percebam que a aproximação lhes está rompendo a armadura.  Parece que nada pode lhes chegar ao coração.

Ouça, nesta paráfrase, as palavras de Salomão: “Descobri uma coisa que não vale à pena: passar pela vida ajuntado bens, casando, gerando filhos, conhecendo pessoas, mas não tendo intimidade de alma com ninguém. Pois nas quedas inevitáveis, a auto-suficiência o impedirá de pedir socorro e nas noites frias da alma, ninguém vai estar lá para te ouvir, pois seu coração é mudo.  Os seus sucessos serão solitários, ou se alguém vier celebrar contigo, não é por sua causa, mas apenas pelas coisas  que você ajuntou.”
              
À luz do texto de Hebreus 4:12,  faça uma oração pedindo a Deus para que, por meio da leitura regular da Bíblia, sua blindagem seja rompida e Ele possa chegar ao seu coração por meio de outras pessoas tão imperfeitas como você.

                                                                                                                Walter da Mata
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2 comentários:

  1. É verdade! Você tem toda razão.
    COnfesso que, como pastor, fiquei me imaginando à semelhança do tatú-bola. Cheguei a pensar que as Convenções deveriam incluir a imagem desse dócil animal em suas logomarcas.
    Obrigado por me incentivar à oração e à leitura da bíblia.

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  2. Pr Beniro comentou por email:
    Outra forma de blindagem que apanha os radicais: "Blindagem espirituosa". Trata-se da forma mais difícil que conheço, pois em nome do próprio Deus se fecham para o acesso divino nas suas mais e melhores formas de comunicação com o homem. Neste caso, o blindado, não aceita outra opinião e nem estar aberto para que seja 'trabalhado'. A maioria não obedece nem a pastores. ------ PR. Beniro

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