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quinta-feira, 23 de junho de 2011

Silêncio I

 
Boas razões existem para ficarmos em silêncio. O livro de provérbios dá uma boa dica sobre o tema: "O tolo calado passa por sabido." Aqui a prudência do silêncio é exaltada. Quem nunca se arrependeu de não ter ficado calado em alguma circunstância?  Não é sem razão o provérbio chinês: “a palavra e a flecha lançada não podem voltar atrás”. Porém, nem todo silêncio é expressão de sabedoria, muitas vezes é a manifestação de covardia, omissão, ódio, cumplicidade e conveniência.

O que dizer do pacto de silêncio dos filhos de Jacó, depois de terem conspirado e vendido José aos ismaelitas? Com certeza muito peso emocional e dor foram carregados por anos, a fim de sustentar um silêncio acusatório por terem eliminado o irmão do contexto familiar e de terem urdido uma trama mentirosa junto ao patriarca Jacó. José era mais presente na vida daqueles homens do que quando estava entre eles; tornara-se um fantasma nas emoções e sonhos deles. A bíblia não relata todas as conseqüências que eles experimentaram até o dia do reencontro com José e com eles mesmos, mas penso que isso teria empurrado o líder Judá para um envolvimento com uma mulher cananéia e mais tarde comprometendo-se ainda mais com relações ilícitas, pois “um abismo chama outro abismo”.  A bíblia lembra: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” Pv 28.13
           
Encontrá-lo vivo depois de muitos anos, encarar os erros diante de José, de Jacó, de suas esposas e filhos, pelo menos, removeu o fantasma da mentira guardada a sete chaves e eles puderam descer aliviados à sepultura. Deve ter sido uma linda reunião de confissão coletiva, os dez irmãos, um de cada vez, quebrando o silêncio e confessando, perdoando e sendo perdoados. Com a história passada a limpo, José beijou a cada um de seus irmãos, as lágrimas agora eram bem diferentes daquelas derramadas quando José foi manietado e entregue aos ismaelitas.
             
A bíblia diz assim: “E beijou a todos os seus irmãos, e chorou sobre eles; e depois seus irmãos falaram com ele.” Gn 45.15 e José “lhes falou ao coração” Gn 50.21
           
Só existe uma quebra total do silêncio quando as palavras não saem apenas da boca, mas do coração, e movidas pelo arrependimento, ultrapassam os limites dos tímpanos e conseguem chegar ao coração do outro. A isto, Larry Crabb, denomina de conexão, dança da alma, balé movido pela canção do Espírito Santo.
           
Quanta gente perturbada, sem paz, ferindo outras, acrescentado mal sobre mal, vivendo e impondo uma rigidez doentia, um perfeccionismo que afugenta, pelo simples fato de manter silêncio sobre as feridas da alma, por não encontrar ou não querer caminhar em um pequeno grupo de restauração da alma.
           
Que Deus nos ajude a ouvir a canção divina no meio de um mundo onde os silêncios precisam ser quebrados pelo arrependimento, confissão e restituição, pois sustentá-los tem produzido muito barulho no mundo das emoções.

Walter da Mata
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