NAVEGUE AQUI

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Eu e Meus Bichos II - Bem-te-Vi


O amanhecer era festivo sob as luzes dos refletores da subestação de energia elétrica em minha cidade de  Sobradinho. Milhares de mariposas e besouros que celebravam a vida antes do sol raiar, serviam de banquete a um grande número de aves, entre pardais, bem-te-vis, pássaros preto e outros,  que apenas precisavam discernir entre os insetos, qual seria o  apetitoso.

Meu pai, pastor Francolino, um observador da natureza, que celebrava  àquelas cenas em seus plantões noturnos, me repassou o fato em que um bem-te-vi, em especial, chamou-lhe a atenção. Depois de comer algumas mariposas, o bichinho parece ter sido despertado por um desejo maior e partiu com toda gana para engolir um besouro grande e cascudo. Sem medir as conseqüências,  segurou o bicho no bico e com muita perícia o fez descer pescoço abaixo. Parecia  resolvido matar sua fome em uma só empreitada.

Pouco depois, lá estava nosso bem-te-vi sofrendo. O besouro se recusava ser digerido, voltava pescoço acima, numa tentativa de recobrar eu direito de viver. Por sua vez, nosso resoluto bem-te-vi esforçava-se e o devolvia para ser processado em seu intestino. O sofrimento do bem-te-vi foi demorado, pois as manobras, dele e do besouro, se repetiram por um bom tempo. Em tom jocoso, meu pai dizia: “larga isso, não estás vendo que engolistes algo bem maior que sua capacidade de digestão?” Como as linguagens eram diferentes, não conseguiu persuadir o pobre bem-te-vi, que ainda no meio da luta, levantou vôo para fora do alcance dos olhos de meu pai.

Ficamos sem saber o final da história, mas ela me lembra muita gente que se julgando esperta, busca atalhos para a vida. Quer resolver tudo de uma vez, quer viver o futuro, hoje, em lugar de construí-lo com um passo de cada vez. Gente que não tem a paciência de viver cada dia com suas venturas e desventuras, com os deveres ordinários  que nos obrigam a disciplina de cumprir o dever antes do desfrute do prazer, gente que pensa na aposentadoria, sem ao menos ter entrado no mercado de trabalho, lança-se ao prazer do sexo sem as responsabilidades inerentes ao ato sexual,  envolve-se em casos extraconjugais, enriquecimento fraudulento, enfim, gente que  busca o prazer antecipado. Gente assim considera como otário quem vai digerindo pequenas “mariposas”, pois, seus olhos brilham e não resistem a um grande “besouro”.

A vida está cheia de pessoas assim, em algum momento se lançaram em busca da satisfação, sem medir as conseqüências e hoje vivem lutando, no mundo das emoções, com um “besouro” que se recusa a ser digerido, sofrem física, espiritual e emocionalmente, carregam culpa e as noites da alma  são assustadoras.
           
Do nosso bem-te-vi, não sabemos como a história terminou, mas, para mim e para você, existe uma saída: sair da negação, buscar em Deus arrependimento e confissão em um pequeno grupo de outros “pássaros” que como nós, em algum momento, engoliram besouros cascudos, afinal, todos os dias eles cruzam o nosso caminho e quem nunca vacilou e  engoliu um “besouro”.

Não saia por aí voando, pois você não vai longe, sem antes se libertar dos entraves da alma, venha celebrar a nova vida, venha deixar seus besouros no pequeno grupo do Celebrando a Nova Vida.

Nossa caminhada do Celebrando a Nova Vida acontece todas as sextas-feiras, às 20hs, na Manancial.

Walter da Mata

COMPARTILHE: