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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

O Fabricante de Correntes


Esta é mais uma das estórias que ouvi de meu pai. Não sei onde ele a ouviu, mas me levou à reflexão. Conta-se que um ferreiro especializou-se em fabricar correntes para uso em um presídio; suas correntes eram à prova de fuga e garantiam a punição dos encarcerados. Quem estivesse preso por uma de suas correntes pagava a pena até o último instante, pois cada elo mantinha em sua têmpera a segurança do aprisionado.
             
Isto era razão de orgulho ao artesão da metalurgia, pois era conhecido em toda a comunidade e honrado em cada sentença de aprisionamento, até que um dia o infortúnio da vida caiu sobre ele, sua transgressão o condenou a uma longa pena, aprisionado em suas próprias correntes.
           
Ao contemplar os grilhões que lhe prendiam os pés, sentindo a dor do cerceamento da liberdade, esforçou-se para romper um dos elos da corrente que lhe colocaria em liberdade. Seu esforço foi inútil, suas correntes o mantiveram preso por muito tempo e, depois de livre, refletiu: “se soubesse que um dia estaria preso por minhas próprias correntes, eu as teria feito com elos menos resistentes.”
            
 Fiquei pensando sobre as correntes que construímos para manter as outras pessoas sem liberdade. Seus pequenos ou grandes erros tornam-se imperdoáveis para nós. Nossa alma torna-se uma indústria de correntes com as quais mantemos pessoas no cativeiro das emoções. Correntes compostas pelos elos do orgulho, falta de graça em perdoar, egoísmo, insensibilidade, rigidez, intransigência, manipulação, indiferença, legalismo, controle, medo, soberba, religiosidade e hipocrisia da inerrância.
            
Só entendemos o poder desta corrente no dia de nosso infortúnio. É quando falhamos vergonhosamente e ficamos presos às nossas próprias armadilhas, desejando que os elos que nós mesmos construímos tivessem alguma flexibilidade, o suficiente para deixarem de ser correntes de um grilhão, e se tornassem gonzos de porta que se abre para o perdão. Foi isso que aconteceu ao discípulo Pedro, antes e depois da negação do mestre. Estava preso em sua própria corrente e agora precisava do perdão.
            
Que Deus nos ajude a ter um coração firme nos valores espirituais e flexível diante da desgraça humana, pois assim, não existirão mais correntes.

Walter da Mata

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