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terça-feira, 27 de março de 2012

ESTÁ TUDO DOMINADO

 
O atributo humano de maior valia, sem dúvida, é a liberdade. O modo como a gerenciamos, decide até o limite da vida e morte. Então, a liberdade é, ao mesmo tempo, preciosa e perigosa. Mesmo assim, o melhor bem do mundo é a liberdade. Perdê-la, é a pena maior.
             
Jesus veio ao mundo para trazer liberdade aos cativos (Lc. 4.18). Ele mesmo disse: “Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. Jo. 8.36.
             
A verdade desses textos deixa claro que ser de Cristo é ser livre, tão livre que segui-lo ou deixá-lo é fruto da liberdade. Em Jo. 6.66, muitos fizeram a escolha de “voltar atrás e já não andavam mais com Ele”, mas os doze entenderam de continuar com Jesus. (6.68)
             
Se existiu algo que revoltava a Jesus, era uma religião exploradora, opressora, dominadora e controladora. (Mt. 23. 14-15) Em nossos dias,  o fenômeno do controle pela religião manifesta-se das mais diversas formas, vou destacar duas:

Os espiritualizados: por meio falsas visões, profecias mercantis, recados do senhor e uma gama de invencionices, exploram, controlam, dominam e oprimem. Aqui, a rede de controle chega até fora dos arraiais evangélicos. Por causa desses, muita gente já perdeu bens, identidade e a racionalidade, mas o veneno é tão forte que deixa na vítima um sentimento que lhes faltou a fé necessária. Para estes recomendo: “Não tolerem os que tentam governar a vida de vocês, exigindo reverência e insistindo que vocês se juntem a eles, em sua obsessão por anjos e visões. É tudo conversa fiada” (Cl. 2.18 Mensagem)

O poder da liderança: aqui o liderado tem a mente sugada, perde o poder de decisão sobre as coisas básicas da vida e até mesmo a inteligência. Controle total.
Participei, junto com outro pastor, de um encontro no qual seríamos equipados para treinar líderes e fomos surpreendidos com o que foi chamado o cerne da liderança. O instrutor abaixou-se, apanhou um graveto e com a mão bem alta perguntou: O que é que tenho na minha mão? Julgando-me um gênio, prontamente respondi: um pedaço de madeira. Outros gênios presentes confirmaram minha clarividência.  Então ouvi a coisa mais absurda: “Se eu sou seu líder e afirmar que isto é ouro, você vai morrer defendo isto, pois você está debaixo de autoridade”.
Quase sofri uma metamorfose, pois me senti transformado em um burro. Arrumei minha mala e fui embora. O sistema era “mala” demais para mim.
             
Aqui temos uma multidão de cristãos que não pode comprar, vender, disciplinar seus filhos, orar pelos enfermos de sua casa, marcar férias no trabalho, viajar e outras formas de controle, se não tiver a bênção do líder. Não tem um chip na palma da mão ou na testa, uma espécie de “marca da besta”, mas vive robotizada, como se tivesse um chip em vez de mente. Se tentar sair, recebe uma palavra de maldição. Isso é feitiçaria.
            
No meio de tanta confusão, vejo como o fator agravante o fato de ter gente que gosta de ser controlada. Uma espécie de masoquismo religioso: quanto mais explorado e abusado, mais gosta. Tem prazer em não ser responsável por nada em sua vida. Todos os setores da vida são decididos pelos “profetas” ou pelos “líderes”, uma espécie de guru gospel, e o final dessa história é que formamos uma geração de evangélicos sem evangelho, sem bíblia, imaturos e manipuláveis e que vão reproduzindo conforme sua espécie.

Que Deus abra os olhos do nosso entendimento!

Walter da Mata
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quinta-feira, 15 de março de 2012

A VIDA NÃO É SÓ FESTA



“Necessitais de perseverança, para que depois de haverdes feito a vontade de Deus, alcanceis a promessa”  Hb 11.36
             
Eugene Peterson escreveu: “Vivemos em uma época em que um recomeço é muito mais atraente que uma dedicação longa e persistente sem fraquejar”.
             
Vivemos a febre do novo.  Qualquer coisa que dure algum tempo já nos gera tédio. Dentro desta sociedade consumista, não valorizamos coisas duráveis e como o consumismo é fruto do vazio da alma e falta de sentido para a vida, situações novas  trazem-nos a ilusão de preenchimento. Um fato novo traz um momento festivo.

Estamos sempre convidados para festas de inauguração.
Inauguramos uma nova casa;
Uma nova amizade;
Um novo projeto pessoal a cada dia;
Uma nova visão e chamado ministerial;
Uma nova declaração de amor único e eterno para mais uma pessoa;
Um marido novo;
Uma nova mulher. 
Inaugura-se um novo pastor.
             
Alguém chegou a dizer, usando um neologismo: “Somos uma geração boa de iniciativa, mas muito pobre em ‘acabativa’”. O fato é que temos muita dificuldade com situações que exigem de nós perseverança. Quantos já foram convidados a um banquete de perseverança? Eu gostaria de ver mais festas de 15, 20, 25, 40, 50 ou mais anos de casamento e que elas dessem muito glamour.
            
Nossa loucura pelo novo vem também de nossa falta de investimento em manter novo, aquilo que já dura há alguns anos. Neste tempo de descartáveis, não investimos em manutenção. Por isso a fé envelhece, a visão ofusca e o casamento esfria.
              
A frase que está no meio do versículo, mostra-nos o que é preciso entre o ponto de largada e a linha de chegada: fazer a vontade de Deus. Isto é, renunciar as minhas vontades, meus desejos. Negar a mim mesmo.
             
Vejamos alguns exemplos de pessoas que iniciaram bem e terminaram bem:

  • Josué e Calebe: Saíram do Egito para Canaã. Apesar de tudo, chegaram...
  • Samuel: desde o “fala que teu servo ouve”, até ungir Davi a Rei...
  • Neemias: 2.18 ao 6.15. Iniciou e acabou o muro.
  • Paulo: Atos 13.2-3 a II Tm 4.7. Olhe só que o que estava no meio da carreira.   II Co. 11. 23-27)
  • Jesus: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração,
    A pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, e pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor”

    Lucas 4.18-19
Veja o intervalo entre o início e o fim: Lc 22. 39-44
João 17.4 “Eu te glorifiquei na terra, concluindo a obra que me deste para fazer”.
19.30 “Está consumado”.
Veja o pódio de Jesus: Fp 2.9-11 “Pelo que Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome...”
Quer chegar ao final? “Não desista, ainda que custe a sua vida. Continue crendo. Tenho a coroa da vida, sob medida, preparada para você” (Ap 2.10 Mensagem)

Quem quer chegar ao fim precisa:
1-      Ter visão. Um alvo. Saber aonde quer chegar;
2-      Entender que toda visão precisa ser acompanhada de uma missão. Visão sem missão é ilusão;
3-      Saber que toda missão precisa de um plano de ação a ser seguido passo a passo. Missão sem plano de ação é precipitação;
4-      Estar consciente de que todo plano de ação, sem disciplina, gera frustração;
5-      Saber identificar os erros cometidos no meio da jornada e ajustar a rota. Submeter-se a correção;

Oro por você que vive de iniciativas e desistências...
Na dieta que precisa fazer;
Nos cursos que começa e ficam pelo meio do caminho;
Nos namoros que nunca chegam ao casamento;
No propósito de uma vida santa, mas que, na primeira tentação, joga tudo para o ar;
No propósito de ler a bíblia toda, mas sempre abandona;
No hábito de viver casando e descasando;
No costume de fazer um monte de votos, sem cumprir nenhum deles.

Está na hora de fazer alguma coisa útil e que seja durável.

Walter da Mata
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