NAVEGUE AQUI

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Amor é assim - A história dos Fran-Fran



Lá vem ele: risonho, bem humorado e falante; a cada passo inclinando-se para o lado. Ela, por sua vez, um pouco mais silenciosa e reservada. Seguindo o casal, vêm um menino e uma menina, ambos pilhados.
             
Foi em visita pastoral que me interessei pela história deles. Era um momento de crise, dessas que todos os casais experimentam, quando parece que tudo está acabado e que a relação tornou-se impossível. Ele ressabiado e ela foi logo dizendo: não tenho nada para dizer sobre as nossas vidas. Acabou e eu não espero mais nada desta relação.
             
Como não raramente acontece, eu não sabia o que dizer diante do impasse. Orei a Deus que me ajudasse a ser um ajudador.  Então, pedi a ela que não falasse do problema, mas que apenas matasse minha curiosidade: como foi que vocês se conheceram? Depois eu iria embora.
             
Sua mente viajou no tempo e “sem querer, querendo”, foi expondo em meio à voz embargada:

            
 --- Quando entrei na lanchonete, uma voz se destacava entre um grupo de amigos, tanto pelo volume, como pela alegria e bom humor. Trocamos olhares, depois de algumas palavras lá estava eu assentada à mesa com eles. Foi um encontro e uma paixão. Não falamos sobre namoro, amor, mas marcamos de nos encontrar, agora, sem o grupo de amigos. Tinha certeza que fisgara o coração dele.
             
Quando o grupo se levantou para sair, tive um choque. Ouvi barulhos de ferros se encaixando para que o Fran se pusesse de pé. Ele era portador de necessidades especiais, devido à paralisia infantil, e só agora eu percebera. O que fazer do encontro marcado? Fui para casa e o coração discutia com meu cérebro, mas, vencida pelo coração, fui ao lugar e dia marcados. Tinha certeza que era com ele que eu desejava passar o restante da minha vida e ser mãe dos filhos dele.
             
Com apoio de amigos e irmãos, dentro de algum tempo as portas do templo se abriam, para que ao som da marcha nupcial, ela, que também é Fran, adentrasse vestida de branco, para juntos jurarem amor eterno.
            
 A esta altura do relato, seus olhos jorravam lágrimas de alegria e dor misturadas e seu coração estava quebrantado, pronta a pedir perdão, pois em sua ira, atacara exatamente os limites do Fran. O amor estava lá, apenas escondido sob uma camada de mágoas. Oramos e fui embora.
             
O que me comoveu e fez escrever a história dos Frans foi a frase: “mesmo tomando consciência de suas deficiências, o meu coração já o amava e desejava viver com ele o restante de minha vida e ser mãe dos filhos dele”. Que cada casal, ao experimentar momentos de trevas no amor, e todos vivem esses momentos, possam recordar que a decisão de viver juntos não foi motivada pela perfeição do outro, mas sim em razão do quanto se estava amando.
            
 Fecho a história com a paráfrase de I Pe 4.8 “Que nós os casados, deixemos nos queimar de amor uns pelos outros, porque o amor cobre uma multidão de defeitos, protegendo um ao outro, enquanto o crescimento vai acontecendo”
COMPARTILHE: