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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O CLIENTE



O negócio só é um bom negócio se houver clientela, pois é o consumidor que faz o mercado.  Então, podemos reclamar do comerciante da igreja chamada negócio pela sua ausência de caráter, pela exploração dos incautos, por mentir em nome de Deus, por gerar frustração, por falta de temor a Deus, por manipulação do texto bíblico e das pessoas, por ser ambicioso, por gerar ambição e por fazer da piedade fonte de lucro. Porém, não podemos reclamar por manter as portas do negócio abertas, pois elas só continuam abertas, porque existe consumidor do produto.
            
Temos então que admitir que esta igreja chamada negócio só é  bom negócio porque tem uma clientela ávida por participar do negócio, na expectativa de se dar bem. Eu deixo de pagar minhas contas e depois vou fazer uma corrente de oração para que a documentação que comprova minha dívida desapareça. Ah, isto, se chama bênção. O prejuízo do outro não conta.
             
Vejamos, nos dias de Jesus, os senhores do templo fizeram um excelente negócio, investindo dinheiro em Judas Iscariotes, pois o ensino libertador de Jesus afetava o rentável negócio do templo, principalmente depois daquela intervenção de purificar o templo; aquilo foi péssimo para os negócios.  Tirar Jesus de circulação era um bom negócio, então, investir umas moedas em Judas era parte do negócio, para eles e para Judas.
            
As trinta moedas de prata,  o preço pago por Jesus, era pouco significativo para o rico mercado do templo, mas, para  Judas, que por um momento acreditara que Jesus era o melhor da terra, e como os outros discípulos, deixou tudo para segui-lo, esse capital era muito significativo, pois em valor de mercado, deu para comprar um campo. (Mt 27.7)
            
Os mercadores não contavam com a angústia que as moedas causariam em Judas, que numa tentativa desesperada de livrar-se, tenta devolvê-las, mas rejeitado, as joga no pátio do templo, e o dinheiro agora é visto como maldito para voltar ao tesouro, mas não fora quando saiu para comprar a vida de um inocente. Em negócio escuso, sempre alguém paga a conta.
            
Os clientes pagam por suas ambições e necessidades, por acreditarem que o seu dinheiro pode atrair a “graça” do Todo Poderoso, porque para os que vendem e para os que compram, a graça não é dom divino, imerecido, mas é tudo uma questão de negócio.

Parece-me que muita gente entendeu mal a frase: “Negociai até que eu venha”

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