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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As Corujas



O cerrado do planalto central, já tão desprovido de suas espécies na flora e fauna, tem lá sua reserva minúscula de proteção daquilo que garante boa respiração, saúde e esperança de que nem tudo está perdido no coração do Brasil.

Em um recanto nada escondido, pois está incrustado no coração do poder, manteve-se oculta uma cova, na maior parte do tempo abandonada em sua missão, mas que ressurgiu para um encontro solene: corujas fêmeas e machos, togadas de preto, óculos de lentes grossas, debruçavam-se sobre uma montanha de folhas, processadas em forma de papel, para descobrir a verdade sobre uma conspiração gerada e fomentada por chacais que se instalaram no coração do ecossistema brasileiro, contra a existência do cerrado, e não só dele, mas da floresta amazônica, da caatinga, pantanal, pampas e mata atlântica.  O que se sabe é que se instalariam parasitas em todos os galhos da árvore do poder e em curto prazo, todas as árvores, mesmo de pé em sua forma visível, teriam, cada vez mais, sangue sugas em suas entranhas, sem força alguma para frutificar.

Entre todas as corujas, um corujão chamava especial atenção, sua toga e tez confundiam-se, as penas acima da face eram raras, nem sempre conseguia manter-se acomodado em seu galho na árvore da justiça plantada bem no meio da cova, pois suas vértebras se comprimiam não só sob o peso de seu corpo, mas também sob o peso de ser responsável por relatar a acusação aos chacais, por isso, muitas vezes trabalhou de pé, apenas apoiado em seu galho, mas não fugiu ao dever: fundamentou juridicamente e acusou os chacais de conspirarem contra a terra brasileira, a fim de devastá-la da flora de justiça, ética e moral, e usarem os últimos mananciais não poluídos para lavarem o dinheiro sujo que financiou a conspiração.

Consciente de que a omissão mataria não só a floresta, mas também a fauna e com elas sepultaria a esperança dos outros animais, deixando assim, terra devastada, ambiente propício à sobrevivência de chacais; bateu o martelo e os apenou, usando a lei da floresta e os condenou a pagarem os danos causados a terra brasilis.

A justiça exalta as nações, mas a impunidade é o opróbrio dos povos
Pv 14.34 (paráfrase)

Obrigado, Ministro Joaquim Barbosa, por nos fazer acreditar, novamente, que a justiça é para todos!
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2 comentários:

  1. Rapaz...deve ser por essas e outras parecidas que Deus permite certas coisas...parece-me que "Ficar de molho" lhe fez aguçar o apetite escriturário! Este texto ficou ótimo!

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  2. Prarabéns mano! Não só pela beleza da fábula, a altura de Monteiro Lobato, mas acima de tudo por trazer a luz a valorização da descência e da moralidade, tão rara e esquiva nos nossos dias. Também ensina o povoa valorizar a dignidade para a reconstrução dos valores sociais e humanos, indispensáveis a uma sociedade fraterna. Quem sabe, diante disto, muitos retirem o beneplácito de suas audiências às novelas e programas de "humoror" da tv brasileira, que tanto depreciam e degeram a base moral necessária a construção da ética e da justiça. Abraços, Deus seja contigo!

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