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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Eu e Meus Bichos III - O Macaco e o Gato



No vasto repertório de estórias de meu pai, tem uma que ele contava para nos ensinar a sermos cuidadosos nos relacionamentos interpessoais. Eu disse contava, pois hoje ele não conta mais, pois o Alzheimer o mergulhou em mundo silencioso.

Mas vamos ao caso. O macaco, bicho conhecido por sua esperteza e malandragem, estava de olho em uma deliciosa batata doce que o matuto colocou para assar sob a cinza quente do borralho. O macaco, em sua cobiça, tentou por várias vezes puxar o petisco aquecido sob a cinza quente, sem sucesso, pois o calor queimava-lhe os pelos e a palma da mão. Mas macaco, que é macaco, não desiste facilmente; ficou por ali matutando como ter êxito em arrastar a deliciosa batata.

Entre uma coçada e outra, observou quando um gato, em busca de um lugar para se aquecer de um banho de chuva involuntário, deitou-se displicentemente junto ao borralho, deixando a patinha distendida, enquanto dormia. Foi nesse instante que a ambição do macaco foi maior do que o seu respeito pelo felino doméstico; aproximou-se sorrateiramente e, em um lance de mestre, agarrou a pata do gato e puxou, de dentro da cinza quente, a desejada batata. 

Assim, meu pai falava um dito com fundo moral: “puxar a batata quente com a mão dos outros”

Na vida existem pessoas que vivem como o macaco da estória, têm ambição e desejo, mas, de forma alguma querem se expor ao trabalho e aos riscos. Vivem espreitando a quem pode ser usado para atingir seus objetivos, não se importando com os males que eles sofrerão. Outras se parecem com o gato dormindo à beira do borralho, estão próximas ao perigo, mas acreditam que não existe maldade entre os humanos e pagam caro pela inocência.

Muitos macacos já cruzaram meu caminho, alguns eu percebi e me recolhi em tempo hábil, outros não, e quando despertei tinha sido usado de maneira indigna. 

Quando coisas como essas acontecem, temos a tendência de olhar todo mundo que se aproxima, com identidade símia, isto nos coloca sempre na defensiva nos relacionamentos. Não relaxamos, não dormimos, ficamos sempre cautelosos e assim perdemos grandes amizades, mas podemos constatar que a maioria se identifica mais com o gato da estória que com o macaco.

Se sua mão foi queimada, você foi usado em um relacionamento, perdoe a você mesmo por ter dormido tão próximo do perigo, e depois, deixe o passado no passado.

Portanto, relaxe, abra-se para os relacionamentos, mas evite dormir muito próximo ao borralho!

Walter


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4 comentários:

  1. O maior crime dos desonestos é roubar a boa-fé das pessoas. A boa-fé é a condição básica para nos permitirmos se aproximar de alguém. Há sempre uma dualidade na relação: simples como as pombas e prudente como as serpentes, já dizia o Mestre. Na minha vida aprendi que ser bom e ser besta estão muitos próximos muitas vezes somos um achando ser o outro. Parabéns pela reflexão.

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  2. Há muitas situações em nossas vidas que nos atrapalhamos ou até tropeçamos.As vezes pensamos que poderia ser um refúgio para tantos problemas vividos, mas logo chegamos a conclusão que não tem lugar seguro se não for aos pés de JESUS.É nesse momento que percebemos que somos seres racionais e que podemos sempre pensar no que é realmente saudável e de boa fama.Os seres irracionais fazem tudo por instinto mas nós seres humanos devemos sempre usar o raciocínio pois se Deus nos fez assim foi para a sua glória e louvor.Tomemos sempre cuidado com o nosso ser pois somos morada de DEUS.

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  3. Para os que se acham espertos sempre haverá alguém mais esperto.Pois neste mundo somos sempre levados a refletir no que fizemos de errado para acertarmos numa nova possibilidade de atitude com sucesso de dignidade e moralidade para gloria de Deus que é a nossa alegria...

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  4. Não ser displicente como o gato numa situação destas é complicado,ele aparentemente não fez nada de errado, mas meu grande receio é agir como o macaco e pior...sem perceber! Por isso tenho contado com o seu apoio e de outros irmãos para ser admoestado sempre que alguma coisa ruim do meu lado humano, queira se sobressair, tipo "puxar a batata quente com a mão dos outros" ou dar bom dia com chapéu alheio!...Belo e instrutivo conto...

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