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sábado, 8 de dezembro de 2012

Nem Sabe Quem é o Pai

 “O cara não sabe nem quem é o pai dele!” 

Este era um ditado usado por um colega de trabalho para referir-se a uma pessoa que se tornava desprezível e sem significado para ele.

Conhecer as raízes genealógicas tem peso na formação de uma pessoa.  Assim expressou o Dep Átila Nunes, ao justificar o projeto lei que obrigou que todo registro civil, conste o nome do pai:

A paternidade e a maternidade revelam um imprescindível acontecimento social que concretiza os direitos da personalidade, uma vez que todos têm o direito de conhecer sua própria origem, que não se resume as características genéticas, mas também a aspectos sócio-culturais. Filiação é o vínculo existente entre pais e filhos e vem a ser a relação de parentesco em linha reta, de primeiro grau, entre duas pessoas. A paternidade, que é o lado reverso da filiação, é um direito personalíssimo e imprescindível para os indivíduos que têm necessidade de conhecer suas origens”

Fiquei emocionado quando, na leitura de Falsos Metidos e Impostores, de Brennan Manning, conheci um pouco da vida de um dos homens que admirei em minha transição para vida adulta: George Foreman, campeão mundial de boxe. Numa época em que televisão era raro, cruzávamos a cidade a pé, no meio da noite, para a casa de nossos amigos Carlindo e Dalva, só para assistir seus embates com Cassius Clay. Foreman decidiu que seus filhos teriam segurança quanto a identidade, então cada um deles recebeu o nome do pai em seus registros: George Jr., George III, George IV, George V e George VI, pois para ele, que passou a infância desconhecendo quem era o seu pai, era importante que seus filhos soubessem sempre quem era seu pai”. Todas as vezes que seus nomes eram pronunciados, suas identidades eram reafirmadas.

Tive minha transição de religioso para filho de Deus. Na adolescência, cheguei ao cúmulo da religiosidade, ao construir um projeto de inerrância. O projeto não sobreviveu uma hora, mas acarretou um peso de culpa que levei por muitos anos. Um dia, ouvi um sermão do tipo que estreitava a porta do céu; a cada colocação de preceitos, eu afundado no banco, me auto excluía do reino de Deus e quando o pregador disse amém, eu estava do lado de fora do reino. Parece até ter ouvido a porta bater.

Ali sentado no templo, já construía um novo projeto de vida, fora do contexto da igreja, pois se eu não era do reino, estava apenas enganando e sendo enganado, atitude que nunca condisse com meu perfil.  Foi nessa hora que, algo próprio de uma igreja pentecostal, aconteceu: um profeta de Deus levantou a voz e foi proclamando os sentimentos e intenções do meu coração e como portador da voz de Deus, fui chamado de meu filho, e terminou a mensagem com uma declaração do amor do Pai. Tudo o que havia sido construído para eu fugir, desmoronou diante do amor do Pai. Fico imaginando os céus se movendo por causa de mim. Isso marcou a minha vida para sempre. Walter da Mata, filho de Deus.

A convicção de que sou amado por Deus e que minha relação com Ele não é fruto de ações de minha parte, mas de seu amor incondicional, que vai me atraindo para Ele e me tornando mais parecido com seu Filho Jesus, faz com que a decisão de caminhar com Ele, seja até o fim, pois estarei voltando para casa.

A coisa que mais precisamos não é de ministérios relevantes, mas de ter a identidade de filhos de Deus. “Vede quão grande amor nos concedeu o Pai, somos chamados filhos de Deus! E é o que realmente somos” I Jo 3.1

Walter da Mata

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Um comentário:

  1. Pr Jonas Mendes, por email:
    A vida religiosa é como uma máscara mal ajustada é preciso vez ou outra a preocupação de deixa-la de tal forma que outros vejam e se sintam seguros .Mas que segurança é esta? como alguém pode me conhecer se não pode me ver?A máscara me dá um rosto ,a religião me dá uma aparência,nada mais.Durante alguns anos da minha vida cristã evangélica descobri que apenas havia trocado de religião;deixei de ser católico pra ser evangélico. Com pequenos ajustes sem mudanças.Um dia tive coragem de tirar a máscara,não foi fácil.Enfrentei pessoas, venci paradigmas,anulei sistemas construídos dentro de mim,até compreender o que é ser filho de Deus,um Pai amoroso,presente que me compreende nas minhas fragilidades."Quando digo que estou fraco,sinto-me forte..." abraços.

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