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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

O Desconhecido




O cavaleiro caído inerte à beira da estrada. Sua vida sempre foi uma incógnita. Lutou protegido pela armadura e quando se juntava a alguém, era conhecido apenas como o cavaleiro imbatível. Se algum dia foi ferido, se chorou ou se teve medo, se tinha família, se era feliz, se tinha sonhos, nunca se soube; os aldeões falavam à boca miúda, não ser ele humano. Todos queriam estar perto dele, pois seus feitos impunham reverência, mas o mais próximo que alguém chegou foi tocar em sua resistente armadura, o isolamento era seu estilo de vida. Até dragões, se dizia, ele preferiu enfrentar sozinho.

Se ferido foi, curou-se sozinho;  se chorou, suas lágrimas não foram enxugadas; se tinha família, ninguém a conheceu; não se sabe se afagou uma criança; se teve medo, ninguém soube, seus olhos nunca foram vistos, pois sua viseira  permaneceu baixada.  Quando sua voz rompia a tela do elmo, era para contar suas proezas, mas seu coração jamais se deixou revelar.

Conhecer sua identidade tornou-se objeto de desejo dos narradores de sagas. Uns diziam que era um camponês, outros, um príncipe, bispo, comerciante de especiarias orientais ou até mesmo um pastor tagarela diante da multidão, mas com uma identidade secreta, escondida debaixo do elmo.

O mistério finalmente seria revelado, pelo menos para os três guerreiros que perceberam o puro sangue, tão conhecido nos campos de batalha por estar sempre elegantemente selado e armado, agora parado ao lado de um corpo bem protegido na armadura.  Consideravam-se privilegiados, pois seriam eles os eleitos a informar aos escritores curiosos, quem era o homem por trás do mito.

Com cuidado reverente, começaram a desencaixar o elmo preso como escafandro, para no pós morte, conhecer aquele que em vida nunca se permitiu conhecer. De forma ritual, cada grampo era liberado para dar fim ao suspense.

O mistério intensificou, debaixo do capacete metálico nada havia, alguém passara primeiro e de forma cirúrgica, decapitara o valente cavaleiro, levando-lhe a cabeça, aumentando ainda mais as especulações sobre sua identidade. Todos os reinos por quem lutara, prestaram homenagem ao desconhecido e sua lápide recebeu a inscrição: Nós o amamos e o respeitamos, mas nunca soubemos quem foi você.

Em sua vida, não levantara a viseira para fazer ou responder milhares de saudações recebidas. Seria auto-suficiência? Orgulho? Ou lá dentro estava escondido um homem ferido nos tempos pueris, que resolveu travar uma luta solitária contra as injustiças que o aprisionaram? 

É assim que muitos de nós passamos pela vida, marcamos pessoas com nossos feitos, mas não permitimos sermos vistos como humanos; corajosos, mas indo muitas vezes às lágrimas; cheios de fé, mas atacados por alguma dúvida; estimulando sonhos, enquanto administramos nossas frustrações. 

Desconhecendo que o maior legado, não são as coisas que construímos, mas o amor transmitido no viver diário, que às vezes canta, mas às vezes chora.

Reflexão: 

1-      Tente listar alguns nomes que encaixariam na identidade deste cavaleiro.
2-      Seu nome estaria entre eles?

Walter da Mata
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sábado, 14 de setembro de 2013

Eu Faço Continência a Você




A continência é uma saudação, onde um militar reconhece superioridade de símbolos ou de um companheiro de farda e lhe mostra apreço. Essa superioridade, pode não estar vinculada a patente superior do reverenciado, mas ligada ao apreço, carinho e respeito que se tem à pessoa. Entende-se então, que a continência afetiva tem maior significado que a hierárquica. 

Desde a idade média, usa-se o gesto como sinal de respeito aos reis quando seus soldados se apresentavam antes de partirem para a batalha. Com o tempo, tornou-se regra os superiores  receberem este gesto honroso. 

Os cavaleiros medievais, vestidos de armaduras e cabeças protegidas por elmos, ficavam irreconhecíveis. Ninguém poderia saber quem estava sob a armadura, daí o perigo de se ferir um amigo e deixar passar incólume o inimigo. Destas incertas, veio o costume de se erguer a viseira do capacete, permitindo que não só a face fosse vista, mas que os olhares se cruzassem, permitindo-se ser conhecido.  O gesto feito com a mão direita, era  sinal de paz, pois neste momento estaria desprovida de armas, garantindo que não haveria hostilidade naquele encontro.

Bom seria, se nas relações familiares, eclesiásticas, profissionais e sociais, ninguém andasse de armadura, se protegendo, sem se deixar conhecer, suspeitando que todos ao redor sejam inimigos, desviando  olhares e com espada para ferir, mas com a mão livre para levantar a viseira de nossas máscaras, liberando  o sorriso e firmando os olhos para expressar amor,  e assim, como cavaleiros, teremos vencido nossos maiores inimigos: aqueles que, com nossas armaduras, protegemos dentro de nós.

Pensado nisto, faço continência a você:

  • Por considerá-lo superior a mim, lição apreendida com o apóstolo Paulo, citando a pessoa de Jesus de Nazaré.  (Fp. 2);
  •  Por querer sempre me deixar conhecer. Não quero ter que esconder a minha face, seja em momentos de harmonia ou conflituosos. Não desejo ser uma incógnita, que todos os que cruzarem o meu caminho, saibam o que penso, onde estou indo,  o que desejo e a que povo pertenço;
  • Para ter minha mão desprovida de qualquer arma que venha ferir seu coração;
  • Por desejar sempre, não ter nenhum inimigo;
  • Para não tratar ninguém com indiferença;
  • Por não desejar ter nenhuma razão para me esconder. Meus erros e pecados, eu os confesso a Deus e aos homens, quando assim couber;
  • Por saber, que tem muita gente com habilidades que eu não tenho e devo honrá-los por isto;
  • Por saber que quando nivelados no pó da terra, não existem superiores nem subalternos;
  • Por ser seu igual e ter a certeza que me protegerás no campo de batalha;
  • Porque  és autoridade sobre mim, não por títulos ou hierarquia, mas por seres dotado de dons e virtudes que não tenho e sempre os coloca para abençoar a mim e outros pessoas;
  • Por saber, que tem gente que não mostra o rosto, não por se sentir melhor, mas porque crueldades da vida as fizeram sentir piores, e uma reverência de minha parte, pode ajudá-las a levantar a viseira e sorrir para a vida;
  • Por ter o privilégio de assentarmos à mesa e comer do pão e tomarmos do cálice, celebrando a aliança de sermos um só corpo em Cristo Jesus.
Tentem pensar como Cristo pensava. Mesmo em condição de igualdade com Deus, Jesus nunca pensou em tirar proveito  dessa condição, de modo algum. Quando a sua hora chegou, deixou de lado os privilégios da divindade e assumiu a condição de escravo, tornando-se humano” (Fp 2. 5-7  - A Mensagem)

Faço a mais honrosa continência à pessoa de JESUS DE NAZARÉ.

Walter da Mata
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Brasil Independente!

Créditos da imagem a este link. Direitos reservados ao autor.

A Independência do Brasil ocorreu em 7 de setembro de 1822. A partir desta data o Brasil deixou de ser uma colônia de Portugal. A proclamação foi feita por D. Pedro I as margens do riacho do Ipiranga em São Paulo.

Há 192 anos, somos independentes.
Quero ver Brasil como a Pátria Amada, com as asas da liberdade abertas sobre nós. Quero ver o Brasil ser respeitado pelos filhos da pátria, como um país honrado, honesto, bem administrado, justo, onde o trabalho compense muito e o crime nada, onde os homens públicos causem honra e não asco, e que nossa alegria e espontaneidade  alcance o mundo frio nos relacionamentos...
I- O Brasil precisa continuar:
1-INDEPENDENTE dos que roubam a nação dia e noite. E não adianta aumentar a vigilância na fronteira, pois a rapinagem é visceral;
2-INDEPENDENTE dos homens que foram dependentes do voto popular para se tornarem legisladores e gestores, mas que por um golpe de mestre, tornaram-se independentes e o povo, dono do voto,  dependente;
3-INDEPENDENTE de muitos magistrados terem sucumbido o senso de justiça, nas águas de Mamon;
4-INDEPENDENTE de impunidade dos poderosos que da respaldo a anarquia popular;

II- O Brasil precisa continuar:
DEPENDENTE do voto popular;
DEPENDENTE de princípios e não de conveniências;
DEPENDENTE do trabalho e não da esperteza;
DEPENDENTE do voto ideológico e não fisiológico;
DEPENDENTE de “um povo heróico” cujo “o brado retumbante” ecoe pelas praças, ruas, escolas e igrejas, para dizer:
  • Se quem aplica a lei, transgride a lei e não é apenado, enfraquece a lei;
  • Não, a qualquer tipo de ditadura: militar,  populista,  religiosa e  sexual, racial, genética ou de faixa etária;
  • Que cumprir o papel de legislador, gestor, magistrado, a favor dos filhos da pátria, não é um ato de graça e misericórdia, mas um dever imposto pelo cargo, pelos quais são muito bem pagos;
  • Que os homens públicos não são pais ou mães da pátria, mas filhos da pátria;
“Liberdade! Liberdade!
Abre as asas sobre nós!
Das lutas na tempestade
Dá que ouçamos tua voz!”

Walter da Mata



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quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Esse cara...sou eu




O movimento na corte persa era grande. Clima de suspense, acusação e conspiração abalava os súditos do rei Assuero ou Xerxes? Ester, de origem judaica, chega ao poder como rainha, depois da deposição intempestiva de Vasti.

Lidar com as emoções de Assuero, era o mesmo que tentar deter o ímpeto de um furação.  “Foi este rei que comandou a construção de uma ponte sobre o Helesponto e que, ao ficar sabendo que esta fora destruída por uma tempestade logo após sua construção, ficou de tal forma irritado que ordenou que surrassem o mar com trezentas chicotadas e atirassem nele um par de algemas. Depois ordenou que os infelizes construtores da ponte fossem decapitados.” (1)

Neste contexto, Hamã, o agatita,   provavelmente descendente da linha real dos amalequitas, inimigos de Israel desde a peregrinação rumo a Canaã, alcançara tal prestígio diante do rei que veio a tornar-se o Grão-vizir do reino e assim, ordenou que todos se ajoelhassem perante ele.

Diante de tamanha honra, seu coração se eleva e move uma ação de extermínio aos patrícios da rainha Ester,  sob alegação de insubmissão ao rei.  Assuero, aprova de forma impetuosa e ainda financia o genocídio.

Mas, acima de um rei louco e um grão-vizir insuflado pelo inferno, tem um Deus regendo, não um naipe, mas toda orquestra do universo. Tira o sono do rei, a lealdade do Judeu Mardoqueu  é lembrada e o rei decide honrá-lo.

Na manhã seguinte, ao adentrar a sala real, Hamã ouviu a pergunta de sua vida: “O que se faz ao homem a quem o rei decide honrar?” Aquela não era uma pergunta comum, precisava ser compartilhada e planejada com amigos e a família. Reunidos, Hamã se gabou dos títulos, riquezas,  filhos e da autoridade que lhe fora dada.  A sugestão é a mais ambiciosa, pois mais que honra pública, premeditou a desonra  dos judeus, pois afinal: “Esse cara sou Eu”.

O tempo e a necessidade conspiravam contra os filhos de Israel e Ester era a única opção de chegar ao coração do rei.

Havia uma barreira a vencer: o imprevisível Assuero. Como convencê-lo  voltar  atrás em seu decreto? O histórico conspirava contra a oportunidade, afinal, quem tem a pretensão de algemar as ondas do mar, pode agir loucamente a qualquer momento.  Ester, contra todas as regras, entra na presença do rei, a história de Vasti lhe pesava na mente, mas a fé foi maior: “Irei ter com o rei, ainda que seja contra a lei. E seu eu perecer, pereci.

Ester é aceita, o povo é poupado, Mardoqueu elevado e Hamã é enforcado.

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda.”  (Pv 18.18)
“Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes”. (Tg 4.6b)

(1)   Examinais as Escrituras. J. Sidlow Baxter. Vl 2. Pag 268

Walter da Mata.
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