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segunda-feira, 26 de maio de 2014




XÔ SATANÁS! 
  


      O verbo se fez carne e habitou entre os homens. Nada  é mais inspirador e nada é mais desafiador que a decisão divina da encarnação.
      Paulo usa esta “loucura  divina”, o desendeusamento,  para provocar  a   insensatez  humana  de   se divinizar. No texto de Fp 2, o desafio é um convite a humilhação, abrir mão de privilégios: “Tentem pensar como Jesus pensava. Mesmo em condição de igualdade com Deus, Jesus nunca pensou tirar proveito dessa condição. Quando chegou a hora ele deixou de lado os privilégios da divindade e assumiu a condição de escravo, tornando-se humano!         ... Ele não exigiu privilégios especiais, mas viveu uma vida abnegada e obediente, tendo também uma morte abnegada e obediente – da pior forma: a crucificação.” (Mensagem)
          Talvez o maior desafio da liderança cristã, não é o de liderar, mas o de servir. Nos evangelhos advertência de Jesus é que o modelo de ser o maior no reino de Deus, é o ser menor. No mundo, o líderes se assenhoreiam  dos liderados, mas “entre vós, não será assim”. Parece  que  esquecemos disto, pois o fazemos pelo poder, é algo assustador: manipulamos, sofismamos, chantageamos, subornamos, oprimimos, caluniamos, difamamos, ferimos e matamos.
        Jesus, quando percebeu a intenção do povo em fazê-lo rei, subiu a monte para orar, pois desde  inicio de seu ministério “os reinos do mundo” lhe foram prometidos e em todas as ocasiões ele soube rejeitar. O contrassenso,   é que esta parte do evangelho não nos empolga , pois o desejo de “reinar” sobre as pessoas é uma característica da liderança evangélica de nossos dias.        Ser humilde, servir, andar com as pessoas, morar e vestir de modo simples é entendido com sinal de fraqueza; a ostentação tem sido ensinada como forma de liderar, pois afinal, você é o que você tem e não você tem o que você é.
        É interessante a frase: “Jesus comia com a tropa”. A refeição fala muito de quem somos, tanto no que comemos e também com quem nos assentamos à mesa. Uma aberração da ostentação humana é termos gente se alimentando de ouro, Bolo de chocolate com ouro e diamante, capuccino com ouro em pó, em lugar da aromática canela, e assim por diante. Jesus se assentava com seus discípulos e comiam juntos, do mesmo pão e do mesmo peixe, pois não existe espaço mais íntimo de companheirismo  que  a  mesa de refeição.
       Entre muitas loucuras do  movimento evangélico, títulos mirabolantes, tronos, séquitos, mantos adornados a ouro, ainda não ouvi de alguém se alimentado de ouro e diamantes, (sem nenhum valor nutritivo), mas tem visto alguns querendo  dar a impressão de que estão ascendendo cada dia para um nível de divindade, sem entender que quanto mais humanos conseguimos ser, mais parecidos com o Deus encarnado nos tornamos;   e o quanto   divinos tentamos ser, mais nos satanizamos, a famosa “síndrome de lúcifer” fica mais evidente. Honrar o Deus do trono é pouco para tamanha  ambição, precisamos de um trono, onde as pessoas vão mencionar nosso nome, vão rogar nossos favores, mendigar um toque de nossas mãos, e assim seremos conhecidos em toda terra.
        Precisamos ouvir mais uma vez a solene lembrança de Paulo: “Tende em voz o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”. Seja Ele nosso ícone de liderança e poder e se por alguma razão formos honrados, façamos como os vinte e quatro anciãos, que lançavam suas coroas aos pés do que estava assentado sobre o trono.

       Seja a Ele glória para todo o sempre”
                        Walter da Mata


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