NAVEGUE AQUI

sexta-feira, 1 de agosto de 2014





UM DOS ERROS DE MINHA MÃE

     Mães sabem tudo, percebem o imperceptível e quando a gente vai com milho, ela já está com o fubá prontinho. Mas nem sempre é assim, minha mãe não acertou todas, mas não posso culpá-la, pois minha avó também cometeu o mesmo erro. Então,  perdoou minha mãe.
    Mas, de que mesmo estou falando? Admitindo publicamente um erro à minha mãe? Mães não erram, são sagradas, tem uma espécie de altar no coração dos filhos; mas ainda assim, minha mãe errou. Ela errou quando  disse que “mentiras tem pernas curtas”, mas não posso imputar-lhe  culpa, pois isso me parece ser uma verdade apenas na relação filho e mãe, onde o coração materno ouve  o que não foi dito, vê o que está escondido, uma espécie de sexto sentido, porém não serve para as demais relações.
    Nas convivências sociais, a mentira sofreu mutações, passou pelo circo e roubou do palhaço as pernas de pau; agora ela dá passos largos, percorre tempos e distâncias até antes inconcebíveis e penetra em todos os ambientes: nas relações comerciais, matrimoniais, na fraternidade das igrejas; na política então, se tornou velocista.
  As pernas de pau da mentira,  sempre cobertas com o manto multicolorido para impedir que a madeira crua e mal trabalhada seja vista, roubando assim, a beleza do espetáculo;  elas colocam nas alturas pessoas de caráter deformado, que vivem um auto engano, enquanto enganam a muitos, tirando proveito à cada passo.
   Os saltimbancos, sobre suas pernas de pau, não vendem engano, vendem alegria, eles não mentem, todos sabem que não são gigantes, mas causam muita admiração, por se equilibrarem em grandes alturas;  os que vendem engano, não tem pernas de pau, tem mesmo é “cara de pau”.
    Perdoe  mamãe, por expor publicamente seu erro.


Walter da Mata
COMPARTILHE:

Nenhum comentário:

Postar um comentário