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sexta-feira, 27 de novembro de 2015


SONRISAL DA SAUDADE!

          

Amigos podem zoar das mancadas dos outros amigos. Elas nos aproximam, pois onde não existe espaço para “caçoar”, não existe liberdade de alma.
         É assim que me lembro de meu amigo Adauto de Souza. Carioca, negro cheio de manha, nascido em Nova Iguaçu, bem humorado e pai de uma família cuja marca registrada é o sorriso largo e longo. Hoje, dele tenho lembranças e saudades, pois nos deixou há mais de dez anos.
         Nos anos 80, ele contava, rindo de si mesmo, a sua história hilária. Ainda garotão, vindo do interior para a cidade do Rio de Janeiro, famosa por boa malandragem, onde ninguém se deixava passar por bobo, ele observava todos os gingados,  modo de falar e as gírias, a fim de não demonstrar ser do interior e abrir brechas para ser passado para trás. Foi ao cinema pela primeira vez em sua vida. Conhecia apenas, pelo que ouvia dizer, tudo ali era mistério para o meu amigo, mas estava determinado não se deixar parecer arigó.
         Eram tempos de divulgação do “Sonrisal”, belas moças distribuíam a novidade na porta dos cinemas para tornar o produto conhecido. Meio assustado, recebe o produto e entra para seu primeiro filme.         Luzes se apagam, o som invade o ambiente e as imagens gigantes encantam seus olhos.  Ansioso com todas as novidades, lembrou-se que deveria ter comprado algumas balinhas para degustar durante a sessão. Agora era tarde, quem entra não sai e se sair tem que pagar novamente.
         Bingo! Lembrou-se do prêmio que recebera na entrada do filme. Abre a embalagem e começa a degustar o produto. Surpresa! Em poucos instantes, espuma efervescente  começa a sair de sua boca e nariz; lágrimas insistiam em rolar pelo seu rosto e não teve outra opção: passa apressado pelos corredores escuros, em busca das saída, pois estava sendo sufocado pelo Sonrisal.
         Isso tornou-se motivo de zoeira entre nós, pois sempre que estávamos juntos e algo novo nos era apresentado para comer, a história voltava à tona. Assim são os amigos, se permitem conhecer pelas mancadas que fazem parte de sua história, mas que trazem boas risadas, mesmo quando eles nos deixam para sempre.
            Saudades do rei do riso!





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quarta-feira, 18 de novembro de 2015











SAUDANDO A MANDIOCA

Saudemos a Manihot esculenta
Tuberosa e energética
Segredo que habita  casa de Mani
Deusa benfazeja do irmão Guarani

Aipim que sustenta o valente Tupi
No norte caboclo, farinha de Suruí
Sufoca a paixão  do Tupinanbá
Bebendo cauim, a dor vai passar

Na força do braço, trabalha o pilão
Moendo a Mandioca, da terra o pão
Da massa pro bolo, polvilho e  angu
Rico e pobre, comem beiju.

Minha  saudação a Mandioca

Walter da Mata 18/11/15
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