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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

REJEIÇÃO II



         Viver como rejeitado, focado nas negativas da vida e relembrando todos  os dias as perdas que poderiam ter sido vitórias, é um fardo muito pesado para se carregar. Os mais espiritualizados, vivem negando esse lado pesado da vida, mas quase sempre suas vidas fora dos holofotes, mostram exatamente o que se nega. Dizer que com Deus é só vitória, o que  concordo plenamente, se o conceito de vitória é que a vontade de Deus se estabeleça na vida, mesmo que isso represente perdas irrecuperáveis, lutas que parecem nunca findar; fatos bem ilustrados em Hebreus 11, na vida dos mártires da igreja e mais recentemente na igreja perseguida ao redor do mundo. É como nas  tribos onde se pratica corrida com toras pesadas sobre os ombros, a vitória não é se livrar da tora, mas em conduzi-la até a linha de chegada.
         Outra vertente a  ser considerada, é a  demonização da rejeição. Penso na rejeição como um fato humano que não livra a cara de ninguém, seja qual  for a crença  ou mesmo  na inexistência de qualquer credo, os seres humanos experimentarão rejeição. Também é fato, que os demônios, na condição de invasor que são, se aproveitam das fragilidades humanas e  tira proveito dessa fraqueza, potencializando o sofrimento ; e nesses casos, precisa-se discernir as vertentes espirituais e as humanas,  conduzindo o processo de libertação, seguido de cura das emoções.  A carta aos Efésios trata da ira como uma situação paralela; a ira não é demoníaca, mas “deixar o sol se por sobre a ira”  é remover uma estaca de proteção do ser, abrindo espaços para intervenções sobrenaturais do mal.
         Na busca por aceitação, quando não se é capaz de perceber  a resposta desejada, principalmente de quem, em tese, deveria ser referencial de  aceitação (Deus, pais e mães em especial), a tendência é caminhar para pior das rejeições: a auto rejeição, o não amar a si mesmo e não celebrar  a vida que se tem. Aqui não existe um problema, mas o “eu sou o problema, por isso não me aceitam”. Pessoas assim passam a vida carregando fardos para se sentirem aceitos, mesmo que por pena, isso acontece também com muita freqüência  na questão religiosa, quando vive-se tentando atrair o amor de Deus por meio de sacrifícios.
       Outra forma de lidar com  rejeição, é mascarar a dor pelo auto empoderamento.  Aqui o rejeitado se torna opressor, dominador, controlador e manipulador, numa tentativa de buscar aceitação por meio da força.  A Rejeição pode estar no cerne das ditaduras,  o ditador não recebe amor, mas seus liderados são doutrinados a declarar-lhe amor, pois sua maior batalha está dentro de si mesmo: me aceitem. Não consegue ser amado, mas se contenta em ser temido.
    A graça de Deus é a melhor resposta para a rejeição. Ele nos ama sem esperar nenhuma contrapartida. Ele nos amou em nossa condição de pecadores. ( Rm 5.8 ) O apóstolo João, traz maior clareza desse amor incondicional, quando escreve: “Vede quão grande amor nos concedeu o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus”.  
       A graça de Deus existe e está ao alcance de todos. Com uma breve oração, pedindo Jesus que é, a expressão visível, palpável e histórica desse amor, que entre no seu coração, um processo de cura se começará em sua vida.

                                                                                                 Walter da Mata    14/10/2016
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