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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

VOCÊ SÓ TEM UMA CHANCE




Somos seres que desejam, que sonham e que lutam muito para conquistar algo que não possuímos, mas que, em tese, desejamos muito. Achamos até que alcançaremos o topo da felicidade quando possuirmos aquilo que, o tempo todo, ocupa a nossa mente e emoções. Seria um tipo de “amor platônico”, amor pelo o que está distante, que ainda não alcançamos, mas que empreenderemos toda nossa energia para possuir o objeto do desejo.

Corremos atrás do carro dos sonhos, da casa ideal, da viagem à ilha da fantasia, da pessoa que injeta adrenalina e faz o coração disparar, da família perfeita e melhor que todas as que conhecemos, do tipo de amizade que só nos trará alegria, da formação que nos dará realização; enfim, nos tornamos caçadores do pote de ouro que sempre está do outro lado do arco-íris.

Dedicamos a vida para sermos felizes no futuro, depois de cada conquista descobrimos que a felicidade não mora lá. A casa dos sonhos suga nossa energia para mantê-la e ainda descobrimos que não era bem assim que queríamos, pois vimos que alguém teve uma ideia melhor que a nossa; então, a casa dos sonhos vira a nossa frustração. O amor dos sonhos, quando morava lá, não é o mesmo quando mora aqui. Esse amor tem crises, manias detestáveis e  não está ali para satisfazer nossos desejos, sempre na hora que queremos, pois é um ser possuído de vontades. Os amigos, que tanto sonhamos ter para nos alegrar, não suportam por muito tempo nossas manias, que insistimos serem “virtudes que nos caracterizam e das quais não abrimos mão para uma melhor convivência”; eles se afastam aos poucos.

            O tempo vai passando e vamos envelhecendo com a expectativa da vida ideal; mantemos muito bem guardado, nos porões da alma, um baú de frustrações com os outros e com a gente mesmo, mas sempre bem protegido pela maquiagem de um novo sonho que estamos prestes a realizar e que vai mudar nossa vida.

Que tal ouvirmos essa paráfrase do escritor de Eclesiastes: Vai come o teu pão com alegria, amanhã ele será um pão duro, sem cheiro e sem sabor;  sinta prazer na vida hoje, Deus tem alegria em sua alegria. Aprecie a vida hoje, com a pessoa que você escolheu para amar, com os   amigos de ontem e que ainda estão aqui hoje; não deixe a roupa nova no guarda-roupas, vista o melhor, não por causa do outro, mas porque sua alma está grata pelo dom da vida. Não permita que, em seu velório, sua história seja contada como alguém que não viveu os sonhos alcançados, porque a cada conquista, a felicidade foi protelada para o sonho seguinte. Então, agarre cada oportunidade de relacionar-se, com unhas e dentes, dê o melhor de si e com prazer, pois você só tem uma chance.

O dia de hoje é do dia de desfrutarmos melhor: a relação com Deus, com a gente mesmo, com a família, com amigos e com tudo o que já chegou às nossas mãos, pois a felicidade pode ser  desfrutada enquanto a chuva cai torrencialmente e não apenas além do arco-íris que aparece depois da tempestade.      
                                                                                                                    Walter da Mata
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