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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

SUICÍDIO DE PASTORES



O profeta Oséias declarou que a falta de conhecimento era o motivo porque o povo perecia. Não foram informados sobre a real situação e suas consequências. Penso que o mesmo não pode ser dito da maioria de nós pastores, pois nunca o conhecimento esteve tão disponível como em nossos dias.
Graduar-se em Teologia já foi símbolo de renúncia, afastamento da família e abandono de atividades profissionais. Hoje não, o conhecimento Teológico com graduação, está disponível  nas  igrejas,  polos de Faculdades semi presenciais, penitenciárias e no mundo virtual; então nosso problema não é falta de conhecimento, mas o que fazer com o conhecimento que temos, quando isso está ligado ao nosso cuidado pessoal.
Há algum tempo, a luz de alerta das crises pastorais está acessa, mas com o advento das redes sociais, aquilo que era privado ao contexto das igrejas e denominações, ganharam dimensão popular, o que acontecia  no mundo privado, agora é “pregado sobre os telhados”. Os dois casos mais recentes de suicídio pastoral dentro das Assembleias de Deus, ocuparam os telhados do mundo virtual, como se fossem raros, mas quem acompanha de perto o contexto eclesiástico, sabe que isso vem crescendo em todo o Brasil e em todas as denominações.
Pesquisas recentes, colocaram o ministério pastoral, entre os ofícios mais estressantes e claro que aqui eu coloco o ato de pastorear, que é bem diferente de dirigir igreja, pregar, participar de cerimônias religiosas, mas ao fato de conviver diariamente  com  as alegrias e dores das ovelhas, pois é aqui que as emoções são colocadas à prova o tempo todo; soma-se a isso, suas lutas pessoais consigo mesmo, com o casamento, família e limites físicos e emocionais.
Os pastores sabem disso,  não lhes falta conhecimento, mas lhes falta discernimento quanto a escolha de “fazer a obra de Deus” ou receber cuidado para suas vidas. Parece que aqui, cometemos mais um pecado, pois “aquele que sabe o que deve fazer e não faz, comete pecado”. Estar em um espaço para receber cuidado, pode demostrar fragilidades e isso é uma das coisas que assusta um pastor. Pastores ajudam, apoiam carregam, curam feridas, escutam as dores da alma, aconselham, visitam, entram nos valados e busca a ovelha desgarrada e muitos outros “atos heroicos”; então, não se imaginam em algum tempo, mudarem os papéis: de cuidadores, a pessoas que recebem cuidado! Então tocam a vida como se divino fossem, mas qualquer um pastor, sabe que é humano e frágil, e que precisa de apoio em suas crises.
As redes pastorais existentes no Brasil, disponíveis a criar estruturas dentro das denominações e fora delas, são oportunidades oferecidas para que os pastores recebam esse cuidado, mas caminhar em grupo de pastoreio mútuo  exige que o “super homem”, se torne apenas homem, exige que as agendas sejam repensadas e se abram espaços para o pastoreio; envolve disciplina para dedicar a cada quinzena um tempo de cerca de duas horas, por anos seguidos, e firmar relacionamentos de confiança para que Tiago 5.16 “confessai vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros para serdes curados”.

Walter da Mata
Esse não é um texto  sobre pastoreio mútuo, mas de quem vive desde 2003 a experiência do pastoreio.  Sou Pastor da Assembleia de Deus há mais de 30 anos e faço parte da Equipe MAPI 
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sábado, 23 de dezembro de 2017

TUDO MUDOU E NADA MUDOU




       Faltam menos de dois dias para a noite que foi escolhida para celebrar o nascimento de Jesus. Fico tentando imaginar esse "ratito de tempo", na perspectiva das pessoas na Judeia e Galileia. Tudo na vida das pessoas seguia seu curso natural: pastores cuidavam de seu ganha pão, preservando a vida do rebanho; o agricultor preparava a terra; as estradas estavam congestionadas de viajantes; a rede hoteleira faturava alto; o comércio estava aquecido pelo movimento das estradas; os soldados tentavam garantir a segurança; o governo impunha leis injustas e de controle; o tribunal maior do país era corrupto; os ritos sem vida do judaísmo seguiam a rotina; mulheres davam à luz e jovens se enamoravam e casavam.
       Mas, no plano superior uma mão regia os tempos e as estações que o Pai ordenara pelo seu próprio poder e no ventre de uma jovem que viajavam de Nazaré para Belém, gestava os últimos dias para que Jesus nascesse e mudasse a história da humanidade. Numa hora que ninguém esperava, Ele nasceu e a história se escreve aC e dC, quer você o aceite, ou não, a vida dos homens mudou com o Deus que se fez carne e habitou entre nós. Tudo mudou com Jesus.

      Ele viveu aqui, morreu crucificado como oferta pelo pecado de todos os homens, como prova do amor de Deus por nós: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deus seu Filho Unigênito, para que todo aquele que Nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna". 

      Depois de sua morte, ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus e assentou-se em seu trono à direita do Pai, mas antes de subir, prometeu que voltaria para buscar os que se tornassem seus discípulos.
      Cerca de dois mil anos se passaram e por aqui a história se repete; corremos pelo pão de cada dia, as estradas continuam engarrafadas, o governo continua injusto, e....

      Porém, a mesma mão que regia cada compasso da história, continua conduzindo a orquestra do tempo e num momento que ninguém espera, Jesus de Nazaré se manifestará em glória para escrever outro capítulo da história.

MARANATA!
                                                                                                                                        Walter da Mata
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

A VERGONHA DO EVANGELHO

Ouvindo o relato de Samuel Nelson, filho do Missionário  Nellis Nelson, pioneiro da obra a Assembleia de Deus no Brasil (1930 a 1950), quando de sua visita ao Museu da AD em Belém do Pará, me levou a uma análise de minha vida e da minha geração de pastores e de minha denominação. Somos essa potência evangélica, por ter homens em nossa história, como Nellis Nelson e outros semelhantes a ele.

Em tempos que temos ocupados as manchetes por escândalos morais e financeiros, por ter um número elevado de pastores sendo levado às barras dos tribunais; não por causa do nome de Cristo, mas por práticas que envergonham o nome de Cristo. Não é sem razão que a maior especialidade buscada pelos pastores, há muito deixou de ser na linha teológica, para migrar para o mundo do direito. Os advogados tem mais autoridade em nossas conclaves que os pastores. Isso envergonha o Evangelho

Observe a síntese da biográfica desse pioneiro:

Como homem:
·         Teve vontade de abandonar a missão: Foi ao Cais do Porto e em lágrimas  orou com não posta em um navio americano, pedindo a Deus que o removesse do Brasil diante de tanta escassez e sofrimento.
·         Coragem: enfrentou a evangelização no Piauí, em tempos de muita perseguição; tempos que ser evangélico, ou crente como éramos chamados,

Práticas:
·         1- Oração todos os dias 5h da manhã: entendia que buscar a Deus é fundamental para fazer a obra de Deus;
·         2- Ganhar almas para Cristo: a  missão maior e razão de existir da igreja. Levar as pessoas a deixar a idolatria, paganismo, a miséria dos vícios e abrirem o entendimento que só na pessoa de Jesus Cristo há salvação. O resto é engano;
·        3- Desapegado ao dinheiro: lhe faltava tudo, mas não lhe faltava desapego do pouco que tinha para investir na obra de evangelização do nordeste brasileiro;
·        4- Amoroso: “nisto conhecereis que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”;
·         5- Fiel: capacidade de suportar provações e tentações, sem negar a fé;
·         6- Honra a família e a igreja: sabia o lugar de cada uma em sua vida. Cuidou da igreja e cuidou da família;

Seus conselhos aos filhos e aos novos obreiros:
·         Nunca engane ninguém: Fale a verdade, viva a verdade, ande na verdade;
·         Pague suas dívidas: compre o que você pode pagar;
·         Mantenha nosso nome limpo: você representa Cristo na terra. Não envergonhe o Evangelho;
·         Seja bom crente: tenha compromisso com Deus e com a igreja;

Minha geração de pastores, marcada pela falta de integridade, verdade, disputa pelo poder e paixão descomunal em participar da política, assimilando e trazendo para os contexto eclesiástico o que de pior tem lá; e assim envergonhando o evangelho, precisa reencontrar o caminho da honra ao nome de Jesus, pois só assim teremos um legado a deixar, pois “reproduzimos segundo a nossa  espécie”. 
 
                                                                                                                          Walter da Mata




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