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sábado, 24 de março de 2018

O CRUCIFIXO NO SUPREMO TRIBUNAL





Só agora, véspera da Páscoa e assistindo o nível baixíssimo dos valores mínimos da “Suprema Corte”, é que me chamou atenção que toda a bandalheira ocorra sob um CRUCIFIXO, símbolo de que o ambiente ou a pessoa que usa, tem os ensinos de Cristo como base de suas decisões.
Alisto aqui, dois desses valores:
·         VERDADE: parece que ela só apareceu de relance nas palavras de Barroso, ao descrever seu parceiro de Toga e que pode muito bem se estender a outros;
·               JUSTIÇA: é quando a Lei é aplicada sem qualquer distinção.
Analisemos o crucifixo:
·                O crucifixo tem olhos, mas não vê; tem ouvidos, mas não ouve. Talvez isso explica a cegueira diante da verdade escrita na lei e os ouvidos moucos (lerdos, tontos, surdos) ao clamor por justiça em todo o Brasil;
·                Tem pés, mas não anda; tem mãos, mas não faz nenhum labor. Aqui justifica a paralisia dos atos processuais que dormem até caducarem, nas mãos dos “ilustres togados”;
·                Tem nariz, mas não tem olfato. Aqui chegamos ao ápice. Em todos os continentes já chegou o mau odor provocado pelos atos inapropriados da justiça brasileira.
      Mas, vamos a uma divagação: se o cristo que lá assiste fosse um ser vivo, o que ele diria aos “ilustres togados”?
“Perdoa-lhes, porque não sabem o que estão fazendo!” Isso ele não falaria. Eles sabem o que fazem. É tudo bem pensado e articulado, portanto, não são inocentes. Não merecem o perdão, pois nem mostram qualquer arrependimento diante de tantas ações inapropriadas a uma casa de justiça;
“Quem se achar sem pecado, que atire a primeira pedra”. Se ele assim falasse, todos atirariam pedras nos pares pois, quando abrem a boca na verborragia do “juridiquês”, mais parece um concílio de vestais;
“A Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”. Isso penso que também não falaria, pois nessa casa, coisas de Deus vão pra Cesar e coisas de Cesar vão pra Deus, tudo depende de quem está sendo julgado. Não há clareza na lei. Ninguém é de ninguém.
“O que contamina, não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca do homem”. Acho que isso ele diria, pois o que tem saído da boca da justiça dessa casa, tem contaminado o Brasil. Formou-se a cultura da impunidade.
Por fim, acho que ele diria ao espírito que rege a forma de interpretar as leis: “ARREDA-TE SATANÁS!”  Porque de Satanás está escrito: “ele mente desde o princípio”.
BOA PÁSCOA


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sexta-feira, 9 de março de 2018

ROUPA NOVA DO IMPERADOR




As roupas novas do imperador é um conto de fadas de autoria do dinamarquês Hans Christian Andersen, e foi inicialmente publicado em 1837, já se vão ainda quase duzentos anos e o conto de fadas cada vez mais saí do imaginário para entrar no mundo real. O que não falta em nosso tempo são líderes desfilando com suas vergonhas expostas e recebendo aplausos de um público “cego”.
O que faz um líder desfilar nu e se postar como se estivesse vestido? O comportamento de alguns personagens do conto, nos ajuda a começar a entender:
A vaidade do Imperador: Todo líder tem algum tipo de poder, até aí nada de errado, pois foi escolhido para exercer autoridade em prol dos liderados. O problema é quando esse “poder” passa se torna instrumento de seu ego. É o uso do poder para se tornar poderoso.  Desejo de ser aclamado e aplaudido por onde for. A ideia de um tempo de reclusão e reflexão, incomoda quem vive em busca da popularidade.
A habilidade dos “costureiros”: São os marqueteiros, venderam duas  grandes ilusões , como se realidade fossem. A primeira foi a descoberta de um tecido vindo de terras distantes, por isso tornou-se desejável, pois coisas importadas são as melhores, portanto ter algo inédito no reino, faz a pessoa se tornar especial, algo desejável a todo vaidoso. Segunda, só as pessoas inteligentes e sábias conseguiam ver e admirar o esplendor da roupa real. Essa foi a isca para cegar o rei e manipular a assessoria real e contaminar todos os súditos, numa espécie de histeria coletiva.
A omissão da assessoria do Imperador: Que se beneficiava de ter um líder de ego inflado e estimulava tal comportamento. Capaz de aplaudir todas as asneiras vindas dos discursos ocos e prepotentes do Imperador. Todos queriam passar por sábios e inteligentes, portanto nada de perguntas constrangedoras, nada de confronto diante de tanta manipulação.  Admitir que não se está vendo a “maravilha da última moda em Paris”, resulta em perder o cargo e os seus benefícios, portanto “me engana que eu gosto”. Todos aplaudiram o plano de gastar tudo, para financiar o nada, mesmo delapidando as riquezas do reino para alimentar o sonho ególatra.
O povo que serviu de massa de manobra: todos precisam aplaudir, pois a ideia de ser de uma elite sábia e pensante havia chegado até os rincões do reino. Todos precisavam pensar, ver e falar de forma igual. As cartilhas da escola infantil, com professores adestrados, passaram a ensinar sobre a roupa invisível e que se todos aplaudissem, algum dia todos vestiriam a mesma roupa, numa espécie de pacto social. Não haverá mais trabalhadores, todos serão da elite e desfilarão com roupas da nobreza.

Como todos descobriram o engodo?
Uma criança, que ainda não havia aprendido a se comportar como adulto, viver a mentira e da mentira. A criança vê o que está exposto e não o que está sendo dito, não está preocupada em passar uma imagem que não é verdadeira, não está numa disputa por algum privilégio, portanto se sente livre para expressar a verdade do desfile das vaidades.
Em Mateus 18, os discípulos de Jesus disputavam quem era o maior. Fico imaginado cada um sendo seu próprio marqueteiro, expondo suas realizações durante os quase três anos do ministério de Jesus, como se não bastasse um pouco de vaidade por ser um dos doze. Nesse contexto Jesus lhes ensina: “Quem não se tornar como criança, de modo algum entrará no reino dos céus”. Despidos de vaidades, de formar seu próprio reino, de se achar digno de algo acima dos outros, incapazes de vender sua consciência em nome de alguns privilégios oferecidos.  
A visão de ser líder no Brasil, tanto política como no contexto eclesiástico, está impregnada do sonho de uma “roupa invisível” e não faltam marqueteiros para oferece-las e nem “súditos” que se alimentam da mesa do rei, aplaudindo a nudez, como se vestes reais fossem. Nossos líderes desfilam suas vergonhas e são aplaudidos nas ruas, palanques e nos púlpitos, porque nosso lado criança foi roubado pelos marqueteiros, enquanto nutriam nossas vaidades.
Esse ano de 2018, é tempo de eleições, o que não vai faltar é gente vaidosa buscando uma roupa nova e marqueteiros para alimentarem seus egos. Que possamos ir ao desfile com olhos infantis de não aceitar a mentira, como se verdade fosse.
Boas eleições!
                                                                                                                                             

                                                                                                                             Walter da Mata


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