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domingo, 12 de agosto de 2018

MARCAS DE UM PAI




       No pântano do Alasca, a vegetação verde musgo se mostrava um ambiente ameaçador, mas por alí, por séculos, estava a trilha dos Ursos que habitam a ilha de Chichagof. Na travessia, rumo as reservas de alimento, os filhotes caminham sobre as pegadas dos adultos, colocando suas patas exatamente sobre o lugar onde os adultos pisavam. O macho líder guia sua família e assim garante confiança aos aprendizes, pois um dia eles terão que fazer esse percurso sem a presença física do pai, mas cada trecho da caminhada estará impregnado pelas escolhas, gestos e ruídos deixados em suas memórias. Entre animais e homens as gerações se seguem sobre os passos dos ancestrais, daí a importância de avançar para o futuro, com uma boa leitura do passado, pois por mais que se encante com o novo, foi a jornada passada que garantiu o estar aqui hoje.
      Nesse dia dos pais do ano de 2018, quero honrar a memória de meu pai, por algumas marcas que deixou para que seus pequenos "ursos", hoje homens, pais e avós, pudessem caminhar, enquanto deixam suas próprias marcas para as gerações que se seguem. 

Marca 1: "Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele e Ele o fará". 
Marca 2: "Homem de verdade tem o couro da mão mais grosso que o couro da cara". Trabalhe para não passar vergonha. 
Marca 3: Viva num lugar de tal maneira que você não tenha vergonha de voltar lá. Deixe boas marcas e lembranças. 
Marca 4: Não deixe dívidas, para que não tenha que desviar seu caminho, com medo de encontrar seu credor; 
Marca 5- Honre sua família.
Marca 6- Viva na verdade; 
Marca 7- Deixe algumas coisas para trás, pois tem coisa que quanto mais mexe, mais fede. Perdoe e siga em frente.
Assim vivo esse dia, marcado por saudade e boas lembranças!

Que nós pais possamos deixar uma trilha clara e segura para nossos filhos!
Feliz DIA DOS PAIS
Obrigado Pai Francolino da Mata por ter deixado um caminho marcado para seguirmos!
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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

NUTRIR-SE DO OUTRO





“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros”.  Gálatas 5:15
Os relacionamentos são o grande desafio do ser humano, pois diferente dos outros seres, temos a escolha de odiar, brigar, irar, agredir, desprezar e matar, mas também podemos escolher amar, acolher, cuidar e valorizar a vida do outro.
Antropofagia  ou canibalismo é a ação de comer carne humana, que “era praticada em rituais esotéricos como forma de quem come incorporar as qualidades do indivíduo que é comido, como a bravura e a coragem de um guerreiro derrotado”. Na melhor clareza dos humanos, tal prática caminha para a extinção e quando acontece é criminalizada. Com isto, já não  se devora fisicamente os semelhantes, mas na mente humana ainda está plantado o pensamento de que o outro é para ser devorado, eliminado e ainda ser nutrido com tudo o que ele representava de impedimento de ser o maior, mais poderoso, exercer maior controle e ocupar todos os espaços.
Ainda não se aprendeu a olhar o outro pela janela do coração; as vísceras digestivas ainda permanecem desejando que o outro não exista, pois, quem já não ouviu a expressão: “a presença dessa pessoa faz meu estômago revirar”? Isso prova que a relação é ainda digestiva. Evaristo Eduardo, disse que: “Não devorar o outro é o maior desafio da ascensão humana” (1). Migrou-se do estômago para as emoções.  Gasta-se muito tempo planejando como o outro pode deixar de existir e assim liberar o desejo de  unicidade do devorador.
Isso está no DNA das empresas, da política, da religião, do esporte e em todas as áreas onde o belo seria cooperar e não devorar. O apóstolo Paulo apresenta o amor como o único meio de vencer o desejo de destruir o outro.  “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”. Gálatas 5:14-17
Está claro que o canibalismo emocional, desejo de suplantar e remover o outro, só pode ser vencido pelo “andar em Espírito”, que necessariamente produzirá o fruto próprio do Espírito que é o Amor. Sobre isso, o pastor Isaltino Coelho, escreveu: A liberdade que temos para fazer o que queremos é limitada pelo amor. Quem ama nunca agirá de maneira a fazer mal a outra pessoa. E o primeiro fruto que mostra a presença do Espírito na vida da pessoa, escreve o apóstolo, em 5.22, é o amor.  A construção gramatical deste versículo é curiosa. Paulo fala de fruto, mas alista nove atributos. Na realidade, o fruto é o amor. Os oito outros atributos alistados são o amor em ação.”
O andar no Espírito, fará produzir de forma natural o fruto do que é próprio do Espírito, do mesmo modo como um abacateiro produzirá abacates, sem ter que fazer nenhum malabarismo para isso. Quem anda no e com o Espírito de Deus, nutrirá seu ambiente com: “afeição pelos outros, vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo de sagrado em toda a criação e nas pessoas” (Gl 5. 22-23 A mensagem). Isso é fantástico, a árvore que produz o fruto fará isso para que os outros sejam saudáveis. Quem “come do outro” se mantém saudável, quem “devora o outro” elimina sua fonte de saúde.
As relações saudáveis são aquelas que reconhecem no outro virtudes maravilhosas e ímpares, e que essas precisam ser preservadas, nutridas para que a vida seja completa por meio da cooperação de cada um. Ninguém será melhor se o outro for devorado; o mosaico da vida ficará incompleto pela ausência do outro.
Que o devorar continue existindo entre os seres irracionais, que se nutrem fisicamente com a morte do outro e assim garante sua existência, mas que seja banida das relações humanas, pois somos nutridos pela vida do outro e não pela destruição.

                                                                                                      Walter da Mata
1    1- O CORPO – território do sagrado. Pg 124

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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A IGREJA SEMPRE PRESENTE



       Os tempos passam e a igreja, apesar das falhas humanas, sobrevive aos mais diversos ataques contra sua existência. Para muitos, ela não deveria existir, para outros muitos, ela foi e é a única possibilidade de continuar existindo. Jesus de Nazaré, o líder maior da igreja, tem transformado vidas, resgatado homens e mulheres da degradação, para uma nova vida.
Isso não faz da igreja uma perfeição, onde há humanos, a imperfeição e muitas vezes a perversão se faz presente. Mas isso não anula o valor da igreja verdadeira que caminha nos passos de Jesus e que tem servido de testemunha da presença visível dele entre os homens.
       Entre os que a combatem, tem os que nunca se aproximaram para conhece-la, falam do que não não conhecem; nunca viram a manifestação do "Verbo que se carne e habitou entre nós", então a criticam por desconhecimento. Mas outros a combatem por conhece-la, sabem de suas virtudes e conhecem os seus males, mas escolheram caminhar longe dela. Afinal, para eles, ela não evoluiu, seus cânticos arcaicos, seus sermões cansativos, a liturgia repetitiva e as restrições maiores que as liberdades.
      Ao contrário desse discurso, muita coisa mudou no contexto eclesiástico: sermões bíblicos e contextualizados com as crises do ser; liturgia mais leve e com participação de todos; as liberdades se ampliaram de um código de certo ou errado, para uma vivência experimental da graça divina sustentada pelo amor de Deus; a hinódia ganhou livre poesia, saiu da métrica do ritmo quaternário e da rima, para a inspiração livre; então ela mudou não não migrou da pessoa de Jesus de Nazaré.
Então, quem ama, ama; quem aborrece, aborrece. Aí surgem os discursos saudosistas de quem escolheu caminhar longe da igreja: "antigamente tudo na igreja era melhor". Só não entendo porque escolheu ficar de fora, quando tudo era melhor.
      Com certeza a vida de cada um passou por transformações, pois tudo que é vivo se transforma e renasce a cada dia, caso contrário, mumifica. A igreja está renascida e se renovará sempre para alcançar aqueles que sedentos de Deus, reconhecem que para caminhar com o Eterno, precisam de graça e de amor para caminhar com os outros humanos imperfeitos.
     Bem vindo ao lugar dos imperfeitos, que sabem de suas imperfeições e buscam uma comunidade de iguais para juntos entrarem num processo de aperfeiçoamento, seguindo os passos Jesus de Nazaré.
                                                                                                    Walter da Mata
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