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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

NUTRIR-SE DO OUTRO





“Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros”.  Gálatas 5:15
Os relacionamentos são o grande desafio do ser humano, pois diferente dos outros seres, temos a escolha de odiar, brigar, irar, agredir, desprezar e matar, mas também podemos escolher amar, acolher, cuidar e valorizar a vida do outro.
Antropofagia  ou canibalismo é a ação de comer carne humana, que “era praticada em rituais esotéricos como forma de quem come incorporar as qualidades do indivíduo que é comido, como a bravura e a coragem de um guerreiro derrotado”. Na melhor clareza dos humanos, tal prática caminha para a extinção e quando acontece é criminalizada. Com isto, já não  se devora fisicamente os semelhantes, mas na mente humana ainda está plantado o pensamento de que o outro é para ser devorado, eliminado e ainda ser nutrido com tudo o que ele representava de impedimento de ser o maior, mais poderoso, exercer maior controle e ocupar todos os espaços.
Ainda não se aprendeu a olhar o outro pela janela do coração; as vísceras digestivas ainda permanecem desejando que o outro não exista, pois, quem já não ouviu a expressão: “a presença dessa pessoa faz meu estômago revirar”? Isso prova que a relação é ainda digestiva. Evaristo Eduardo, disse que: “Não devorar o outro é o maior desafio da ascensão humana” (1). Migrou-se do estômago para as emoções.  Gasta-se muito tempo planejando como o outro pode deixar de existir e assim liberar o desejo de  unicidade do devorador.
Isso está no DNA das empresas, da política, da religião, do esporte e em todas as áreas onde o belo seria cooperar e não devorar. O apóstolo Paulo apresenta o amor como o único meio de vencer o desejo de destruir o outro.  “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros. Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis”. Gálatas 5:14-17
Está claro que o canibalismo emocional, desejo de suplantar e remover o outro, só pode ser vencido pelo “andar em Espírito”, que necessariamente produzirá o fruto próprio do Espírito que é o Amor. Sobre isso, o pastor Isaltino Coelho, escreveu: A liberdade que temos para fazer o que queremos é limitada pelo amor. Quem ama nunca agirá de maneira a fazer mal a outra pessoa. E o primeiro fruto que mostra a presença do Espírito na vida da pessoa, escreve o apóstolo, em 5.22, é o amor.  A construção gramatical deste versículo é curiosa. Paulo fala de fruto, mas alista nove atributos. Na realidade, o fruto é o amor. Os oito outros atributos alistados são o amor em ação.”
O andar no Espírito, fará produzir de forma natural o fruto do que é próprio do Espírito, do mesmo modo como um abacateiro produzirá abacates, sem ter que fazer nenhum malabarismo para isso. Quem anda no e com o Espírito de Deus, nutrirá seu ambiente com: “afeição pelos outros, vida cheia de exuberância, serenidade, disposição de comemorar a vida, senso de compaixão no íntimo e a convicção de que há algo de sagrado em toda a criação e nas pessoas” (Gl 5. 22-23 A mensagem). Isso é fantástico, a árvore que produz o fruto fará isso para que os outros sejam saudáveis. Quem “come do outro” se mantém saudável, quem “devora o outro” elimina sua fonte de saúde.
As relações saudáveis são aquelas que reconhecem no outro virtudes maravilhosas e ímpares, e que essas precisam ser preservadas, nutridas para que a vida seja completa por meio da cooperação de cada um. Ninguém será melhor se o outro for devorado; o mosaico da vida ficará incompleto pela ausência do outro.
Que o devorar continue existindo entre os seres irracionais, que se nutrem fisicamente com a morte do outro e assim garante sua existência, mas que seja banida das relações humanas, pois somos nutridos pela vida do outro e não pela destruição.

                                                                                                      Walter da Mata
1    1- O CORPO – território do sagrado. Pg 124

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