NAVEGUE AQUI

sábado, 11 de maio de 2019

Se as mães fossem...






Se as mães fossem flores,
Poderiam ser rosas, hortênsias
Ou as simples margaridas
Mas que fossem sempre vivas!

Se as mães fossem astros
Poderiam ser lua estrelas
Ser o sol que surge todo dia
Mas nunca passassem com os cometas

Se as mães fossem árvores
Poderiam ser belas como ipês
Brancos, roxos, rosa e amarelos
Mas centenárias como os carvalhos

Se as mães fossem fontes
Poderiam ser arroios ou igarapés
Rios calmos ou belas cachoeiras
Mas sempre abundantes como os mares

Se as mães fossem o tempo
Encarnariam todas as estações
Primavera, verão, outono e inverno
Então não passariam, seriam eternas

Mães são humanas, anjos temporais
Belas como as flores, luminosas como astros
Fortes como árvores, fonte perene de vida
Necessárias como as estações

Vieram pra ficar, no corpo e no coração
Seja o filho adulto ou de tenra idade
Quando na terra encerram sua missão
É boa recordação, uma canção de saudade!

Walter da Mata            11/05/2019



COMPARTILHE:

domingo, 10 de março de 2019

ÚLTIMO TOQUE




O artista olha o quadro
Com ar de admiração
Antes de baixar o pano
Retorna a tinha à mão

Entre os vegetais
Nada a retocar
Nos astros celestes então
Só coisa pra admirar

Observou cada animal
Nada  a acrescentar
Em pares se  reconhecem
Todos a celebrar

Já ia baixar o pano
Seus olhos enxergam um borrão
Lágrimas nos olhos do homem
Manchavam a criação

Se recusou assinar
Pois queria a perfeição
Chegou mais perto pra ver
Encontrou a solidão

A lágrima dissolve a tinta
Adão sozinho, triste é;
Espaço se abre na tela
Onde se encaixa a mulher

A criação é assinada
O pano cobre a tela
O criador reconhece
A obra é perfeita com ela

Walter da Mata  10/03/2019


COMPARTILHE:

O SILÊNCIO E A VOZ




A alma tenta fugir à realidade
Coagida pelo coração a palpitar
Empurra o corpo ao deserto
Quer apenas ouvir, nada a falar

O arauto da anunciação
Que a espada de Herodes fez calar
Sepulcro está o corpo acéfalo
O maior entre nascidos de mulher

O Divino entre os homens
Deles agora quer se afastar
O silêncio da voz no deserto
Faz sua alma chorar

A multidão no deserto é despedida
Leva saúde,  compaixão e pão;
Passos lentos ao cume do monte
O divino homem busca a solidão

A morte de João antecipa o cálice 
 No topo, o silêncio e a oração
A conversa particular com o Pai
Renova sempre, a força da missão.

                                                       Walter da Mata

COMPARTILHE:

sábado, 26 de janeiro de 2019

VALE DE LAMA






Quanto vale a Vale
Agora que a lama escoou
Cobrindo de barro
A vida vinda do barro?

Lama acumulada
Pessoas no vale
A Vale não percebe
O quanto a vida vale

Vale é lugar fundo
Espaço de depressão
A vida se escoa
O Homem já não vale

O vale feito na Vale
Garante da família o pão
O dinheiro já não vale
Se a morte levou o peão

Homens, mulheres
Crianças e também animais
A vale  joga lama
A vida dos profissionais

A Vale de muito dinheiro
Jogou no vale da morte
Ribeirinhos lutadores
Da terra tirando a sorte

A vida nada vale
Quando a Vale faz a conta
O vale que indeniza
Pro morto nada adianta

Walter da Mata 26/01//2019





COMPARTILHE:

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

ANO NOVO




      Tudo de Novo
      Tem renovo
      Nada de novo
      Mas tudo é novo
      Pra quem faz novo
      O que novo não é

              Não foi novo
              Porque nada é novo
              Pra quem novo não é
             Se não nasceu de novo

     O que é novo
     Vem do ovo
     O ser novo
     Pra viver o novo
     E gerar de novo

           Renovo de novo
           Feliz ano novo
           Que faças novo
           Todo dia novo
           Nascendo de novo!

                                                                      Walter da Mata
                                                                        01/01/2019

COMPARTILHE: