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domingo, 5 de julho de 2020

QUE VINHO FOI ESSE?




Eles estão bêbados! E com vinho barato!” At 2.13 (A mensagem)

Essa acusação foi feita aos cento e vinte discípulos de Jesus, no dia que Jerusalém estava recebendo judeus da dispersão e prosélitos ao judaísmo, oriundos de todas a nações da terra. Quando peregrinos  Partos, medos e elamitas; habitantes da Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, Ponto e da província da Ásia, Frígia e Panfília, Egito e das partes da Líbia próximas a Cirene; visitantes vindos de Roma, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. Atos 2.9-11; ouviram galileus indoutos, falarem em seus idiomas, de forma clara e audível, sobre os grandes feitos de Deus, perguntaram: O que está acontecendo aqui?” At.2.12
Que safra de vinho tem essa capacidade?
 Que vinho foi esse que eles tomaram, que quem dele bebe...
1.      Começa a falar em outras línguas, que nunca estudou?
2.      Em lugar de falar tolices e agressividades, começa a falar dos feitos grandiosos de Deus?
3.      Prega com ousadia a ressurreição de Jesus de Nazaré?
4.      Recebe lucidez para percorrer em num mesmo sermão, os livros da lei, Salmos e profetas, para provar que Jesus é o Cristo, Messias prometido?
5.      Manifesta autoridade para ordenar a um coxo de nascença, que se levante em nome de Jesus, o Nazareno, e o coxo levanta, salta e corre, celebrando sua nova vida?
6.      Deixa a timidez e o medo das autoridades religiosas e se expõe ousadamente diante do Sinédrio, mesmo sob ameaças?
7.      Não se recusa a ser testemunha daquilo que viu e ouviu?
8.      Olha para multidão, vê sua  necessidade e contribui  voluntariamente?
9.      Promove comunhão, celebra o partir do pão e se reúne para orações?
10.  Se deixa conduzir pelo Espírito, como Filipe, que é arrebatado  de Samaria para Gaza, só pra evangelizar um eunuco etíope?
11.  Recebe autoridade que veio sobre Pedro,  para trazer Dorcas à vida?
12.  Vê, conversa e segue um anjo, enquanto, grilhões caem dos pés, guardas nada percebem, portões da fortaleza se abrem, escapando da espada de Herodes?
13.  Entende que o mesmo Espírito está agindo na vida do Centurião Cornélio, por isso sai de Jope para pregar em Cesaréia, e vidas se convertem e são batizadas?
14.  Perde o medo e timidez de assumir publicamente sua fé e torna-se, “testemunha em Jerusalém, Judéia, Samaria e até os confins da terra”?
15.  Transtorna todo o Império Romano com testemunho de que Jesus Nazareno, que foi morto, está vivo?
16.  Declara que “Deus ungiu a Jesus de Nazaré, com Espírito Santo e com poder; o qual andou fazendo o bem, curando todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele?
O mesmo vinho, que embriagouos discípulos em Jerusalém, no dia de Pentecostes, formando a primeira comunidade cristã,  atua até hoje:
·         Mantendo seu poder de ação,  por meio de uma igreja poderosa em toda a terra;
·         Levantando pessoas, em plena pandemia, para atuar nas frentes missionárias, salvando vidas, com risco das próprias vidas;
·         Fazendo candidatos a missões manterem acesa a chama de irem ao campo, não “tendo suas vidas por preciosas”;
·         Impulsionando pessoas a renunciarem seus próprios sonhos, para viverem o projeto de Deus;
·         Anunciando que o mesmo poder está disponível depois de dois mil anos, “para nós, para nossos filhos, para os que estão longe e para tantos quantos, Deus nosso Senhor chamar”;
O fruto da Videira verdadeira continua fluindo do mesmo lagar e será  assim, até que Ele venha!
Venha e beba                                                                Walter da Mata     05/07/2020
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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Soldado desprotegido e solitário não vence a guerra!

Uma reflexão sobre a importância dos grupos de apoio e do cuidado intencional no exercício do ministério

                       Por Walter da Mata

O exército era fantástico!

Nada menos que quatrocentos mil homens escolhidos em Israel, todos armados, alguns com espadas, lanças, escudos, fundas e outros objetos de ataque ou defesa, levando a tiracolo cantil com água e pequena provisão alimentar. Não se sabia quanto tempo duraria a batalha e convencionou-se que ninguém poderia retornar para casa antes do fim da missão contra os benjamitas¹.

Foi então que um grupo de quarenta mil homens formou uma rede de apoio para nutrir e cuidar dos que estavam no front. De cada cem, tomaram dez, cem de mil e mil de dez mil, assim o escritor do livro de Juízes estabelece o princípio de que, pelo menos, dez por cento da força deveria ser investida no cuidado. Isso era questão de sobrevivência, não apenas uma medida para vencer a batalha, mas uma forma de autocuidado. Não ter esse grupo de apoio era guerrear contra si mesmo.

Nós, pastores e líderes, temos viva a ideia de que nossa missão é uma batalha no mundo espiritual e emocional, com implicações diretas no corpo físico, pois nada do que fazemos no mundo espiritual e do que acontece no campo das emoções está fora do corpo, que exerce a função de um “para-raios”. Considerando essa perspectiva de que nosso corpo não sente apenas os impactos físicos, mas emocionais também, não é raro ver gente de liderança doente no corpo como resultado de feridas na alma.
"Não é raro ver gente de liderança doente no corpo
como resultado de feridas na alma.”

Dez por cento que faz a diferença

Temos familiaridade com expressões como: “as armas da nossa milícia”, “nossa luta não é contra carne e sangue”, “batalhar pela fé que uma vez foi entregue aos santos”, “lutas internas e externas” e “foi-lhe permitido fazer guerra aos santos”, que de alguma forma expressam a tensão vivida pelos que ministram no reino de Deus: a chamada batalha espiritual em meio a esse mundo tenebroso.

Ora, se aceitamos o princípio de guerra, devemos acatar também o princípio do cuidado: o de aplicar pelo menos dez por cento dos nossos recursos para manter-nos saudáveis em meio à batalha. Esses dez por cento precisam ser investidos em saúde física, emocional e espiritual. Para que isso aconteça, há necessidade de que pelo menos dez por cento do material humano seja formado por cuidadores, mentores, conselheiros, terapeutas e intercessores.

Enquanto a batalha acontecia, um grupo quarenta mil homens carregando água, alimentos, logística de descanso, medicamentos e segurança às famílias dava suporte ao pessoal do front. Um exército de homens com equipamento de apoio e cuidado pode definir o sucesso ou o fracasso na frente de combate, isso fica evidente no ato que Barzilai, o gileadita, faz ao rei Davi, anos mais tarde. Quando fugiu de Absalão, ele “trouxe cama, bacias, trigo, cevada, mel, manteiga..., pois no deserto o povo estava cansado e faminto”. Ao longo da história, muitas guerras foram perdidas por falta de uma boa estrutura de suporte.
"Ao longo da história, muitas guerras foram perdidas
por falta de uma boa estrutura de suporte.”

Paulo, na Carta aos Efésios, monta um grupo de apoio de intercessores; na Carta aos Filipenses, um grupo de suporte às necessidades físicas. Além disso, evidencia que recebeu apoio emocional de companheiros como Lucas e Timóteo.

Desempenhar esse papel — o de ser parte de um exército de cuidadores — é o coração de Homens Mentores. Queremos incentivar cada pastor e líder a investir tempo para receber cuidado e, como numa rede virtuosa, investir no cuidado a outros, tornando-se também um agente de suporte a quem está no “campo de batalha”. Vivemos para isso, fomos equipados para isso e amamos isso!

Não excluímos as muitas intervenções divinas do cuidado de Deus em relação a nós, pastores e líderes, mas o mesmo Deus que enviou um anjo em meio à tempestade para consolar, confortar e animar Paulo é o Deus que envia Timóteo para ser seu consolo pouco antes de sua morte, em Roma, provando que homens precisam de Deus mas também que homens precisam de homens.

Estamos espalhados pelo Brasil, em grupos de cuidado e equipes de treinadores, para fazer parte do cuidado de Deus em sua vida.

Para concluir, gostaria de convidá-lo a refletir sobre as seguintes perguntas:

  • Quanto de seu tempo é usado para investir em favor de si mesmo? Caso sua resposta lhe traga insatisfação, como poderia mudar tal quadro?
  • Qual é o valor de ter um grupo de pessoas voltadas para o cuidado de quem está na frente de batalha? Você participa de algum grupo? Caso não, como poderia engajar-se em uma iniciativa assim?
Estamos à disposição para dar suporte a você.

Para saber mais sobre nosso trabalho, navegue por nosso blogue ou acesse nossas redes sociais @homensmentores.

Referência:
¹ Juízes 20. 8-11

Foto de Stijn Swinnen em Unsplash
Texto originalmente publicado no www.homensmentores.com.br
Walter da Mata
Missionário Sepal e integrante do Ministério Homens Mentores, foi pastor por trinta anos da Assembleia de Deus Manancial – Sobradinho (DF).
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segunda-feira, 4 de maio de 2020

CUIDANDO DOS NEGÓCIOS DO PAI..




Uma perspectiva sobre administração eclesiástica...




“O termo negócio provém do latim “negotĭum”, que é um vocábulo formado por nec e otium (“aquilo que não é lazer”). Trata-se da ocupação, da atividade ou do trabalho que se realiza com fins lucrativos”.
Jesus, no Evangelho de Lucas, referiu-se as atividades junto às pessoas, como o negócio do Pai, cujo lucro ou resultado esperado é resgatar a conexão do homem com Deus. Esse era o negócio de Jesus: revelar o Pai e atrair pessoas a entrarem no reino de Deus. Todos seus atos nos evangelhos tinham um lucro previsto: pessoas saindo do reino das trevas, da obscuridade, da escravidão do pecado e da dominação religiosa, para uma conexão de amor com o Pai. Não existe ganho maior.
Quando Jesus pergunta: de que vale ao homem ganhar tudo que tem no mundo e, no balancete final, perder a sua alma? Temos aqui uma perspectiva de valor, de administração da vida e de como se gerencia um negócio: não tratar a vida sem dar a ela o devido valor.  Um dos papéis da igreja é catalisar o encontro do ser que perdeu o valor da vida, com o próprio Senhor da vida.  Esse é o lucro maior do negócio do Pai.
A igreja, corpo de Cristo, em qualquer lugar que se reúna, precisa encarnar essa verdade transcendente, em meio à necessidade de gerir as questões pertinentes a uma instituição civil, com obrigações junto a seus membros e ao Estado. Aqui, entram planejamento, controle de processos, organizar os recursos humanos, materiais e financeiros, próprios de qualquer empreendimento, sem com isso perder a visão que, embora a igreja seja institucional, é acima de tudo um negócio do Pai.
No livro de Gênesis, temos o registro de um dos maiores administradores da Bíblia, José, filho de Jacó. Sua atuação no Egito é um mestrado em administração, tudo o que ele punha a mão era bem sucedido. Na condição de mordomo, fez prosperar a casa de Potifar e o que mais me impressiona é a percepção  de que aquele negócio era, em primeira mão, um negócio de Deus e depois um negócio de Potifar, o capitão da guarda.  Sabia o que lhe pertencia e o que não era seu. Quando se nega a ir para cama com a mulher do patrão, ele declara que ceder a tal procedimento era primeiro um pecado contra Deus e depois contra seu senhorio; isso mostra que quem é de Deus sabe que, ao exercer qualquer atividade, está cuidando de um negócio que é do Pai.  José viveu essa perspectiva nos negócios do Pai, na casa de Potifar, na gestão do cárcere real e depois como administrador geral do Egito. Então na igreja, não basta não se prostituir, precisa gerir bem as coisas, recursos e o dinheiro; tudo é negócio do Pai.
A prestação de contas é outro aspecto bíblico da administração, ela aparece no livro de Esdras; pois quando ainda na Pérsia, recebe ouro, prata e bronze em grande quantidade para empregar na reconstrução do templo em Jerusalém. O que ele faz? Nomeia uma equipe de administradores, pesa o tesouro e anota na frente deles e deixa claro que os valores eram ofertas consagradas ao Senhor, como também os administradores eram consagrados ao Senhor e que deveriam prestar contas dos valores diante dos sacerdotes e levitas que estavam em Jerusalém.  A caravana chega a Jerusalém e temos um balancete digno de ser imitado: “Tudo foi contado conforme o número e o peso”.

“Vós e esses objetos são consagrados ao Senhor” Ed 8.28

 Pessoas e recursos eclesiásticos não pertencem aos pastores, pertencem a Deus.

Gestão de pessoas. Aqui se aprende com Neemias: construir um Muro de pedra é mais fácil que gerir pessoas. A forma como distribuiu as pessoas na construção do muro é algo digno de nota: cada um edificava a porção do muro em frente à sua casa. Nada mais motivador que alguém esteja trabalhando em algo que proteja seus familiares, nem por isso foi poupado de acusações.
Na distribuição dos recursos. Antes dele, a provisão da casa do governador exigia do povo empobrecido um encargo, que embora fosse legal, naquele  contexto de pobreza, não era moral, portanto, durante doze anos, ele se recusou a receber mais do que sua função junto ao rei. Nada exigiu do povo.

A única razão era o temor a Deus. 5.15

Está  a chave da gestão de recursos: “Não exigi demais para mim, como os outros governadores que me antecederam e  não o fiz por causa do meu temor a Deus”
Neemias estabelece um princípio para administração eclesiástica: o temor do Senhor.

Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas, e não coisas, são o maior patrimônio de uma igreja. Foi por elas que Jesus morreu e é por meio delas que o Evangelho vai alcançar o mundo.

O grande desafio é não transformar “os negócios do Pai” em negócio pessoal. Foi isso que Jesus disse ao purificar o templo: “não façais da casa de meu Pai, casa de negócio” (RA).
A forma como se administra pode transformar esse negócio chamado igreja, numa igreja chamada negócio. Quando isso acontece, os valores eternos são substituídos pelos valores materiais e temporais.  O templo com seus negócios “sagrados” de venda dos aparatos para o sacrifício, com ganhos advindos das bancas de câmbio de moedas estrangeiras, perdera seu significado de “negócio do Pai” para ser o negócio dos homens, por meio de ganho nos serviços de culto, no qual o foco não é Deus, mas o ganho pessoal.
O estilo de vida de quem decide viver do Evangelho tem como base o contentamento, nem pouco e nem muito, apenas o suficiente para uma vida digna; quem deseja viver acima disso, o que é legal, moral e desejável, que entre no mercado formal de trabalho e busque ser negociante das coisas terrenas, nas quais o ganho é fonte de lucro, pois o ministério é exercício da piedade e  “a piedade não é fonte de lucro”.
A forma como uma pessoa gerencia recursos materiais fala muito sobre quais são seus valores, e define o quanto se pode confiar a ela as coisas espirituais. Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?
Lucas 16:11

Walter da Mata
04/05/20
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segunda-feira, 13 de abril de 2020

MEMÓRIAS DE UM ENFORCADO









“A vingança é um prato que se come frio.”

 Não se reage ao insulto no calor das emoções, aguarda-se o tempo passar, o assunto sair das manchetes e aos poucos as rodas de conversas já não o abordam e quando alguém se atreve a trazer à lembrança, todos dizem: isso é coisa do passado e mudam logo o rumo da prosa. Mas para o ferido, que por razões diversas não tratou da mágoa, a dor corrói silenciosamente o íntimo do ser, os dias são lentos e aos poucos a corda da emoção já vai apertando o pescoço, limitando a respiração, numa espécie de enforcamento em pequenas doses, pois são contados minuto a minuto para celebrar a vingança ou até mesmo ser protagonista dela.

Assim vivia Aitofel, conselheiro do rei Davi, mantinha-se “fiel” no seu serviço de porta-voz da vontade de Deus para o rei, mas a ferida causada por Davi, ao destruir o lar de Bate-Seba, sua neta, nunca sarou. Ela se tornou rainha, vivia do melhor no palácio, seu filho Salomão seria sucessor no trono, mas nada disso curou a ferida de Aitofel.

A família de Aitofel era gente palaciana e de confiança de Davi. Ele conselheiro-mor*, seu filho Eliã, um dos notáveis guerreiros**e sua neta Bate-Seba, casou-se com Urias, que também compunha a lista de guerreiros notáveis. Se Davi queria mexer num vespeiro, Bate-Seba era a isca ideal; deixou-se dominar pela sedução ao ver o corpo desnudo de Bate-Seba, que se banhava descuidada à vista da janela real e se formou uma sequência de desatino. Adultério, tentativa de transferir responsabilidade, embriaguez, manipulação na frente de batalha, homicídio, Bate-Seba se torna mulher do rei e a morte de um recém-nascido. O confronto de Natã leva a confissão e o tempo passou trazendo consequências do pecado sobre a família de Davi, culminando com a conspiração de Absalão e a tomada do trono.

Não é de admirar que Aitofel tenha sido cooptado por Absalão para usurpar o trono e lá estava ele como conselheiro do novo rei, traçando estratégias de guerra na primeira pessoa: “Deixa-me escolher doze mil homens, e me levantarei e seguirei após Davi esta noite. E irei sobre ele... e o espantarei... então ferirei só o rei”****. A guerra já não era mais uma questão de Estado, era uma vingança pessoal. Treze anos se passaram e finalmente a oportunidade da vingança chegou: vingaria a ofensa a sua neta, a traição aceita por Joabe e a morte de Urias. Durante esse tempo, seu coração armazenou ressentimento e amargura e estava disposto a matar Davi com suas próprias mãos.

A estratégia de guerra, proposta por Aitofel, foi preterida em relação à proposta de Husai, conselheiro plantado por Davi no palácio, para confundir seu conselho. Isso potencializou a dor de Aitofel;  ver seu conceito cair diante do novo monarca, foi demais para sua emoção ferida e humilhado retirou-se para sua terra e enforcou-se. Perdera a última chance de lidar com a dor no meio da vingança.

Por treze anos, seu prato fervente de vingança esteve esfriando, mas bastou uma centelha de ódio para que a fornalha emocional fervesse em seu coração. Nesses treze anos, quantas vezes ele esteve com Davi diante da arca da aliança, quantos louvores entoou junto com os levitas, em muitos sacrifícios esteve presente, mas não abriu seu coração para o perdão. O problema já não era com Davi, o problema era de Aitofel para com Aitofel, pois não conseguiu liberar o perdão e a dor que finalmente lhe tirou a vida.

O corpo foi encontrado pendurado por uma corda; encerrava um processo de morte que se iniciara há mais de uma década, a corda apenas deu seu último aperto.

Todos, em algum momento da vida, ferem e são feridos, isso é inevitável diante da pecaminosidade inerente aos humanos; pode se evitar o pior, pode chorar, gritar, gemer e sofrer dores na alma e no corpo como parte de externar o sofrimento, mas a vida só reencontrará o seu lugar o dia em que a ira der lugar a paz, o ódio ceder diante do amor, o desejo de vingança diante da misericórdia. Nessa hora, descobre-se que a dor já não tem muito a ver com o outro, mas consigo mesmo, então se acorda pra vida, para não ter que puxar a corda que leva a morte.

*IISm 16.33;      ** IISm 23.34     *** IISm 23.34     **** IISm 17.1-2


Walter da Mata      10/4/2020





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terça-feira, 31 de março de 2020

ACHAMOS O MESSIAS





      Essa foi a frase dita por André ao encontrar seu irmão Simão Pedro. (Jo 1.41) Isso significa que havia uma busca por um Messias, um salvador, alguém que removesse os diversos jugos, inclusive o romano.  Parece que nada mudou, a busca por um Messias continua no íntimo de cada ser humano.
Construímos nossas tragédias com decisões diárias, conscientes ou não, mas é isso que fazemos, pelo menos na maioria de nossos dramas. Alguns, certamente são inevitáveis, como os problemas inerentes à velhice, mas só os tem quem teve o privilégio da longevidade. Outros estão fora de qualquer explicação humana, como as doenças que destroem crianças pelo câncer, as degenerativas e outras... mas em sua maioria, nós humanos construímos nossas tragédias em cada decisão tomada, seja ela pessoal, coletiva ou institucional, e na impossibilidade de resolvê-las, saímos em busca de um Messias, isto é, alguém de fora de nós mesmos para nos livrar de nós mesmos.
      A fome no mundo não é por falta de alimento, é gestão política;  pessoas mortas pela guerra não sofrem pelo acaso, mas pela briga de poder por quem não vive na zona de guerra, isso  é uma pequena amostra de que somos autores de boa parte de nossas mazelas. 
     Hoje, nosso drama é um vírus; turbinado em laboratório? Não sei... talvez nunca saberemos. Mas sei que o ser humano é capaz disso e muito mais...
    Diante disso, a pergunta é: “quem poderá nos defender?” Até porque, o monstro que está posto não faz diferença entre os humanos, até mesmo aqueles que vivem como se fossem imortais, mas funcionam como agente de morte todos dias, pelas ganância da corrupção, dos assaltos no patrimônio público, mensalões, pelos salários exorbitantes e acumulados em nome de um direito que eles mesmos criaram... enfim,  o vírus não respeita o “sabe com quem você está falando?”.
Então, quando a gente não sabe o que fazer, saímos em busca de um messias. Foi nesse contexto de desmando político formado por ladrões institucionalizados que o Brasil elegeu o Messias Bolsonaro, alguém imperfeito e sem o traquejo do jogo político, mas  com coragem pra peitar a suciata instalada na praça dos três poderes. Até aí, tudo bem!  Mas quando se mexe com essa gente, a crucificação é um caminho escolhido.
    O problema na área religiosa não é o Messias Bolsonaro, mas a ausência de identificação com o verdadeiro Messias, Jesus de Nazaré, que resgata o homem da tragédia eterna da alma. A classe religiosa há muito rompeu com seu Messias, para viver “segundo o curso desse mundo” dirigido por messias minúsculos que atendam sua ganância financeira. A cada eleição, se tem elegido o vencedor como o messias, assisti isso, com Tancredo, com Collor, com FHC, com Lula e Temer... a bola da vez ainda carrega, como nome próprio, o nome de Messias. A encarnação perfeita para quem vive em desespero. Todos esses ocuparam púlpitos e subiram em altares.  O Messias atual, com suas virtudes e defeitos e nem um dos outros messias antes dele, têm a resposta para os dramas do Brasil. Precisamos de uma reconstrução do indivíduo como cidadão, para que se tenha uma nação coerente. O que dizer da formação de uma criança que escuta seus pais dizerem: “meu sonho é ter um bom emprego e salário, sem que eu precise ir ao trabalho. Só preciso encontrar o político certo”.
      Está na hora de parar de buscar um messias e ter o verdadeiro encontro com o Messias, que muda o ser de dentro para fora, que transforma Simão em Cefas, pecadores em santos e escravos em libertos.
     Então, onde encontrar os dois tipos de messias? O messias político, que parece que está lá fora, na decisão do outro em meu favor, na verdade está dentro de cada um de nós, quando entramos na urna para decidir que tipo de nação queremos. O outro messias, o verdadeiro Messias, que no livro de Apocalipse está do lado de fora, também está lá por decisão nossa, mas muito desejoso de estar dentro de cada ser e de lá construir as mudanças que precisamos. Ele diz: Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta eu entro, senão continuo do lado de fora...

Walter da Mata   31/03/20


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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

Semeando o Pastoreio Mútuo em Cristalina - GO


Homens Mentores e COMEC - Conselho de Ministros Evangélicos de Cristalina - GO, estiveram juntos na reunião do Conselho. Ontem a noite foi um tempo de semearmos o chamado divino para que os pastores não caminhem sós. Ministramos a vinte pastores e pastoras sobre como transformar colegas em amigos e companheiros de jornada. Foi um tempo rápido, mas significativo. Parabéns ao COMEC, na pessoa de seu presidente pr. Geziel Gusmão, por fazer de 2020 o ano do cuidado com a vida dos ministros evangélicos de Cristalina. Nossa próxima etapa e ministrar o módulo Crescendo por meio do Cuidado, com duração 10h, para isso estamos ajustando agendas. Obrigado ao amigo Genival Santana, por me acompanhar na jornada noturna.











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