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sábado, 25 de janeiro de 2020

SAGA DA FAMÍLIA DA MATA







Nessa paródia na música Triste Partida (Luiz Gonzaga), contando e cantando a migração do Vovô Júlio e Iaiá Maria, do Sertão da Bahia para o Goiás,  no ano 1940.
Música composta pelos filhos do Francolino da Mata, seguindo narração das memórias de nosso pai. Foi um tempo de emoção ouvir a narrativa e depois seguir de Brasília  pra S. Luis de Montes Belos (GO) e celebrar  contando e cantando em um grande coral formado por  primos, sobrinhos e outros parentes;  ver os irmãos baianos reunidos e uma multidão de parentes. Tempos de muita emoção.
Nossa intenção é manter viva a memória de gente valente e corajosa em tempos difíceis, com disposição de não se acomodar diante de dificuldades que pareciam insuperáveis. Saíram da seca, numa caravana de fé e sonhos, formaram uma família de gente com coragem e força pra lutar. Somos hoje resultado de uma história e queremos honrar cada um deles com essa paródia.


                            
                              Francisco Rodrigues da Mata, o último dos baianos!

Saiu da Bahia pra vir pro Goiás
La de Paratinga para Aurilândia
Meu Deus, Meu Deus...
Buscando miora pra sua “famia”
La vem o seu Júlio e Dona Maria
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

                     Deixou o sertão com grande tristeza
                     Uma grande jornada para caminhar...
                     Meu Deus, Meu Deus...
                    Trazendo uma égua e o cavalo Redondo
                    Uma grande bagagem para acomodar.
                    AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

Nesta comitiva veio muita gente
Amigos chegados e alguns parentes
Meu Deus, Meu Deus...
Fugindo da crise que a terra assolava
Nos lombos dos burros todos “viajava”
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

                 Nesta caminhada conforto não tinha
                 Era muita gente, poucos animais
                Meu Deus, Meu Deus...
                Mas o papagaio foi quem reclamou
                Se não for no Redondo, na égua eu não vou.
               AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

Santo Onofre tá seco, a chuva não veio
E da gameleira a folha caiu
Meu Deus, Meu Deus...
A água trazida no lombo do burro
Perdeu-se a lavoura, a fome chegou
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...


               A grande “famia” foi se” arrumá”
              Pro velho sertão agora deixar
              Meu Deus, Meu Deus...
              Ficando pra trás pedaços de vida
              Partiu pro Goiás pra recomeçar.
             AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

O Paulo e a Bia, Tenente Também
O Zeca e a Belisca, Sabina aí vem
Meu Deus, Meu Deus...
O Franco, o Doro e o Abidias
Chiquim, o mais moço, ainda neném
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

                 Por noites e dias a tropa andava
                Mais de um mês a viagem durou
                Meu Deus, Meu Deus...
                Mais a baianada com muita coragem
                Por campos, cerrados, confiante viajou
                AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

Fazendo um pouso lá no rio dos bois
O Paulo e o Maninho, deram uma de espias
Meu Deus, Meu Deus...
Na terra que foram encontraram Alceno
Parente baiano em Santa Luzia
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

              Seu Espiridião já bem viajado
              Convence os baianos por ali ficar
             Meu Deus, Meu Deus...
             Pois no Mato Grosso nada prometia
            Trabalho e amigos, não vão lhes faltar
            AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

Lavoura e garimpo era a vida ali
Família da mata aceita ficar
Meu Deus, Meu Deus...
Comprando uma rua para residir
Baiano e goiano vão se misturar
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...


              Com o passar dos anos chegou o progresso
              Cidade cresceu e trouxe sucesso
              Meu Deus, Meu Deus...
              E muitos baianos mudaram de ramo
              Deixando a lavoura foram pro comércio
              AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...


Das treze pessoas que de lá vieram
Rendaram dum tanto que encheram o Goiás
Meu Deus, Meu Deus...
Em mais quatro Estados também tem baiano
Mostrando que a Mata expandiu demais
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

          Hoje cantamos com muita alegria
          Há mais de meio século deixaram a Bahia
          Meu Deus, Meu Deus...
          A história de raça, coragem e força
          Vitórias e lutas de nossa família.
          AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

Com muita lembrança da vida de outrora
Saudade de alguns que não vivem mais
Meu Deus, Meu Deus...
Família da Mata prossegue agora
Cantando unida com muita emoção.
AI, AI, AI,AI. Meu Deus, Meu Deus...

                                                                   Walter da Mata




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