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terça-feira, 31 de março de 2020

ACHAMOS O MESSIAS





      Essa foi a frase dita por André ao encontrar seu irmão Simão Pedro. (Jo 1.41) Isso significa que havia uma busca por um Messias, um salvador, alguém que removesse os diversos jugos, inclusive o romano.  Parece que nada mudou, a busca por um Messias continua no íntimo de cada ser humano.
Construímos nossas tragédias com decisões diárias, conscientes ou não, mas é isso que fazemos, pelo menos na maioria de nossos dramas. Alguns, certamente são inevitáveis, como os problemas inerentes à velhice, mas só os tem quem teve o privilégio da longevidade. Outros estão fora de qualquer explicação humana, como as doenças que destroem crianças pelo câncer, as degenerativas e outras... mas em sua maioria, nós humanos construímos nossas tragédias em cada decisão tomada, seja ela pessoal, coletiva ou institucional, e na impossibilidade de resolvê-las, saímos em busca de um Messias, isto é, alguém de fora de nós mesmos para nos livrar de nós mesmos.
      A fome no mundo não é por falta de alimento, é gestão política;  pessoas mortas pela guerra não sofrem pelo acaso, mas pela briga de poder por quem não vive na zona de guerra, isso  é uma pequena amostra de que somos autores de boa parte de nossas mazelas. 
     Hoje, nosso drama é um vírus; turbinado em laboratório? Não sei... talvez nunca saberemos. Mas sei que o ser humano é capaz disso e muito mais...
    Diante disso, a pergunta é: “quem poderá nos defender?” Até porque, o monstro que está posto não faz diferença entre os humanos, até mesmo aqueles que vivem como se fossem imortais, mas funcionam como agente de morte todos dias, pelas ganância da corrupção, dos assaltos no patrimônio público, mensalões, pelos salários exorbitantes e acumulados em nome de um direito que eles mesmos criaram... enfim,  o vírus não respeita o “sabe com quem você está falando?”.
Então, quando a gente não sabe o que fazer, saímos em busca de um messias. Foi nesse contexto de desmando político formado por ladrões institucionalizados que o Brasil elegeu o Messias Bolsonaro, alguém imperfeito e sem o traquejo do jogo político, mas  com coragem pra peitar a suciata instalada na praça dos três poderes. Até aí, tudo bem!  Mas quando se mexe com essa gente, a crucificação é um caminho escolhido.
    O problema na área religiosa não é o Messias Bolsonaro, mas a ausência de identificação com o verdadeiro Messias, Jesus de Nazaré, que resgata o homem da tragédia eterna da alma. A classe religiosa há muito rompeu com seu Messias, para viver “segundo o curso desse mundo” dirigido por messias minúsculos que atendam sua ganância financeira. A cada eleição, se tem elegido o vencedor como o messias, assisti isso, com Tancredo, com Collor, com FHC, com Lula e Temer... a bola da vez ainda carrega, como nome próprio, o nome de Messias. A encarnação perfeita para quem vive em desespero. Todos esses ocuparam púlpitos e subiram em altares.  O Messias atual, com suas virtudes e defeitos e nem um dos outros messias antes dele, têm a resposta para os dramas do Brasil. Precisamos de uma reconstrução do indivíduo como cidadão, para que se tenha uma nação coerente. O que dizer da formação de uma criança que escuta seus pais dizerem: “meu sonho é ter um bom emprego e salário, sem que eu precise ir ao trabalho. Só preciso encontrar o político certo”.
      Está na hora de parar de buscar um messias e ter o verdadeiro encontro com o Messias, que muda o ser de dentro para fora, que transforma Simão em Cefas, pecadores em santos e escravos em libertos.
     Então, onde encontrar os dois tipos de messias? O messias político, que parece que está lá fora, na decisão do outro em meu favor, na verdade está dentro de cada um de nós, quando entramos na urna para decidir que tipo de nação queremos. O outro messias, o verdadeiro Messias, que no livro de Apocalipse está do lado de fora, também está lá por decisão nossa, mas muito desejoso de estar dentro de cada ser e de lá construir as mudanças que precisamos. Ele diz: Eis que estou à porta e bato, se alguém ouvir e abrir a porta eu entro, senão continuo do lado de fora...

Walter da Mata   31/03/20


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