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segunda-feira, 4 de maio de 2020

CUIDANDO DOS NEGÓCIOS DO PAI..




Uma perspectiva sobre administração eclesiástica...




“O termo negócio provém do latim “negotĭum”, que é um vocábulo formado por nec e otium (“aquilo que não é lazer”). Trata-se da ocupação, da atividade ou do trabalho que se realiza com fins lucrativos”.
Jesus, no Evangelho de Lucas, referiu-se as atividades junto às pessoas, como o negócio do Pai, cujo lucro ou resultado esperado é resgatar a conexão do homem com Deus. Esse era o negócio de Jesus: revelar o Pai e atrair pessoas a entrarem no reino de Deus. Todos seus atos nos evangelhos tinham um lucro previsto: pessoas saindo do reino das trevas, da obscuridade, da escravidão do pecado e da dominação religiosa, para uma conexão de amor com o Pai. Não existe ganho maior.
Quando Jesus pergunta: de que vale ao homem ganhar tudo que tem no mundo e, no balancete final, perder a sua alma? Temos aqui uma perspectiva de valor, de administração da vida e de como se gerencia um negócio: não tratar a vida sem dar a ela o devido valor.  Um dos papéis da igreja é catalisar o encontro do ser que perdeu o valor da vida, com o próprio Senhor da vida.  Esse é o lucro maior do negócio do Pai.
A igreja, corpo de Cristo, em qualquer lugar que se reúna, precisa encarnar essa verdade transcendente, em meio à necessidade de gerir as questões pertinentes a uma instituição civil, com obrigações junto a seus membros e ao Estado. Aqui, entram planejamento, controle de processos, organizar os recursos humanos, materiais e financeiros, próprios de qualquer empreendimento, sem com isso perder a visão que, embora a igreja seja institucional, é acima de tudo um negócio do Pai.
No livro de Gênesis, temos o registro de um dos maiores administradores da Bíblia, José, filho de Jacó. Sua atuação no Egito é um mestrado em administração, tudo o que ele punha a mão era bem sucedido. Na condição de mordomo, fez prosperar a casa de Potifar e o que mais me impressiona é a percepção  de que aquele negócio era, em primeira mão, um negócio de Deus e depois um negócio de Potifar, o capitão da guarda.  Sabia o que lhe pertencia e o que não era seu. Quando se nega a ir para cama com a mulher do patrão, ele declara que ceder a tal procedimento era primeiro um pecado contra Deus e depois contra seu senhorio; isso mostra que quem é de Deus sabe que, ao exercer qualquer atividade, está cuidando de um negócio que é do Pai.  José viveu essa perspectiva nos negócios do Pai, na casa de Potifar, na gestão do cárcere real e depois como administrador geral do Egito. Então na igreja, não basta não se prostituir, precisa gerir bem as coisas, recursos e o dinheiro; tudo é negócio do Pai.
A prestação de contas é outro aspecto bíblico da administração, ela aparece no livro de Esdras; pois quando ainda na Pérsia, recebe ouro, prata e bronze em grande quantidade para empregar na reconstrução do templo em Jerusalém. O que ele faz? Nomeia uma equipe de administradores, pesa o tesouro e anota na frente deles e deixa claro que os valores eram ofertas consagradas ao Senhor, como também os administradores eram consagrados ao Senhor e que deveriam prestar contas dos valores diante dos sacerdotes e levitas que estavam em Jerusalém.  A caravana chega a Jerusalém e temos um balancete digno de ser imitado: “Tudo foi contado conforme o número e o peso”.

“Vós e esses objetos são consagrados ao Senhor” Ed 8.28

 Pessoas e recursos eclesiásticos não pertencem aos pastores, pertencem a Deus.

Gestão de pessoas. Aqui se aprende com Neemias: construir um Muro de pedra é mais fácil que gerir pessoas. A forma como distribuiu as pessoas na construção do muro é algo digno de nota: cada um edificava a porção do muro em frente à sua casa. Nada mais motivador que alguém esteja trabalhando em algo que proteja seus familiares, nem por isso foi poupado de acusações.
Na distribuição dos recursos. Antes dele, a provisão da casa do governador exigia do povo empobrecido um encargo, que embora fosse legal, naquele  contexto de pobreza, não era moral, portanto, durante doze anos, ele se recusou a receber mais do que sua função junto ao rei. Nada exigiu do povo.

A única razão era o temor a Deus. 5.15

Está  a chave da gestão de recursos: “Não exigi demais para mim, como os outros governadores que me antecederam e  não o fiz por causa do meu temor a Deus”
Neemias estabelece um princípio para administração eclesiástica: o temor do Senhor.

Ao contrário do que muitos pensam, as pessoas, e não coisas, são o maior patrimônio de uma igreja. Foi por elas que Jesus morreu e é por meio delas que o Evangelho vai alcançar o mundo.

O grande desafio é não transformar “os negócios do Pai” em negócio pessoal. Foi isso que Jesus disse ao purificar o templo: “não façais da casa de meu Pai, casa de negócio” (RA).
A forma como se administra pode transformar esse negócio chamado igreja, numa igreja chamada negócio. Quando isso acontece, os valores eternos são substituídos pelos valores materiais e temporais.  O templo com seus negócios “sagrados” de venda dos aparatos para o sacrifício, com ganhos advindos das bancas de câmbio de moedas estrangeiras, perdera seu significado de “negócio do Pai” para ser o negócio dos homens, por meio de ganho nos serviços de culto, no qual o foco não é Deus, mas o ganho pessoal.
O estilo de vida de quem decide viver do Evangelho tem como base o contentamento, nem pouco e nem muito, apenas o suficiente para uma vida digna; quem deseja viver acima disso, o que é legal, moral e desejável, que entre no mercado formal de trabalho e busque ser negociante das coisas terrenas, nas quais o ganho é fonte de lucro, pois o ministério é exercício da piedade e  “a piedade não é fonte de lucro”.
A forma como uma pessoa gerencia recursos materiais fala muito sobre quais são seus valores, e define o quanto se pode confiar a ela as coisas espirituais. Assim, se vocês não forem dignos de confiança em lidar com as riquezas deste mundo ímpio, quem lhes confiará as verdadeiras riquezas?
Lucas 16:11

Walter da Mata
04/05/20
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