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sexta-feira, 8 de maio de 2020

Soldado desprotegido e solitário não vence a guerra!

Uma reflexão sobre a importância dos grupos de apoio e do cuidado intencional no exercício do ministério

                       Por Walter da Mata

O exército era fantástico!

Nada menos que quatrocentos mil homens escolhidos em Israel, todos armados, alguns com espadas, lanças, escudos, fundas e outros objetos de ataque ou defesa, levando a tiracolo cantil com água e pequena provisão alimentar. Não se sabia quanto tempo duraria a batalha e convencionou-se que ninguém poderia retornar para casa antes do fim da missão contra os benjamitas¹.

Foi então que um grupo de quarenta mil homens formou uma rede de apoio para nutrir e cuidar dos que estavam no front. De cada cem, tomaram dez, cem de mil e mil de dez mil, assim o escritor do livro de Juízes estabelece o princípio de que, pelo menos, dez por cento da força deveria ser investida no cuidado. Isso era questão de sobrevivência, não apenas uma medida para vencer a batalha, mas uma forma de autocuidado. Não ter esse grupo de apoio era guerrear contra si mesmo.

Nós, pastores e líderes, temos viva a ideia de que nossa missão é uma batalha no mundo espiritual e emocional, com implicações diretas no corpo físico, pois nada do que fazemos no mundo espiritual e do que acontece no campo das emoções está fora do corpo, que exerce a função de um “para-raios”. Considerando essa perspectiva de que nosso corpo não sente apenas os impactos físicos, mas emocionais também, não é raro ver gente de liderança doente no corpo como resultado de feridas na alma.
"Não é raro ver gente de liderança doente no corpo
como resultado de feridas na alma.”

Dez por cento que faz a diferença

Temos familiaridade com expressões como: “as armas da nossa milícia”, “nossa luta não é contra carne e sangue”, “batalhar pela fé que uma vez foi entregue aos santos”, “lutas internas e externas” e “foi-lhe permitido fazer guerra aos santos”, que de alguma forma expressam a tensão vivida pelos que ministram no reino de Deus: a chamada batalha espiritual em meio a esse mundo tenebroso.

Ora, se aceitamos o princípio de guerra, devemos acatar também o princípio do cuidado: o de aplicar pelo menos dez por cento dos nossos recursos para manter-nos saudáveis em meio à batalha. Esses dez por cento precisam ser investidos em saúde física, emocional e espiritual. Para que isso aconteça, há necessidade de que pelo menos dez por cento do material humano seja formado por cuidadores, mentores, conselheiros, terapeutas e intercessores.

Enquanto a batalha acontecia, um grupo quarenta mil homens carregando água, alimentos, logística de descanso, medicamentos e segurança às famílias dava suporte ao pessoal do front. Um exército de homens com equipamento de apoio e cuidado pode definir o sucesso ou o fracasso na frente de combate, isso fica evidente no ato que Barzilai, o gileadita, faz ao rei Davi, anos mais tarde. Quando fugiu de Absalão, ele “trouxe cama, bacias, trigo, cevada, mel, manteiga..., pois no deserto o povo estava cansado e faminto”. Ao longo da história, muitas guerras foram perdidas por falta de uma boa estrutura de suporte.
"Ao longo da história, muitas guerras foram perdidas
por falta de uma boa estrutura de suporte.”

Paulo, na Carta aos Efésios, monta um grupo de apoio de intercessores; na Carta aos Filipenses, um grupo de suporte às necessidades físicas. Além disso, evidencia que recebeu apoio emocional de companheiros como Lucas e Timóteo.

Desempenhar esse papel — o de ser parte de um exército de cuidadores — é o coração de Homens Mentores. Queremos incentivar cada pastor e líder a investir tempo para receber cuidado e, como numa rede virtuosa, investir no cuidado a outros, tornando-se também um agente de suporte a quem está no “campo de batalha”. Vivemos para isso, fomos equipados para isso e amamos isso!

Não excluímos as muitas intervenções divinas do cuidado de Deus em relação a nós, pastores e líderes, mas o mesmo Deus que enviou um anjo em meio à tempestade para consolar, confortar e animar Paulo é o Deus que envia Timóteo para ser seu consolo pouco antes de sua morte, em Roma, provando que homens precisam de Deus mas também que homens precisam de homens.

Estamos espalhados pelo Brasil, em grupos de cuidado e equipes de treinadores, para fazer parte do cuidado de Deus em sua vida.

Para concluir, gostaria de convidá-lo a refletir sobre as seguintes perguntas:

  • Quanto de seu tempo é usado para investir em favor de si mesmo? Caso sua resposta lhe traga insatisfação, como poderia mudar tal quadro?
  • Qual é o valor de ter um grupo de pessoas voltadas para o cuidado de quem está na frente de batalha? Você participa de algum grupo? Caso não, como poderia engajar-se em uma iniciativa assim?
Estamos à disposição para dar suporte a você.

Para saber mais sobre nosso trabalho, navegue por nosso blogue ou acesse nossas redes sociais @homensmentores.

Referência:
¹ Juízes 20. 8-11

Foto de Stijn Swinnen em Unsplash
Texto originalmente publicado no www.homensmentores.com.br
Walter da Mata
Missionário Sepal e integrante do Ministério Homens Mentores, foi pastor por trinta anos da Assembleia de Deus Manancial – Sobradinho (DF).
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